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Resgate12/01/2019 | 17h42Atualizada em 14/01/2019 | 07h19

 "Para nós é um pesadelo", diz proprietária de casa invadida por usuários de droga e alvo de incêndio em Caxias

Residência é da família do ex-governador Germano Rigotto

 "Para nós é um pesadelo", diz proprietária de casa invadida por usuários de droga e alvo de incêndio em Caxias Raquel Fronza / Agência RBS/Agência RBS
Vizinhos reclamam do convívio tumultuado com os usuários de drogas há tempos Foto: Raquel Fronza / Agência RBS / Agência RBS

Um casarão da Avenida Júlio de Castilhos, no bairro Nossa Senhora de Lourdes, foi alvo de incêndio na manhã deste sábado. O prédio foi atingido pelas chamas por volta das 9h45min e havia pessoas dentro do imóvel, que está oficialmente sem moradores desde 2014. Um homem de 39 anos foi resgatado pelos bombeiros e não precisou receber socorro médico. A moradia é inventariada pela prefeitura por ser histórica, mas invadida por usuários de drogas diariamente. A principal suspeita é de que invasores tenham ateado fogo na casa e fugido. O estado de deterioração da casa é visível, e há restos de lixo e roupas por todos os lados. 

Segundo o sargento Júlio Cristiano Santos da Rosa, os invasores dividiram os cômodos e cerca de 15 pessoas revezam camas na moradia. Vizinhos reclamam do convívio tumultuado com os usuários de drogas há tempos. A moradia pertence à família Rigotto. Foi construída na década de 1950 pelos pais do ex-governador Germano Rigotto, onde o casal e os seis filhos cresceram. Dulce Tereza De Giorgio Rigotto, uma das proprietárias do imóvel, diz que a situação se tornou um pesadelo desde que moradores de rua começaram a fazer uso da casa em 2016. A situação tem se agravado ano após ano.   

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— Esta casa foi condenada pelos bombeiros, o que nos impediu de colocar disponível a qualquer locação. Nós teríamos que reconstruí-la internamente, então, só mantivemos com limpeza e zeladoria. Mas começaram as invasões, começou nosso pesadelo. Para nós, é um pesadelo. A polícia já me disse que não adianta nem erguer muros porque eles colocam cobertores e sobem mesmo assim. A única forma seria colocar alguém armado ali, o que nem preciso dizer que não faremos — comenta Dulce.   

Ainda que sem limpeza há bastante tempo, é possível notar a imponência da casa. No entanto, a situação tem atormentado vizinhos que precisam conviver com o tumulto e a insegurança que o consumo de drogas causa. A proprietária afirma, inclusive, que sequer consegue profissionais disponíveis para limpar ou fazer a segurança da casa por questões de segurança. Então, a família pediu autorização do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (COMPAHC) para demolir a moradia. O pedido foi negado, conforme a diretora da Divisão de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural (DIPPAHC), Heloíse Salvador.   

— Como o prédio está bastante demolido e depredado, não pôde ser feito o tombamento histórico dele. Mas ele está inventariado, o que significa que qualquer intervenção deve passar pelo órgão. Há um certo valor histórico ali e infelizmente é uma propriedade privada em que o dono parece não ter mais condições de intervir nesta situação — descreve Heloíse.   

A Brigada Militar (BM) confirma que já recebeu diversas reclamações de vizinhos.    

— Os principais responsáveis pelo prédio são os proprietários. Nossa atuação é bem limitada, e acaba se resumindo a ir lá e averiguar momentaneamente se há crimes cometidos. Não podemos expulsar ninguém, não temos o poder de fiscalizar as condições de higiene e interdição, o que talvez, neste caso, fosse necessário — afirma o tenente-coronel Jorge Emérson Ribas, comandante da BM em Caxias.  

Assistência social acompanha o caso 

Situações em que moradores de rua invadem residências – principalmente para consumo de drogas – não são inéditas em Caxias. De acordo com a presidente da Fundação de Assistência Social (FAS), Rosana Santini Menegotto, por meio do serviço de abordagem nas ruas, parte dos moradores que ocupa a residência da família Rigotto é acompanhada. No entanto, os agentes não podem adentrar na moradia para efetuar as abordagens por se tratar de uma propriedade particular. 

— O consultório de rua, que é vinculado à secretaria de Saúde, estava conversando com aqueles moradores e tentando estabelecer vínculos. O morador que foi socorrido no incêndio, por exemplo, estava em contato com um agente há três meses para facilitar a nossa entrada na casa, porque o agente também corre risco entrando lá. Na última vez em que ele tentou acesso, o profissional foi ameaçado pelo resto da casa — conta Rosana. 

Segundo a presidente, normalmente, os proprietários de casas que são alvo de invasão registram denúncia na Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU) que, judicialmente, intervém e ajuda com encaminhamento para assistência social e segurança para a remoção dos invasores. A proprietária da moradia não soube precisar se a família procurou a SMU. 

— São tantos caminhos que já percorremos, tantas tentativas, que não sei precisar.  O que queremos que todos saibam é que a situação toda pode passar uma impressão de falta de responsabilidade ou inconsequência nossa. Absolutamente, não é. É não ter para onde ir. É fazer alguma coisa e duas horas depois ter alguém aí de novo. É o furto de todas as peças de valor de dentro da casa — desabafa Dulce.

 
 
 

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