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Proliferação28/02/2019 | 08h00Atualizada em 28/02/2019 | 08h05

Número de criadouros de Aedes aegypti em Caxias neste ano já é quase o mesmo do total de 2018

Vigilância Ambiental reforça alerta de cuidados por parte da população

Número de criadouros de Aedes aegypti em Caxias neste ano já é quase o mesmo do total de 2018 Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Ano após ano, as orientações se repetem quando o assunto é o mosquito Aedes aegypti. Mas é justamente o descaso da população que torna o tema relevante e ressalta a necessidade do alerta. A prova está nos números: em ações realizadas ao longo de fevereiro, a Vigilância Ambiental localizou 14 focos de criadouros em Caxias do Sul. O levantamento representa 82% do registrado em todo o ano passado — 17 casos — e já é quase o mesmo do contabilizado em 2017 — 15 focos. 

Embora inícios de ano sejam mais propensos ao desenvolvimento da larva do mosquito, a situação preocupa, pois normalmente a localização de criadouros prossegue de forma ativa até o mês de maio.

— Esse verão está sendo bastante chuvoso. Estando quente e chuvoso, facilita acúmulo de água parada em diversos ambientes e ele (o mosquito) consegue se instalar, depositar os ovos e permanecer — diz o coordenador da Vigilância, Rogério Poletto.

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Dois primeiros focos deste ano do Aedes aegypti em Caxias foram encontrados no Esplanada

Por meio do Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa), a Vigilância inspecionou mais de 6,8 mil locais no período de uma semana neste ano. De 301 amostras com larvas de mosquito, cinco apresentaram resultado positivo para Aedes aegypti. Em 2018, no mesmo período, foram realizadas em torno de 6,7 mil visitas e apenas dois locais tiveram a presença do mosquito confirmados. O LIRAa tem o propósito de medir o nível de infestação do Aedes no município.

— Dos 301 locais, podemos dizer que foram analisadas quase três mil larvas, considerando que há pelo menos 10 larvas por ponto — explica Poletto.

Embora o coordenador da Vigilância Ambiental destaque o cuidado de boa parte da população, ainda assim, salienta que o descaso continua sendo um dos causadores da proliferação do mosquito transmissor dos vírus da dengue, zika e febre chikungunya.

— Tem uma população trabalhando ativamente nessa conscientização. Por outro lado, há pessoas que acham que não dá nada, "é só pneu jogado no pátio", "é só caixa d'água aberta", "isso só acontece com os outros". Por isso a pessoa acaba relaxando e posterga a eliminação da água parada — complementa.

Os 14 criadouros foram encontrados nos bairros Alvorada (3), Bela Vista (1), Desvio Rizzo (1), Esplanada (4), Mariani (1), Santa Lúcia Cohab (3) e Salgado Filho (1). No mesmo período, no ano passado, apenas dois casos foram registrados em Caxias, o mesmo que em 2017.

CRIADOUROS EM CAXIAS

2017
Janeiro e fevereiro: 2 criadouros localizados
Total do ano: 15 criadouros

2018
Janeiro e fevereiro: 2 criadouros localizados
Total do ano: 17

2019
Janeiro e fevereiro: 14 criadouros localizados

Conscientização não pode parar

A causa todos sabem: o acúmulo de água parada em recipientes. Os recipientes mais vulneráveis, a maioria das pessoas conhecem. Entretanto, segundo o coordenador da Vigilância Ambiental de Caxias, Rogério Poletto, é ao subestimar os detalhes que a população acaba tornando locais propensos a atrair o mosquito Aedes aegypti.

— A pessoa acaba achando que aquele detalhe não é importante e deixa para depois. Mas cada detalhe é importante — ressalta.

Um dos 14 criadouros identificados neste ano foi encontrado em uma empresa. A situação, de acordo com Poletto, alerta para a necessidade contínua por atenção em qualquer lugar.

—  Às vezes, fica uma peça lá largada, um canteiro que não tem acompanhamento, um pneu de caminhão, uma lona. Havendo algum lixo ou lugar que acumula água o mosquito vai lá. O cuidado tem de ser permanente, tem de ser em casa, no trabalho, na chácara que a pessoa frequenta no final de semana... — acrescenta Poletto.

"Um terreno baldio não gera lixo sozinho"

Outra situação que constantemente facilita a proliferação do Aedes aegypti é a existência de lixões a céu aberto. Materiais como caliças, por exemplo, estão vulneráveis a servir de criadouro para o mosquito.

— Os lixões, além de atraírem outros problemas como ratos, baratas e moscas, acabam tendo muito material seletivo como copos, garrafas, restos de materiais de construção que atraem o mosquito. Eu costumo dizer que um terreno baldio não gera lixo sozinho, por isso, além de denunciar, a população precisa se conscientizar a não despejar resíduos nesses espaços — comenta Rogério Poletto.

Para denunciar locais com suspeita de focos, a população pode entrar em contato diretamente com a Vigilância Ambiental, através do telefone (54) 3202.1438, ou pelo "Alô, Caxias", pelo número 156.

DICAS PARA EVITAR O MOSQUITO

:: Escovar semanalmente o recipiente de água de animais domésticos.
:: Recolher resíduos do pátio.
:: Colocar o lixo ensacado para ser recolhido pela Codeca.
:: Recolher pneus e armazená-los em locais secos e protegidos da chuva ou encaminhar ao Ecoponto da Codeca (custo de R$ 1,65 por pneu).
:: Tampar caixas d'água.
:: Colocar telas milimétricas em caixas d'água descobertas, reservatórios de captação de água da chuva e ralos.
:: Limpar calhas.
:: Semanalmente, lavar e escovar piscinas plásticas, trocando a água.
:: Eliminar pratinhos de plantas.

Fonte: Vigilância Ambiental

Troca solidária não tem alcance suficiente

Até 2016, a prefeitura de Caxias promovia projeto denominado Bota-Fora Contra a Dengue. As ações estimulavam o combate à proliferação do mosquito Aedes aegypti por meio do recolhimento de materiais que poderiam servir de criadouro. No entanto, com o início da atual gestão, o projeto foi encerrado. 

Como única opção de programa constante de controle por parte do poder público restou o Troca Solidária. No projeto, criado em 2009, a população pode trocar cada quatro quilos de resíduos por um quilo de alimento. Vinte e três bairros são atendidos pelas ações. Em 2018 foram coletados cerca de 735 mil quilos de resíduos.

Apesar de amenizar pontos vulneráveis ao desenvolvimento do mosquito, o projeto não tem o mesmo alcance do Bota-Fora Contra a Dengue.

— O Bota-Fora realmente era importante porque facilitava o recolhimento do material de construção. O Troca Solidária também tem relevância, mas é mais voltado à coleta do material seletivo — ressalta o coordenador da Vigilância Ambiental, Rogério Poletto

A ação é realizada semanalmente e ocorre todas as quintas-feiras. O cronograma completo com as 24 regiões abrangidas pode ser consultado no site da Codeca (www.codeca.com.br), no menu Troca Solidária / Escala da Troca Solidária.

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