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Investigação21/05/2019 | 17h45Atualizada em 30/05/2019 | 18h00

Clientes venderam imóveis e fizeram empréstimos para aderir a fundo de criptomoedas em Caxias

Com dinheiro bloqueado, investidores não sabem quando resgatarão valores

Clientes venderam imóveis e fizeram empréstimos para aderir a fundo de criptomoedas em Caxias Fernando Gomes/Agencia RBS
Sócios da InDeal adquiriram carros de luxo com recursos de investidores, segundo investigação da PF e Receita Federal Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Com o dinheiro bloqueado nas contas da InDeal, investigada por operações suspeitas no mercado de criptomoedas, os clientes da empresa não sabem quando poderão ter acesso aos valores. Somente em Caxias do Sul, o fundo arrecadou mais de R$ 120 milhões até fevereiro deste ano, valor que pode ser muito maior atualmente, pois um dos escritórios, segundo apurou a reportagem, tinha uma carteira de R$ 140 milhões. A retenção dos recursos foi determinada pela Justiça Federal para garantir o trabalho de investigação da força-tarefa responsável pela chamada Operação Egypto.

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Segundo o procurador da República de Novo Hamburgo, Celso Tres, a recuperação do dinheiro por parte dos investidores não será tão simples, pois os sócios da InDeal teriam gastado parte do fundo milionário para adquirir patrimônio pessoal como carros de luxo, imóveis, joias e roupas de grife.

— Esse foi o maior golpe da história do Rio Grande do Sul. Há pessoas que já perderam tudo e continuaram investindo — afirma Tres.

Em média, a InDeal levava cinco dias para iniciar e concluir transações de resgate de investimentos solicitadas pelos clientes. Agora, não há prazo para que centenas de pessoas tenham acesso aos milhões aplicados apenas em Caxias. Um morador da cidade, que mantinha dinheiro no fundo da InDeal há pouco mais de um ano, se diz preocupado:

— Eu sabia que a operação era de risco e apliquei pouco dinheiro, mas não posso reclamar, pois tive lucro e não conheço ninguém em Caxias que reclame. Até então, conseguia retirar os valores e obtive rendimentos que já superam o que investi, mas agora estou em dúvidas — conta o investidor, que pediu anonimato e prefere não divulgar o valor para não ser identificado.

O cliente da InDeal explica que preferiu não arriscar o patrimônio ou fazer empréstimos em bancos como outras pessoas fizeram.

— Tenho conhecidos que usaram R$ 200 mil, R$ 300 mil. Teve gente que vendeu apartamento para aplicar.

O investidor solicitou o resgate da aplicação por volta das 10h desta terça-feira, logo após a divulgação da operação que resultou na prisão de sócios da InDeal e na apreensão de bens da empresa. Até o final do dia, não havia recebido uma resposta.

— Não acreditava que isso era uma pirâmide financeira. Havia desconfiança entre nós (investidores), mas não tinha confirmação, de repente poderia ser outro esquema. As pessoas estão divididas. Tem gente que pretende ficar no fundo, pois acham que é algo passageiro. Eu sabia que não era tão sólido e um dia iria acabar, por isso não investi muito dinheiro como outras pessoas — conclui o morador de Caxias do Sul.

Conforme o delegado da Receita Federal Eduardo Godoy Correia em relato ao site GaúchaZH, só foram identificados investimentos da InDeal em criptomoedas a partir de fevereiro deste ano, quando o Ministério Público Federal (MPF) anunciou que a organização era investigada em esquema de pirâmide.

— Dos R$ 850 milhões aplicados na empresa, não chegou a 10% o total investido em criptomoedas.

Conforme Celso Tres, quando o fundo ainda estava se consolidando, a InDeal pagava os clientes com rendimentos, o que era um chamariz para atrair novas captações e manter os investidores atuais. No final do ano passado, segundo Tres, começaram a surgir reclamações de falta de pagamento 

Cerca de 60 imóveis foram localizados em nomes de sócios ou pessoas diretamente ligadas aos empresários. Entre os imóveis adquiridos está um apartamento de R$ 6,5 milhões em Florianópolis, em Santa Catarina; uma mansão estimada em R$ 3,5 milhões em Novo Hamburgo e outra casa de R$ 1,5 milhão em Estância Velha. Um colaborador teria comprado, segundo a PF, em Porto Alegre, um imóvel de R$ 1,5 milhão.



 
 
 

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