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Investigação21/05/2019 | 16h57Atualizada em 30/05/2019 | 17h56

"Nunca deixamos de pagar clientes", diz representante de empresa que negociava criptomoedas em Caxias

Escritório funciona há um ano no bairro Exposição

"Nunca deixamos de pagar clientes", diz representante de empresa que negociava criptomoedas em Caxias Adriano Duarte/Agencia RBS
Representante caxiense da InDeal mostra sistema que monitora o mercado virtual de bitcoins Foto: Adriano Duarte / Agencia RBS

Logo após a divulgação da operação contra a InDeal por suspeita de fraudes em investimentos de criptomoedas, clientes de Caxias do Sul, cidade que mais aplicou dinheiro na empresa, ficaram assustados com a repercussão do caso e buscaram informações nos três escritórios locais. 

A suspeita levantada pela Polícia Federal e Receita Federal é negada veemente por um dos representantes da InDeal em Caxias, que considera a operação uma manobra para impedir o andamento de um negócio que ainda não está regulamentado e é incompreendido pelo próprio governo. O diretor de uma das unidades, que tem o nome preservado, conversou com o Pioneiro sobre o assunto e diz que o investimento em criptomoedas é uma transação financeira que não depende do sistema financeiro tradicional. 

Em Caxias, o perfil de clientes é variado, o que vai de aposentados a empresários. O investimento mínimo é de R$ 3 mil e um único morador já aplicou R$ 10 milhões sozinho. Até o momento, não há denúncias de clientes caxienses que tenham sido lesados na suposta fraude e a representação da InDeal garante que pagou os rendimentos prometidos. A relação dos escritórios locais com a sede da empresa é semelhante a uma franquia. Os representantes estabelecem uma empresa e prestam serviço para a InDeal, com sede em Novo Hamburgo, e atuam como captadores de investidores. Todo o dinheiro vai para a conta da empresa em Novo Hamburgo, que repassa 2% para o escritório de representação e 3% para os consultores — cada escritório tem 50 consultores.

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Confira a entrevista com o diretor do escritório local. 

Para o Ministério Público Federal, a operação de cripto moedas da InDeal esconde uma pirâmide financeira. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Acredito que o Ministério Público não levantou as informações que seriam relevantes para analisar o nosso caso, pois o nosso balanço patrimonial está publicado, temos nota fiscal da aquisição das nossas criptomoedas, emitimos nota fiscal da prestação de serviço e nós não remuneramos os nossos clientes como o MP está acusando.

De que forma é esse ganho?

Nós pagamos um ganho de capital por cliente controlado pelo painel de controle, onde o cliente tem acesso e completo direito à movimentação da forma financeira, onde ele decide se quer manter o investimento ou sacar seu ganho de capital ou capital completo. Ele, fazendo a baixa do resgate da aplicação, solicita o saque e, em cinco dias úteis, esse recurso está de volta na conta corrente dele.

Uma das suspeitas é de que essa operações de criptomoedas não existem e o pagamento dos rendimentos é feito com o pagamento com recursos que os próprios clientes investem. Ou seja, um cliente pagaria pelo lucro de outro. O que o senhor tem a dizer:

Completamente equivocada a informação. A origem dos trades (investidor do mercado financeiro) existe, basta entrar nas exchanges (plataformas para a negociação de criptomoedas) onde são feitas as operações e baixar os relatórios onde comprova a operação foi feita: o valor de compra, o valor de venda e, com isso, a apresentação do lucro.

Os donos da InDeal enriqueceram rapidamente em pouco tempo. Por que isso?

É natural devido ao ganho expressivo que se pode ter com as criptomoedas. Acabei de te mostrar uma criptomoeda, que é a Bitcoin SV, onde ela, em menos de 24 horas, cresceu mais de 94%. Se eu tivesse comprado uma unidade dessa criptomoeda, que custava US$ 119 dólares ontem, hoje teria ganho 94% sobre ela.

Com a operação da PF, fica a dúvida de como será o resgate de valores. Se alguém quiser sacar ou continuar aplicando, como fica?

