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Saúde 24/05/2019 | 17h15Atualizada em 24/05/2019 | 17h21

"No momento da partida, nós que seguramos a mão do paciente" diz enfermeira caxiense

Encontro em Caxias do Sul debate os crescentes casos de adoecimento de profissionais da enfermagem 

"No momento da partida, nós que seguramos a mão do paciente" diz enfermeira caxiense Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A enfermagem está ligada a cuidado, solidariedade e compaixão com o ser humano. Contudo, ao longo dos anos, profissionais que se dedicam a cuidar dos outros, têm adoecido com mais frequência. Enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem enfrentam carga de trabalho excessiva, baixos salários, excesso de pacientes sob sua responsabilidade e pressão para não cometer erros. 

Essas exigências, aliadas a tensão de trabalhar diretamente com a vida de outas pessoas, têm colaborado para o aumento de casos de depressão, acidentes de trabalho, afastamento e doenças psicossomáticas. O comprometimento da saúde dos profissionais, que estão cansados e estressados, afeta a qualidade do atendimento aos pacientes, e aumenta o risco de falhas.  

Em Caxias do Sul, os casos de adoecimento motivaram a categoria a organizar um seminário para debater o assunto. "Quem cuida merece ser cuidado" é o lema do 1º Encontro de Enfermagem, que será promovido pela Lumos - Gestão e Desenvolvimento. O evento ocorre das 8h às 12h, deste sábado (25), no auditório do edifício Eccel, na Rua Dr. Montaury, 2.090, bairro Exposição. O investimento é de R$ 35 para participar de todo o seminário e de R$ 15 para palestra avulsa. As inscrições podem ser feitas pelo telefone (54) 99182-0046 ou antes do evento, no local. 

O seminário contará com mesa redonda com o tema "O adoecimento da enfermagem e a valorização do profissional" com a presença das enfermeiras Maria Berra de Mello, Rosa Cappellaro Andreazza e Camila Della Mea Deimomi e da psiquiatra Dra. Claudia Scarsi Grohs sob a coordenação da enfermeira Kenia B. Fiorentin.  Em seguida, está programada a palestra:  A dor do adoe(ser)" com a psicóloga Camila S. Lang. Para finalizar, a enfermeira Ana Carla M. Chaves tratará do Adoecimento da enfermagem: o que a gestão tem a ver com isto? 

A situação é tão delicada que a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) lançou a campanha Nursing Now, para repensar a enfermagem e a reconhecê-la como um fator essencial para que os países consigam alcançar índices dignos de saúde e assim valorizem a categoria.  Sob o lema, "Onde há vida, há enfermagem", no Brasil, a iniciativa é encabeçada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 24/05/2019 - Adoecimento de profissionais de enfermagem é tema de seminário em Caxias. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)Indexador:
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Uma das organizadoras do evento, a enfermeira Ana Carla M. Chaves ressalta que além da carga emocional de ser responsável pela vida dos pacientes, a dupla jornada tem levado a casos graves entre a categoria: 

—  A gente sabe que só o fato de cuidar de pessoas, ainda por cima pessoas doentes, já tem uma carga bastante significativa. Além dessa tensão, há exigências específicas, tanto na área cognitiva, quanto na parte física, que levam a uma carga de trabalho excessivo. 

Ela aponta ainda que a enfermagem também enfrenta um ritmo intenso de trabalho, controles rigorosos e a crescente necessidade de profissionais multifuncionais, que sobrecarregam e geram estresses à categoria: 

— Temos vistos notícias tristes a toda a hora no nosso meio, notícias de pessoas que perdem a vida por um total desalento profissional, acometidas por doenças físicas e psicossomáticas em função do ambiente de trabalho.

Para a enfermeira Rosa Cappellaro Andreazza, que também é uma das debatedoras,  é preciso um olhar abrangente porque o ambiente laboral dos técnicos e enfermeiros é de forte tensão emocional. Emocionada, ela acrescenta que a enfermagem não é uma profissão como outra qualquer, pois os profissionais lidam com a vida:

— Os profissionais têm que enfrentar a finitude da vida e a maioria das pessoas não está preparada para a morte.  No momento da partida, nós que estamos ao lado do leito,  nós que seguramos a mão do paciente e abraçamos o familiar. Nós choramos juntos, porque perdemos a batalha e não tenho como não me emocionar ao falar disso. O que me sustenta, como pessoa e como enfermeira, é saber que na morte a vida física acaba, mas não está tudo acabado. 

O seminário também celebra o mês dedicado a profissão, que é considerada a segunda categoria com maior número de profissionais no Brasil, chegando a 2,1 milhão segundo o Cofen. Destes, cerca de 85% são mulheres. 

Serviço: 

O evento ocorre das 8h às 12h, deste sábado, no auditório do edifício Eccel, na Rua Dr. Montaury, 2.090, bairro Exposição.  O investimento é de R$ 35 para participar de todo o seminário e de R$ 15 para palestra avulsa. Inscrições podem ser feitas pelo telefone (54) 99182-0046 ou ainda neste sábado antes do encontro. 

Programação: 

8h15min - Mesa redonda "O adoecimento da enfermagem e a valorização do profissional"

9h45min - Palestra: "A dor do adoe(ser)" -Psicóloga Camila S. Lang 

10h45min - Palestra: "Adoecimento da enfermagem: o que a gestão tem a ver com isto?" - Ana Carla M. Chaves 

11h45min - Bênção das Mãos - Padre Claudio Pezzoli 

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