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Educação 24/06/2019 | 18h36Atualizada em 24/06/2019 | 18h36

Ministério Público de Caxias quer informações sobre transferência de estudantes em Galópolis 

Pais dos alunos da Escola Municipal Professora Arlinda Lauer Manfro, em São João da 4º Légua, temem possibilidade de o colégio ser desativado

Ministério Público de Caxias quer informações sobre transferência de estudantes em Galópolis  Porthus Junior/Agencia RBS
Prédio da escola está sem condições de uso e uma sala de aula foi interditada porque o assoalho está cedendo Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Os pais dos alunos da Escola Municipal Professora Arlinda Lauer Manfro, em São João da 4º Légua, em Galópolis, no interior de Caxias do Sul, continuam apreensivos com a possibilidade de o colégio ser desativado. Para evitar que a localidade fique sem escola, uma comissão procurou o Ministério Público (MP) para solicitar esclarecimentos a respeito da reforma da instituição de ensino. A comunidade também entregou um abaixo-assinado ao MP com mais de 1,2 mil assinaturas para demostrar insatisfação com a transferência das crianças da área rural para a área mais central de Galópolis. 

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A Promotoria Regional de Educação, com sede em Caxias do Sul, encaminhou um pedido de esclarecimentos ao município no dia 19 de junho. A prefeitura tem prazo de cinco dias, a partir desta segunda-feira,  para responder aos questionamentos referentes a situação da escola e à transferência dos alunos. 

Atualmente, 17 estudantes do 4° e 5° ano estudam , provisoriamente, na capela mortuária, junto à Igreja de São João da 4º Légua. A intenção do município é que as atividades permaneçam na capela até o início das férias de inverno, que devem começar em 15 de julho. No retorno às aulas, todos os alunos passam a estudar em um prédio que funciona atualmente como Centro de Eventos da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Smel) na área central de Galópolis. 

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 05/06/2019. Alunos da Escola Municipal Professora Arlinda Lauer Manfro estão tendo aula em capela mortuária  na localidade de São João da 4ª Légua, em Galópolis. A transferência é por causa da necessidade de uma reforma no prédio do colégio. (Porthus Junior/Agência RBS)
Atualmente, 17 estudantes do 4° e 5° ano estudam , provisoriamente, na capela mortuária, junto à Igreja de São João da 4º Légua Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Temor pelo fechamento 

A promotora Simone Martini solicitou informações sobre as obras que a Smed pretende fazer no colégio e que justificam a transferência dos alunos:

—  Os pais temem duas situações em relação à transferência dos estudantes: que a escola, na área rural, feche e se a estrutura física do novo espaço que irá receber as crianças é adequado. Também requisitei informações sobre as obras que serão realizadas e que, pela Smed, justificariam a transferência dos alunos para o Centro de Eventos. 

A promotora explica que não está claro se as atividades serão retomadas na escola Arlinda, por isso, questiona se as estruturas prediais da Arlinda estão comprometidas. 

— Nada está claro referente a reforma da escola atual e se os estudantes voltarão para o meio rural. É preciso esclarecer o por quê da escolha desse espaço — questiona a promotora.

Outro ponto se refere à transferência dos estudantes, duas escolas rurais próximas ficaram fechadas: a Arlinda Manfro e a Felipe Camarão, que foi fechada em 2017, porque tinha apenas quatro alunos. 

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 05/06/2019. Alunos da Escola Municipal Professora Arlinda Lauer Manfro estão tendo aula em capela mortuária  na localidade de São João da 4ª Légua, em Galópolis. A transferência é por causa da necessidade de uma reforma no prédio do colégio. (Porthus Junior/Agência RBS)
Pais temem fechamento da escola na área rural depois que estudantes forem transferidos para área central de Galópolis Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

— O espaço é adequado para que nossos filhos tenham aula sem sair do interior — reitera a presidente do Círculo de Pais e Mestres da escola, Marina Menzomo Strapasson.

A transferência para Galópolis, informa, foi imposta pela Secretaria de Educação, e mesmo depois de tentativas de dialogar sobre o assunto não foram ouvidos pela prefeitura. 

— A comunidade se dispôs a ajudar na reforma da escola para garantir a segurança dos alunos e para que eles não sejam transferidos para longe do meio rural.  Talvez o problema seja resolvido de maneira mais simples. Sugerimos outras opções para que fiquem aqui, então me pergunto por quê a prefeitura não nos deixa ajudar? — questiona Marina. 

Ela também ressalta que uma comissão formada pelos pais estudou o caso: 

— O município alega que a escola não pode ser de madeira, mas como a Arlinda é um colégio no meio rural não há nada que impeça ou que conste na lei, que diga que não pode ser desse tipo de material.  O município não respondeu aos nossos questionamentos e o levantamento técnico também precisa ser mais aprofundado. Se a mudança fosse no ensino nós aceitaríamos, mas não é, é apenas estrutural.

O QUE DIZ A SECRETARIA

A secretária de Educação, Marina Matiello, esclarece que não há como reformar a escola atual, mas garante que a escola não está sendo fechada, apenas transferida para um prédio mais adequado, onde os alunos fiquem em segurança:

—  Não cabe reforma no prédio atual, onde hoje funciona a escola Arlinda Manfro. Teria que ser uma escola nova. Conversamos com os pais e, a partir de janeiro, vamos buscar uma solução para o assunto. Nós não estamos fechando ou extinguindo a escola, mas, transferindo os estudantes para um espaço com todas as condições necessárias para um ensino de qualidade. 

Por e-mail, a secretaria esclarece que em vistoria realizada no final de abril de 2019, a equipe técnica da Smed constatou que pequenos reparos ou soluções paliativas não surtiram efeito e tão pouco reequilibrariam a situação de estabilidade estrutural da escola. Por conta disso, parte da edificação escolar foi interditada no dia 4 de junho para reduzir os riscos aos estudantes, o que ocasionou a transferência das aulas para uma edificação cedida pela comunidade. 

Ainda de acordo com a Smed, afastado o risco eminente aos estudantes, a pasta passou a buscar novo prédio para a implantação da comunidade escolar, enquanto uma melhor opção para a construção é definida. A solução encontrada foi a adequação do espaço do salão de eventos, localizado junto ao campo de futebol da comunidade de Galópolis, e a oferta do município de transporte escolar. 

A prefeitura esclarece que a partir de janeiro de 2020, a prefeitura dará início a estudos para a solução definitiva do problema.

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