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Religião20/06/2019 | 08h02Atualizada em 20/06/2019 | 08h02

Freis de Roma estão em Flores da Cunha para ouvir relatos que possam levar a beatificação de Salvador Pinzetta

Italianos participam das celebrações da 30ª Romaria em homenagem ao capuchinho brasileiro

Freis de Roma estão em Flores da Cunha para ouvir relatos que possam levar a beatificação de Salvador Pinzetta Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Além das comemorações de Corpus Christi, este 20 de junho tem significado especial para a comunidade de Flores da Cunha. Tradicionalmente, nesta data é realizada a Romaria ao Frei Salvador Pinzetta, capuchinho que pode se tornar o primeiro brasileiro beato da congregação no país. Mas, neste ano, as atividades terão a presença de dois freis que vieram de Roma para acompanhar as celebrações e, mais do que isso, ouvir relatos de moradores sobre casos que poderão passar a ser investigados como possíveis milagres atribuídos à intercessão de frei Pinzetta.

– Sobretudo, este ano é importante porque em 13 de maio, o Papa autorizou o decreto que certifica que Frei Salvador Pinzetta viveu de maneira heroica as virtudes da fé, esperança e caridade e, na vida religiosa, observou os votos de obediência, pobreza e castidade. Este é o motivo pelo qual, neste ano, viemos a Flores da Cunha, porque concluímos uma primeira etapa da causa. Agora, se abre outra, porque pela beatificação se reconhece que frei Salvador poderá ter um culto público e será proposto como exemplo e modelo. Para isso, precisamos provar um fato extraordinário, que comunmente chamamos milagre, algo que a ciência não pode explicar – declarou frei Carlo Calloni, postulador-geral do processo na Causa dos Santos dos Capuchinhos em Roma.

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Como exemplo, frei Calloni cita a cura inexplicável de uma doença ou alguém que, sem explicação escapa ileso de um acidente que, notadamente, levaria a ferimentos graves ou até a morte. A fase anterior mencionada pelo postulador se refere ao processo aberto na Diocese do município e enviado a Roma e que tornou o frei Pinzetta primeiro Servo de Deus e, depois, Venerável, posto em que se encontra atualmente. 

Frei Calloni explica que por ser venerável, as pessoas podem rezar para frei Pinzetta, o que na prática, ocorre há anos. Podem ser distribuídas fotos dele, como também já se faz. Podem ser feitas estátuas dele, mas ainda não é permitido pela Igreja que ela seja posta em local de destaque em altar, por exemplo, ou que tenha algum sinal ou referência de santidade, nem culto. Mas a imagem pode permanecer no lugar que ocupa junto ao seu túmulo, dentro da Igreja Matriz.

Frei Calloni e frei Antonio Haddad chegaram em Flores da Cunha no último sábado e ficam até este sábado. O postulador local da causa, frei Sergio Marcelo Dal Moro, espera encontrar, entre os relatos de pessoas que dizem ter rezado ou pedido a intercessão de frei Pinzetta e, assim, conseguido melhora inexplicável pela medicina, o milagre necessário para a beatificação.

– Seguramente, a fé é importante, mas é preciso ter calma, para não criar na população uma expectativa muito grande – pondera Calloni.

São cinco capuchinhos em processo de canonização no país – quatro deles italianos missionários e apenas Pinzetta brasileiro. Três já são veneráveis e dois Servos de Deus.

A Romaria a Frei Pinzetta está na 30ª edição. A caminhada sai da Igreja Matriz, no Centro, às 13h30min, e segue por cerca de três quilômetros até o Eremitério, onde ocorre celebração eucarística e benção da saúde.

