Falta de professores nas escolas estaduais de Caxias assusta pais, alunos e diretores - Geral - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Rede Estadual14/03/2019 | 08h32Atualizada em 19/03/2019 | 09h50

Falta de professores nas escolas estaduais de Caxias assusta pais, alunos e diretores

Problema só deve ser resolvido no final de março 

Falta de professores nas escolas estaduais de Caxias assusta pais, alunos e diretores Antonio Valiente/Agencia RBS
Problema só deve ser resolvido no final de março Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

Foi uma boataria daquelas na manhã de quarta-feira (13) e vários estudantes ficaram em dúvida se haveria professor para atender a turma do 9º ano da Escola Estadual Ivanyr Euclinia Marchioro, no bairro Jardelino Ramos. Ansiosos e com as mochilas nas costas, Jean Carlo Valmorbida, 15 anos e Tauane Froner Valdivieso, 14, procuraram a diretora Daniela Lunardi Camargo Barazzetti para esclarecer se a informação era real.

– Da nossa turma, só nós dois estamos aqui. Os demais pensaram que não teria aula – relatou Jean.

A informação que circulava era incorreta, porque havia uma professora de ensino religioso à espera de alunos para o primeiro horário, mas rumores não são surpresa em uma escola que sofre os efeitos do esvaziamento de docentes. O quadro de penúria na rede estadual forçado por aposentadorias, exonerações, licenças e fim de contratos temporários atinge 39 escolas, ou dois terços de 51 estabelecimentos de Caxias do Sul consultados pela reportagem. São 1.515 de horas/aula perdidas a cada semana, o que afeta pelo menos 150 turmas e um total estimado de 3 mil estudantes. É o reinício de ano letivo mais tumultuado dos últimos tempos, conforme admite a própria 4ª Coordenadoria de Educação (4ª CRE) e afirmam as comunidades escolares.

A situação é provocada por vários fatores, entre eles, novas direções das escolas, troca de governo do Estado e encerramento do contrato de professores em dezembro. Todas as escolas de Caxias foram afetadas, algumas conseguiram resolver com o quadro disponível, mas há situações graves como a da Ivanyr Marchioro, onde o cronograma de aulas do 6º ao 9º ano não tem ninguém para ministrar aulas em 56 de 125 horários. Falta profissional de matemática, geografia, inglês e educação física. Sem alguém para coordenar as turmas, a alternativa tem sido levar a gurizada para brincar no pátio ou fazer atividades na biblioteca ou alguns trabalhos sem relação com a disciplina.

– Me sinto mal porque vamos ter que recuperar o conteúdo. Já tivemos que sair mais cedo por falta de professor – desabafa Jean.

Essa é a terceira semana de incertezas na Ivanyr e nas demais escolas de Caxias – o problema aflige outras 12 cidades de abrangência da 4ª CRE. Daniela sente a angústia de quem tem a missão de reerguer o moral da escola onde atua há 15 anos, mas para isso precisa que  o trabalho ande na sala de aula. 

– Não estou desmotivada, mas são quatro turmas desassistidas em diversos horários e há dúvidas de como será a recuperação – pondera a diretora.

Foto: Arte / Agência RBS

Improviso

A conta também não fecha fácil nos bastidores da 4ª CRE. Debruçados sobre planilhas, pressionada por telefonemas e visitas de diretores, a equipe tenta amenizar o período complicado. Os pedidos informando as vagas abertas em cada escola foram encaminhados no final de 2018, mas os números mudaram a cada semana. 

O drama começou com o encerramento de contrato de professores temporários: 64 haviam sido fechados até a semana passada, lista engrossada por profissionais nomeados na rede municipal ou que migraram para a iniciativa privada. 

Segundo a 4ª CRE, a Serra iniciou 2019 com um passivo de 160 professores – metade somente em Caxias. Desde então, os diretores comunicaram saídas motivadas por licenças de saúde ou de gestação, além das aposentadorias. A ausência de um único docente pode parecer pouco, mas é suficiente para afetar quatro a cinco turmas. Na Olga Maria Kayser, um professor, às vezes, fica responsável por atender duas turmas ao mesmo tempo. 

Expectativa 

A seleção para preencher as vagas na região encerrou no dia 7 de fevereiro, com 3,5 mil inscritos para toda a área da 4ª CRE. Contudo, a contratação depende de um longo processo e muitas comunidades não compreendem a burocracia. A classificação dos candidatos para contrato emergencial já foi publicada e homologação depende da fase de recursos. 

– O trâmite de 30 dias para contratação seria normal, se tudo fosse redondinho, mas não é bem assim. Por outro lado, estamos readequando o quadro das escolas. Em toda a 4ª CRE são 87 professores atuando em bibliotecas, em Caxias são 37. São profissionais que poderiam pegar anos iniciais e disciplinas se tiverem a formação na área.  Só que esse é um trabalho demorado, tem que analisar caso a caso – explica Janice.

– Não é tão simples repor um professor, temos que seguir critérios que estão no edital, porque a própria contratação pode ser anulada. Não vejo como falta de organização porque não tem como prever afastamentos e demissões  – complementa Janice.

Leia também:
>>  Setor da prefeitura de Caxias vai cobrar regularização de empresas sonegadoras de ISSQN
>>
 Chevette furtado é interceptado com cinco tripulantes em Canela 

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros