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Ambiente24/06/2019 | 20h46Atualizada em 25/06/2019 | 13h39

Audiência pública discute qualidade da água em Caxias

Pesquisa apontou existência de 27 agrotóxicos no líquido que sai das torneiras dos caxienses

Audiência pública discute qualidade da água em Caxias Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Barragem do complexo Dal Bó, no bairro Nossa Senhora de Fátima, é uma das que abastecem Caxias Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Uma audiência pública na tarde desta terça-feira está propondo uma discussão sobre a qualidade da água que os caxienses estão bebendo. O encontro foi uma provocação da vereadora Gladis Frizzo (MDB) à Comissão de Saúde e Meio Ambiente do Legislativo e tem foco na quantidade de agrotóxicos que são ingeridos por meio da água que chega às torneiras e que efeitos eles podem ter no organismo das pessoas que a consomem.

– Que água é esta que estamos bebendo? Temos avaliações diferentes de órgãos diferentes que convidamos para a audiência para esclarecer isso e queremos ouvir a população – disse a parlamentar.

Um mapa elaborado a partir de investigação da Repórter Brasil, Public Eye e Agência Pública apontou 27 agrotóxicos presentes em amostras da água que abastece Caxias testadas entre 9 de abril de 2014 e 30 de outubro de 2017. Deste total, segundo a reportagem publicada em abril deste ano, 11 são associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos. Ainda conforme a reportagem, os dados utilizados são do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) do Ministério da Saúde e obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação em abril de 2018.

O material divulgado traz, além do número de agrotóxicos na água por cidade, a concentração dessas substâncias, que é medida em microgramas por litro. Nenhum dos agrotóxicos encontrados no período analisado foi detectado acima dos limites brasileiros.

O Serviço Municipal de Água e Esgoto (Samae) faz a captação, tratamento e distribuição da água para cerca de 495 mil moradores de Caxias, de um total de 504 mil habitantes, considerando áreas urbana e rural. Segundo o   gerente de tratamento de água do Samae, engenheiro ambiental Tiago Marcon, as análises são feitas na água que já passou pelo tratamento e será distribuída à população. Esse trabalho é feito por laboratório contratado que, em função de adequação em procedimentos, chegou a reavaliar os laudos no período e emitiu uma nota atestando que os agrotóxicos foram considerados como não detectados.

Ainda conforme Marcon, o nível de preservação das bacias de captação é fator determinante no método de tratamento utilizado pelo Samae, que é de uso de carvão ativado. O carvão possibilita a purificação da água, nesse caso, pela absorção dos agrotóxicos, que ficam no lodo, liberando apenas a água potável.

Foram convidados para a audiência pública, que ocorre às 18h, no plenári0, além do Samae, representantes das secretarias municipais de Meio Ambiente (Semma), da Saúde e da Agricultura e de órgãos estaduais, como a 5ª Coordenadoria Regional de Saúde. Também foram convidados Conselho Regional de Medicina, Sindicato Rural e dos Trabalhadores Rurais do município, Instituto de Saneamento Ambiental, Emater regional e municipal, Vigiágua e comitês Taquari Antas e de gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Cai, entre outras instituições. Dois representantes do Vigiágua farão explanação, que terá como debatedora, a professora da Universidade de Caxias do Sul, Vania Elisabete Schneider.

Entre agrotóxicos apontados estão alguns proibidos há anos

De acordo com o engenheiro agrônomo João Villa, do escritório regional da Emater, mais da metade (14) dos 27 agrotóxicos apontados pela pesquisa estão em desuso por terem sido proibidos há anos. Um deles, o Aldrin, foi utilizado entre as décadas de 1950 e 1970 e, depois, banido.

– Eles são tão persistentes que foram usados, um por exemplo, lá na década de 70 (1970) e ainda tem contaminação, mas é daquela época – explica Villa, referindo ao produto que ficou no solo e levado aos cursos d'água pela chuva.

Os outros 12 que aparecem na lista são herbicidas, fungicidas e inseticidas, usados, de forma geral, em culturas como grãos, frutas e hortaliças (leia mais no quadro). Um deles não tem registro para uso agrícola, o Lindano. O controle existente ocorre no tipo e na quantidade de produto que pode ser adquirido pelo agricultor, que para comprar precisa de um receituário de agrônomo. Na venda, a fiscalização recai sobre os produtos permitidos para comercialização pelos estabelecimentos. Em ambos os casos cabe à Secretaria de Agricultura fiscalizar. O que não impede a importação ilegal e uso de produtos proibidos. Na propriedade, o uso é de responsabilidade do agricultor. A Emater orienta sobre a aplicação e o manejo e conservação do solo e água, os produtores que tiverem interesse. Na etapa de consumo, Anvisa e Ceasa fazem as análises e medições de agrotóxicos nos produtos finais.

– Tem o limite mínimo de cada um que é considerado seguro, mas não tem estudos sobre a junção de todos esses, o que acontece. Também não sabemos se foram encontrados vários em uma mesma amostra... cada um um tem um efeito diferente. Vários são cancerígenos – pondera o engenheiro agrônomo.

Foto: Arte Pio / Agência RBS


 
 
 

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