"Já foi bom morar no São Pelegrino", afirma moradora do bairro após novo tumulto na Estação Férrea - Geral - Pioneiro

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Repercussão28/01/2019 | 09h45Atualizada em 28/01/2019 | 09h45

 "Já foi bom morar no São Pelegrino", afirma moradora do bairro após novo tumulto na Estação Férrea

Moradores reiteram reclamações sobre suposta falta de ações de órgãos públicos para coibir desordem em principal ponto de encontro da cidade

 "Já foi bom morar no São Pelegrino", afirma moradora do bairro após novo tumulto na Estação Férrea Kamila Mendes/Divulgação
Jovem foi atendido pelo Samu na Rua Sinimbu por volta das 21h30min Foto: Kamila Mendes / Divulgação
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A origem da desordem registrada na região da Estação Férrea, no bairro São Pelegrino, em Caxias do Sul, ainda é incerta. Porém, vídeos e imagens que circulam nas redes sociais expuseram uma nova noite de tumulto, com atuação da Brigada Militar e correria de jovens que ocupavam as imediações do principal ponto de encontro e diversão noturna da cidade. Em alguns dos registros, moradores inclusive celebram a participação da tropa na dispersão do público.

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A manifestação positiva ao ato de repressão foi uma espécie de desabafo para quem há vários anos não consegue dormir de quinta a domingo em razão da recorrente baderna.

-  Já foi bom morar no São Pelegrino, uma região próxima de vários serviços. A maioria dos moradores tem acima de 50 anos, batalharam para ter um imóvel, e hoje se sentem obrigados a sair pela falta de segurança e pelo caos, principalmente aos finais de semana. Não foi a crise financeira que esvaziou prédios dos arredores da Estação Férrea - lamenta a jornalista Kamila Mendes, moradora do bairro há mais de 20 anos.

Segundo ela, além do barulho, moradores convivem com consumo constante de drogas nas imediações. Além disso, há registros frequentes de vidraças quebradas, prédios e lixeiras depredadas.

- Não se tem mais sossego. São jovens, muitos menores de idade, consumindo bebida alcoólica e perdendo a noção do que fazem. Tenho medo do que pode acontecer até mesmo nos eventos organizados - complementa.

Segundo relata, a correria do domingo teria iniciado após a chegada da Brigada Militar, que utilizou bombas de efeito dispersivo.

— Começou a se acumular bastante gente na Rua Coronel Flores, não era evento organizado, simplesmente começaram a ocupar a rua e bloquear o trânsito. Passaram a tarde toda ali... Aí começaram a se gritos que pareciam de uma briga e alguns jovens incentivando. A polícia chegou e já dispersou o tumulto. Muitos jovens saíram correndo até a Sinimbu em meio aos carros. Um jovem ferido foi atendido aqui nas proximidades - ressalta Kamila.

Um trabalhador de um estabelecimento das imediações, que preferiu não se identificar, diz ter presenciado o fato. Conforme ele, o evento teria iniciado por volta das 15h30min e o tumulto iniciado efetivamente por volta das 21h30min.

— (Esse tipo de evento) não tem nenhum responsável, é organizado via redes sociais. Eles fecham a rua por conta própria e começam a dançar com som alto. Quando excedem  no alcoolismo e nas drogas, começam a entrar em conflito entre eles. São jovens com menos de 20 anos - comenta.

Ele ressalta que, após a chegada da Brigada Militar, alguns jovens começaram a arremessar garrafas contra o efetivo, que intensificou a repressão com bombas de efeito dispersivo.

Moradores reiteram ineficência para conter ações

- Não existe segurança na Estação Férrea. Esse ponto virou um caos há muito tempo e só vejo promessas. Essa decadência total é fruto da irresponsabilidade do poder público e dos órgãos de segurança, que resolvem paliativamente um problema que é uma tragédia anunciada - protesta a moradora do bairro São Pelegrino, Kamila Mendes.

O discurso é reverberado por grande parte dos moradores da região. A falta de ações contínuas não é a única reclamação. De acordo com outra moradora, que prefere não se identificar, mesmo quando não há ocorrências em andamento, os órgãos de segurança dificilmente atendem as demandas.

— No 190 (Brigada Militar), sempre alegam falta de viatura pra enviar, mas aí mais tarde ouvimos uma sirene passar pela rua para tomar providências. No 118 (Fiscalização de Trânsito), dizem que não podem enfrentar a situação ali sem a Brigada ou a Guarda Municipal. Do que adianta seguir falando pro cidadão que é preciso operação conjunta? Só repetem que são feitas ações, que precisa operação conjunta, que não tem efetivo e está aí o resultado: mais uma batalha campal depois de outra madrugada onde já não tivemos sossego — desabafa a moradora.

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