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Brasil sem Frestas18/05/2019 | 13h18Atualizada em 18/05/2019 | 13h18

"Chega de me incomodar, fecha com caixa de leite", idealizadora  conta como surgiu iniciativa de forrar casas com caixas de leite 

Mais de 20 municípios brasileiros, inclusive Caxias, implantaram projeto para proteger moradias das chuvas e do frio 

"Chega de me incomodar, fecha com caixa de leite", idealizadora  conta como surgiu iniciativa de forrar casas com caixas de leite  Facebook/Divulgação
Em Passo Fundo mais de 230 casas já foram forradas com caixas de leite Foto: Facebook / Divulgação

A ideia batizada de Brasil sem Frestas nasceu em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.  Preocupada com a população mais pobre da cidade Maria Luísa Camozzato, perdeu o sono em um noite de forte temporal, em 2009, e enquanto via pela janela o granizo e ouvia o estrondo dos raios e trovões, ela pensou nas pessoas que vivem em casas de madeira, desprotegidos da chuva. 

— Acordei numa madrugada em setembro, às 4h da manhã, com o barulho de uma tempestade horrível, com muitos raios e trovões. Fiquei pensando se eu no conforto e segurança do meu apartamento sentia medo como estariam as pessoas que eu via quando era pequena e ia nas vilas com a minha tia que fazia trabalho social. Essas pessoas que moram em casas feitas com restos de madeiras, como elas se protegem das tempestades, da água da chuva e do frio? Eu fiquei pensando por duas horas — afirma. 

O estalo, definido por ela como "um plano divino", surgiu em uma frase que veio de repente, como  se Deus olhasse para baixo e falasse com ela: 

— Chega de me incomodar, fecha com caixa de leite. 

Ex-professora de química industrial na Universidade de Passo Fundo (UPF), Maria explica que a embalagem cartonada dura cerca de 200 anos, e sabendo disso surgiu a ideia de usar as caixas como matéria-prima para forrar as paredes, evitar a entrada da chuva e ser um isolante térmico. As caixas são compostas por seis camadas:  

—  Tem uma camada de plástico, uma de papelão, outra camada de plástico, uma de alumínio e, por fim, mais duas folhas de plástico. Essas características tornam as caixas impermeáveis e fazem delas um ótimo isolante térmico para aquecer no inverno e refrescar no verão. 

Ela pesquisou sobre o tema na manhã daquele dia e reuniu as primeiras caixas do leite consumido em casa. Uma semana depois, começou os testes até encontrar os equipamentos certos. A fabricação começou um ano depois: 

— A primeira casa nós grampeamos caixinha por caixinha na parede, e depois grampeávamos as caixas umas as outras, até chegar ao processo de costurar e formar as chapas com o material para revestir as paredes.  Em Passo Fundo já forramos mais de 230 casas e levamos qualidade de vida a essas pessoas. 

Atualmente, há multiplicadores do Brasil sem Frestas em mais de 20 municípios no Brasil.

— A ideia é para ser jogada ao universo para ajudar a quem precisa. Não sabemos o que essas pessoas passam, eles não tem o que comer, como vão arrumar suas casas?  Esse projeto não é meu, ele é de Deus, e quanto mais pessoas puderem ajudar a mudar a vida do próximo mais sementes serão plantadas — emociona-se. 

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