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Acolhimento institucional03/12/2018 | 08h00Atualizada em 03/12/2018 | 10h36

Você também pode ser padrinho de uma criança ou adolescente de casas lares e abrigos em Caxias

Voluntários inscritos podem prestar serviços, passar tempo com as crianças ou ajudar financeiramente

Você também pode ser padrinho de uma criança ou adolescente de casas lares e abrigos em Caxias Porthus Junior/Agencia RBS
Gabriela de Araújo Solio participa contando histórias para os pequenos Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Que tal usar os conhecimentos que você tem sobre algo que gosta de fazer para tornar mais agradável a vida de crianças e adolescentes atendidos pelo sistema de acolhimento institucional de Caxias do Sul? Passados quatro meses da implantação dos programas de Famílias Acolhedoras e Apadrinhamento na cidade, um grupo de pessoas dá uma mostra de que ofertar um tempo para alguém faz bem tanto para quem recebe a atenção quanto para quem a dedica.

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Encontramos Gabriela de Araújo Solio, 41 anos, durante uma sessão de contação de história em uma das 15 casas lares da cidade na última quarta-feira. Sentada no chão da sala, ela lia e interpretava o livro A Casa Sonolenta. Dispostos à frente dela, em um semicírculo, sete crianças com idades de um a 11 anos não apenas ouviam, mas interagiam com a leitura. Ansiosos, os pequenos queriam se aproximar dos desenhos que ilustravam a narrativa. Curiosas, questionavam o que estava por vir na próxima página. E se engana quem acha que a interação acabou com o ponto final. Uma das meninas, que tem quatro anos e ainda não aprendeu a ler ou escrever, tomou o livro para si e passou a contar a história a sua maneira.

– É legal, bem bonita e a página também – resumiu a pequena.

Assim, a atividade em tom de brincadeira instiga a imaginação, desperta o interesse e incentiva a leitura e a interação entre as crianças. Para o coordenador da casa lar, Altair Vaiteroski de Lima, a contação também serve para identificar as potencialidades das crianças e as dificuldades que elas têm e que podem ser trabalhadas pela equipe.

– Por mais que tenhamos compromissos, usar um pouco do tempo para dedicar às crianças, principalmente nessa fase de formação de personalidade e de caráter delas, faz muito bem para a gente. E faz a diferença na vida delas, porque o hábito da leitura só se desenvolve se eles tiverem estímulo desde pequenos – diz a contadora de histórias.

Na mesma linha, Jean Felipe Kulmann de Jesus, coordenador do Projeto Lis (Leitura Infantil Solidária), está montando, junto com voluntários, bibliotecas para serem instaladas, inicialmente, nos três abrigos do município. Quem quiser doar livros pode entrar em contato com o grupo pelo Facebook (Café Solidário Caxias).

Esporte

Para contribuir na formação do caráter das crianças e adolescentes, Roberto dos Reis tem a seu favor a ideologia passada pelo esporte. Afinal, quem treina jiu jitsu desenvolve valores morais como amizade e solidariedade e aprende sobre competição honesta e justa, requisitos para um convívio civilizado e sem violência. 

Por isso, há cerca de três semanas ele abriu as portas do projeto que mantém há 15 anos e aderiu ao apadrinhamento de acolhidos em casas lares e abrigos. Uma turma é formada por sete crianças de seis a 12 anos e outra por nove adolescentes, que alternam o treinamento. Segundo Reis, há vagas para ampliar as turmas.

– Às vezes, as pessoas querem ajudar e não sabem como. Mas é tão fácil. É só fazer o que sabe de uma maneira voluntária – comenta o instrutor.

APADRINHAMENTO

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 29/11/2018. Gabriela de Araújo Solio, 41 anos, é voluntária em contação de histórias para crianças e adolescentes de casas lares e abrigos de Caxias do Sul. (Porthus Junior/Agência RBS)
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

- Destinado a crianças e adolescentes que estão em casas lares ou abrigos.

- Os voluntários são cadastrados e aprovados pela Associação Mão Amiga (que administra o programa) e pela Fundação de Assistência Social (FAS). Podem participar pessoas maiores de 25 anos, que não tenham antecedente criminal e não sejam dependentes químicos (bebidas alcoólicas ou drogas ilícitas), entre outros requisitos.

- O apadrinhamento é dividido em três modalidades: afetivo, provedor e prestador de serviço.

- Para ser padrinho afetivo é necessário ter certa disponibilidade de tempo para desenvolver atividades com o afilhado, como visitas ao abrigo ou casa lar, eventos na escola e passeios, entre outros, e ter condições de receber as crianças e adolescentes em seus lares esporadicamente.

- O padrinho provedor deve dar suporte material ou financeiro para campanhas de lazer, culturais, esportivas e/ou de educação previamente divulgadas pela entidade e beneficiarão as crianças e adolescentes acolhidos.

- O padrinho prestador de serviço contribui na prestação de serviços gratuitos, a partir de sua especificidade de trabalho, das necessidades institucionais e das crianças e adolescentes, como manutenções, aulas de reforço escolar e de esportes, consultas médicas e odontológicas, por exemplo.

- Quem quiser mais informações pode ligar para a Casas Frei Ambrósio no (54) 3538-4300, das 8h ao meio-dia e das 13h às 18h.

Afeto vem junto e é muito bem-vindo

O programa de Apadrinhamento já tem 38 inscritos. Uma parte (11) é formada por prestadores de serviços, aqueles que, como a Gabriela e o Roberto, desenvolvem atividades com as crianças e adolescentes nas áreas em que eles têm conhecimento. A equipe do programa visitou as 15 casas lares e os três abrigos do município para identificar as principais demandas.

– Percebemos que reforço escolar era algo que precisavam muito, atendimento psicológico e, mesmo, médico e odontológico – diz a coordenadora do programa, Carolina Scur Bisi. 

Outras 27 pessoas são padrinhos afetivos de crianças de cinco anos até jovens de 18 anos indicados pelas equipes do sistema de acolhimento institucional do município. As atividades são combinadas entre padrinho e afilhado. Pode ser desde um passeio até um parque ou um sorvete até passar o final de semana juntos.

– Envolve dedicação e relacionamento com a criança ou adolescente. É um vínculo que se constrói com a criança e mais um olhar sobre ela. O tempo é construído conforme a disponibilidade do padrinho ou da madrinha – explica Carolina.

E tem um terceiro tipo de padrinho, o provedor, que opta e tem possibilidade de ajudar financeiramente. Para alcançar esse público, a equipe do Apadrinhamento desenvolveu três campanhas com focos diferentes. Uma delas deve ser lançada em dezembro, com divulgação de uma conta bancária para contribuições.

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