FLORES DA CUNHA, RS, BRASIL,  17/06/2019Freis capuchinhos responsáveis pelo processo de canonização do frei Salvador Pinzetta vieram de Roma para avaliar relatos de possíveis milagres dele.frei Carlo Calloni (barba grisalha)frei Antonio Haddad (mais jovem)frei Sergio Marcelo Dal Moro (brasileiro)(Lucas Amorelli/Agência RBS)
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Quem foi
:: Frei Salvador Pinzetta nasceu em 29 de julho de 1911, em Casca. Iniciou a vida religiosa com os capuchinhos no ano de 1944 em Marau e logo depois, foi para o Seminário Sagrado Coração de Jesus, de Flores da Cunha, onde desenvolveu a maior parte de seus trabalhos religiosos. Ele morreu, aos 61 anos, após um acidente vascular cerebral (AVC). Segundo relatos dos moradores de Flores da Cunha, o frei levava uma vida humilde e tinha como principais características a fé, caridade, oração e trabalho.
:: Frei Pinzetta não era padre. Maior parte da vida passou trabalhando nos afazeres do convento, portanto, sem muito contato com a comunidade. Nos últimos dois anos de vida, se tornou ministro da eucaristia. Visitava as casas dos moradores doentes que não podiam deslocar até a igreja para comungar e ao hospital. Rezava com as famílias.
:: Quando da sua morte, em 1972, houve uma comoção geral na comunidade, de onde se percebeu que ele tinha fama de santidade, o que precede os processos de canonização.

Possíveis milagres serão avaliados aqui e em Roma

O postulador da causa de frei Pinzetta em Roma, Carlo Calloni, refere que a comprovação de um milagre requer pesquisa, documentos (inclusive médicos) e coleta de provas e testemunhos que certifiquem a relação do fato extraordinário com a invocação ao frei Pinzetta. Esse trabalho caberá ao postulador local.

Identificado o possível milagre, reunidas as provas para a comprovação, o material enviado a Roma e submetido à análise de especialistas da área da teologia e da ciência, que avaliarão tudo e dirão se existe ou não um milagre. Ao fim, o Papa dará a palavra final sobre a beatificação ou não.

A cerimônia, caso ocorra, que antes era realizada em Roma, por determinação do Papa Bento XVI, passou a ser na Diocese. Ou seja, caso seja beatificado, um representante do Papa virá a Flores da Cunha para o ato. A mudança ocorreu para valorizar a Igreja local.

O processo
:: O movimento para tornar o frei venerável Servo de Deus começou em 1977, cinco anos após a morte dele, em 31 de maio de 1972.
:: O processo foi aberto em abril de 2011 na diocese de Caxias do Sul, com a instauração do Tribunal Eclesiástico Diocesano.
:: Os documentos foram levados para Roma pelo então postulador local, dom Ângelo Domingos Salvador, no ano seguinte. Depois disso, o vice-postulador, frei Celso Bordignon, ficou responsável por dar prosseguimento ao processo no Brasil. E, recentemente, o frei Sergio Marcelo Dal Moro assumiu a causa no âmbito da Diocese.
:: Em 13 de maio deste ano, o frei Salvador Pinzetta foi tornado venerável pelo Papa Francisco.
:: Para a beatificação é necessária a confirmação de um milagre. Escolhido um caso em que existe a possibilidade de ter ocorrido milagre, o postulador local pesquisa, reúne documentos (inclusive médicos) e coleta provas e testemunhos que certifiquem a relação do fato extraordinário com a invocação ao frei Pinzetta. Identificado o possível milagre, reunidas as provas para a comprovação, o material enviado à Congregação da Causa dos Santos, em Roma, onde se avaliará o caso, primeiro com opiniões de dois médicos, indicados pela Congregação. Se o parecer for positivo, nova avaliação será feita por uma junta médica composta por sete profissionais. Se, ao menos cinco derem parecer favorável, o processo continua. Aí, o caso é analisado por nove teólogos que avaliam a invocação e a intercessão. Se ao menos sete atestarem que houve, o processo é remetido a reunião de 22 cardiais e bispos que examinam o caso. Se eles também atestarem, o caso é encaminhado, em forma de um relatório, ao Papa que, se estiver de acordo, declara a beatificação. Se não concordar, o Papa arquiva-se o caso.
:: Caso seja considerado beato, o passo seguinte, a canonização, quando frei se tornaria santo, depende de um segundo milagre e todo o processo de comprovação é feito de novo.


 
 
 

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