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Brechas12/01/2019 | 07h00Atualizada em 12/01/2019 | 07h51

Ranking negativo: as 30 cidades com mais casos de violência contra a mulher na Serra

Maioria dos municípios não tem estrutura para reverter o ciclo

Ranking negativo: as 30 cidades com mais casos de violência contra a mulher na Serra Luan Zuchi / Arte Pioneiro/Arte Pioneiro
Foto: Luan Zuchi / Arte Pioneiro / Arte Pioneiro
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Não é só a espantosa quantidade de ocorrências que revela a escalada da violência contra a mulher na Serra — a cada 80 minutos, em média, um crime de gênero é registrado em delegacias ou postos da Brigada Militar. A manutenção do ciclo de assassinatos, estupros, agressões e ameaças também ocorre pela falta de serviços especializados e pelo baixo engajamento de ONGs e lideranças para enfrentar esse mal.

Levantamento da reportagem, com base em dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), mostra que 30 municípios de uma lista de 65 cidades da região registraram, juntos, 92% das comunicações de feminicídios e suas tentativas, lesões corporais, crimes sexuais e ameaças entre 2012 e 2018. No período, a Serra teve um total de 47,1 mil ocorrências. De lá para cá, Caxias do Sul foi a única cidade que conseguiu estabelecer uma  estrutura mais completa, e ainda não suficiente, para amparar as vítimas e lidar com os agressores. 

Apesar da repetição de casos e da visibilidade que o tema ganhou nos últimos 12 anos, com a implantação da Lei Maria da Penha, a maioria dos municípios continua sem políticas públicas, conselhos comunitários, recursos financeiros ou perspectivas para viabilizar uma rede local com capacidade de frear tanta violência. O trabalho de voluntários e a ação isolada de algumas comunidades joga luz sobre a chaga histórica, ainda assim é pouco para uma região que se orgulha dos padrões de qualidade de vida.

A baixa oferta de atendimento especializado não significa necessariamente vítimas sem acesso à rede de assistência social, jurídica e de saúde. A prestação de serviços ocorre, mas, salvo raras exceções, não há o olhar diferenciado que o tema exige. Apenas quatro das 30 cidades mais violentas possuem abrigos para proteger mulheres marcadas para morrer. Nas demais, se a prefeitura não compra a hospedagem num hotel ou pousada, é normal que as mães e seus filhos recorram a familiares para escapar do marido ou ex-companheiro. 

Municípios de poderio econômico como Farroupilha também enfrentam dificuldades para implantar serviços assim, segundo a promotora de Justiça Cláudia Balbinot. A cidade não tem abrigo ou delegacia especializada. Quando é necessário colocar uma mulher sob proteção, a opção é comprar uma vaga na Casa Viva Rachel, em Caxias do Sul.

— Delegacia, tentamos, fizemos pedidos à Secretaria Segurança e entenderam que não era necessário. Que só um cartório de atendimento seria suficiente. Embora eles tentem dar preferência para a mulher e fazer um atendimento diferenciado, isso é feito normalmente no plantão comum, podendo ser atendida por homens e no meio de outros crimes, como furto e roubo — relata a promotora.

Esse quadro generalizado força outro tipo de situação. Como não há plantões em delegacias ou garantia de atendimento exclusivo por policial mulher aos finais de semana e feriado na maioria dos municípios, as vítimas precisam viajar a outras cidades para prestar depoimento ou solicitar medidas protetivas.

São barreiras que desestimulam denúncias, favorecem agressores e deixam mulheres num limbo.

Longo caminho pela frente

O ranking coloca em evidência cidades que geralmente escapam do radar dos crimes de gênero por não terem registrado feminicídios, mas com ocorrências proporcionalmente maiores do que outras devido ao tamanho da população de mulheres, caso de Capão Bonito do Sul e Esmeralda. Embora Caxias do Sul tenha acumulado 16,2 mil comunicações de casos violentos para uma população de 221,9 mil mulheres (censo de 2010), nos últimos sete anos, é Lagoa Vermelha que lidera as cidades com mais crimes de gênero. O município tem 13,9 mil habitantes do sexo feminino, mas os três feminicídios e quatro tentativas, 20 estupros, 533 agressões e 1.473 ameaças elevam cidade para o topo negativo. A comunidade enfrenta dilemas como a inexistência de abrigos ou Centro de Referência para a Mulher. 

— Tivemos uma conversa com a primeira-dama sobre se pensar numa forma alternativa de abrigamento dessas mulheres, de repente uma hospedagem num hotel até a solução de crise, o que bem viável para a realidade de Lagoa Vermelha. Precisamos, sim, evoluir numa de rede básica de assistência melhor constituída para fornecer esse apoio à mulher vítima e também fazer esse tipo de assistência ao agressor — destaca Alessandra Matielo, titular da 15ª Delegacia de Polícia Regional do Interior. 

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Foto: Arte Pioneiro / Agência RBS

 As 30 cidades mais violentas da região

:: O ranking das 30 cidades com mais ocorrências de violência contra a mulher na Serra considera o total de registros dos últimos sete anos, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). As informações disponibilizadas pela SSP incluem feminicídios tentados e consumados, lesões corporais, estupros e ameaças.

:: Para elaborar qual a cidade que tem mais incidência de casos, a reportagem considerou a média anual de ocorrências registradas entre 2012 e 2018 e a população de mulheres de cada município. Para isso, foi calculado a taxa por 1 mil habitantes do sexo feminino, o que permite a comparação entre cidades com populações de tamanho diferentes. 

:: É por esse motivo que Caxias do Sul, com mais mulheres e mais comunicações de crimes de gênero tem, proporcionalmente, menos violência do que Lagoa Vermelha, a primeira do ranking na Serra, comunidade com menos ocorrências e menos mulheres em números absolutos. O tamanho das populações é baseado no censo do IBGE de 2010, o único disponível. 

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