Nunca deixamos de pagar as solicitações de saque de nossos clientes, porque eles mesmo movimentam a conta deles como uma contra tradicional. Eles fazem o gerenciamento e o recurso jamais fica bloqueado em nossas contas. Agora, em virtude de toda essa operação, pode ser que haja atraso nos pagamentos. Ao invés de nossos diretores estarem trabalhando normalmente, eles estão tendo que dar explicação. O maior prejudicado de tudo isso é o nosso cliente em virtude de que seria mais fácil perguntar do que sair acusando sem ter a provas para tanto.

O senhor, como diretor de um escritório, também teve uma melhora das finanças pessoais?

Sem dúvida, tive um aumento no meu patrimônio, todo ele declarado no imposto de renda, minha declaração gerou 98 páginas. Está tudo 100% regulado dentro do meu IR, estou pagando meu imposto. Todo mundo tem medo de pagar imposto porque ganha pouco. Nós, que estamos ganhando bem, não vejo porque não pagar o imposto mesmo não sabendo o destino dele. Todos esses recursos estão 100% declarados.

O senhor disse antes que existe uma intenção não muita clara em combater o trabalho de vocês?

No meio fiduciário, onde tem euro, real, dólar, existem pirâmides financeiras, são milenares. E também, com a entrada das criptomoedas, tem empresas se aproveitando da situação para fazer escalonamento piramidal e pagar o comissionamento para seus clientes. A gente não paga comissão, a gente paga ganho de capital, o que é fruto do nosso trade de operação. Então, ao invés do MP fazer a investigação de acordo, solicitar a documentação, foi muito mais fácil, para ganhar holofotes, jogar a matéria no sistema para ver se tinha algum prejudicado. Como não há prejudicados dentro da InDeal, tudo se torna infundado porque nós cumprimos 100% dos nossos compromissos. Não sei como vai ficar agora em virtude dessa ação onde tiraram da operação os diretores, como ele vão fazer, dar a execução do processo. Os clientes estão me perguntando se vão receber ou não. Olha, por parte da InDeal, todos receberiam, basta que a gente continue trabalhando. Tu converte as criptomoedas, paga nossos clientes e liquida sem problema nenhum.

Um cliente que tenha investido R$ 1 mil há um ano, quando já teria rendido até agora?

Em um ano, ele pode ter dobrado de capital cerca de quatro vezes. Teria virado R$ 4 mil.

É rendimento expressivo, por isso levanta as dúvidas. Por que é tão expressivo?

É expressivo porque existem mais de duas mil criptomoedas no mundo, lançadas em mais de 18 mil bolsas de negociações. Estamos falando em um mercado de mais de US$ 250 bilhões no mundo inteiro, onde todas essas criptomoedas podem ser comparadas a empresas lançadas na Bolsa de Valores. Então, essas criptomoedas lançadas nas bolsas de negociações têm oscilações normais da especulação do mercado, do próprio propósito da criptomoeda. Posso citar a uma criptomoeda, que se chama Dentacoin, que tem como principal finalidade ser a criptomoeda do setor odontológico. Todas as transações financeiras realizadas pelo setor vão ser registradas através do Blockhain (banco de dados em que as negociações de bitcoins ficam gravadas) porque a criptomoeda só circula se tiver registro dentro do Blockchain. Bem diferente do meio fiduciário, onde o real que está na nossa mão não tem controle algum sobre ele, não tem como ter registro a não ser a exigência da nota fiscal quando a gente presta um serviço ou adquire algo.

Qual a margem de lucro da InDeal?

Ela é variável, não posso dizer que a margem é de 50 ou 60% de ganho, pode ser mais ou menos, a gente tem metas para que se possa regular um ganho

Se hoje o ganho de capital do cliente está em 9%, a InDeal ganha isso também?

Acredito que seja mais do que isso, assim como nos bancos que obtêm ganho expressivo e pagam pouco para seus clientes nos investimentos tradicionais, a InDeal tem um ganho expressivo, mas resolveu fazer a redistribuição de renda e pagar bem os seus clientes.

 
 
 

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