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Primeiro mês de distribuição28/12/2018 | 08h06Atualizada em 28/12/2018 | 08h30

Veja como está a distribuição da medicação que previne o HIV em Caxias

PrEP é fornecida gratuitamente a pessoas das chamadas populações-chave 

Veja como está a distribuição da medicação que previne o HIV em Caxias Felipe Nyland/Agencia RBS
Voltado a homens que fazem sexo com homens, trabalhadores do sexo e parceiros sorodiferentes, remédio não dispensa o preservativo Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Durante seis meses no ano passado, o farmacêutico Giovani (nome fictício), que mora em Caxias do Sul,  importou a medicação que previne o contágio do vírus HIV. O alto custo — 100 dólares cada frasco — acabou fazendo com que ele abandonasse a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Com a oferta do medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde o início do mês em Caxias, ele voltou fazer uso dos comprimidos diariamente. 

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Assim que ficou sabendo da novidade, o jovem de 27 anos procurou o Centro Especializado de Saúde (CES). No dia 19, após avaliação, retirou a medicação. Ele deve retornar no próximo mês para uma nova avaliação e, posteriormente, a cada três meses para consulta. 

A oportunidade de tomar o remédio de forma gratuita dá um certo alívio para Giovani, que é homossexual e se encaixa em uma das populações-chave determinadas no protocolo do Ministério da Saúde. No entanto, a PrEP não substitui o preservativo: ela reforça a prevenção do HIV, mas não evita infecções sexualmente transmissíveis como a sífilis. 

— É um grande avanço para nossa qualidade de vida. Garante maior segurança nas relações — diz Giovani. 

Ele é um dos três pacientes que já passaram por consulta médica e receberam receita para a retirada da medicação. Conforme dados da Secretaria Municipal da Saúde, 18 usuários agendaram avaliação para uso da PrEP. Desses, sete já realizaram cadastro e iniciaram o monitoramento.

— Boa parte das pessoas que procuraram informação sobre a PrEP é parte da população-chave, como, por exemplo, casais sorodiferentes, quando um tem HIV e o outro não, homens que fazem sexo com homens e transexuais — conta Helen Dalla Santa Prux, psicóloga do Serviço Municipal de Infectologia (SMI). 

Quem chega ao SMI solicitando informações sobre o medicamento é encaminhado ao Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) para acolhimento e orientação. Se desejar a PrEP e estiver dentro dos grupos prioritários, é agendado um primeiro atendimento, no qual é feito o cadastro e iniciado o monitoramento clínico. Ao final desse atendimento, o usuário sai com exames iniciais realizados e uma consulta médica marcada. 

Conforme Helen, os agendamentos têm sido feitos dentro do mesmo mês, sem demanda reprimida. 

O que é
> A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) é o uso preventivo de medicamentos antes da exposição ao vírus do HIV, reduzindo a probabilidade de se infectar.
> A PrEP deve ser utilizada se você acha que tem alto risco para o HIV. O medicamento não é para todos, e não é uma profilaxia de emergência. Os públicos prioritários são os que concentram o maior número de casos de HIV no país: gays, homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas trans, trabalhadores /as do sexo e parcerias sorodiferentes (quando um está infectado pelo HIV e o outro não).

Serviço
> Preservativos masculinos e femininos estão disponíveis gratuitamente nas unidades básicas de saúde (UBSs) e no CTA.
> O teste para diagnóstico da infecção pelo HIV, sífilis e hepatites B e C pode ser realizado no CTA e também nas UBSs.
> Para fazer os exames, não há necessidade de encaminhamento: basta ir até o serviço, levando o Cartão SUS e o documento de identidade.
> O CTA fica na Rua Sinimbu, 223, junto ao Centro Especializado de Saúde (CES), e atende de segunda a quinta-feira, das 7h às 15h e na sexta-feira, das 7h às 14h.

Por que fazer o teste?
> A infecção pelo HIV é silenciosa nos primeiros anos: os sintomas podem demorar até 10 anos para aparecer após o contágio. Então, muitas pessoas possuem o vírus e não sabem.
> O teste é gratuito: mesmo que você não acredite que possa ter a doença, não custa fazer.
> O teste é sigiloso: somente o profissional da saúde saberá o resultado do seu exame.
> Houve um aumento de casos entre jovens: no Rio Grande do Sul a maioria dos casos de infecção pelo HIV encontra-se na faixa etária entre 25 e 29 anos (16,6%), sendo que a faixa etária entre 20 e 34 anos representa 47,2% dos casos de HIV notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), havendo predomínio das infecções no sexo masculino.
> Quanto mais cedo se dá o diagnóstico, mais cedo se inicia o tratamento. O início precoce do tratamento aumenta a expectativa de vida da pessoa, retarda o surgimento da Aids e diminui a transmissão do vírus.
> Quem deve fazer o teste: todos que tiveram relação sexual sem preservativo nos últimos cinco anos (mesmo que não apresentem sintomas), incluindo pessoas casadas ou em relacionamento estável e usuários de drogas (inclusive álcool).
> Não é motivo de vergonha: fazer o teste é um sinal de que você se preocupa com o seu corpo e com a sua saúde. Se o resultado for positivo, você tem a chance de começar o tratamento cedo e levar uma vida saudável.
> O HIV não tem cara: a maioria dos portadores é aparentemente saudável. Não é possível saber se uma pessoa possui o vírus através de sua aparência física.
Fonte: Laboratório de Pesquisa em HIV/AIDS da Universidade de Caxias do Sul

Saiba mais

Em Caxias do Sul, há 2.947 pessoas vivendo com HIV/Aids, segundo dados da Vigilância Epidemiológica. Neste ano, de janeiro a outubro, foram diagnosticados 185 novos casos no município, a maioria homens (64%). No mesmo período, ocorreram 19 óbitos por essa causa, sendo 14 de pacientes do sexo masculino e cinco mulheres.

Autoteste gratuito em Porto Alegre

O governo federal irá distribuir, a partir de janeiro, 400 mil unidades do autoteste de HIV. Será um projeto piloto nas cidades de Porto Alegre, São Paulo, Santos, Piracicaba, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, São Bernardo do Campo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Salvador, Belo Horizonte e Manaus. 

O autoteste de HIV já é vendido nas farmácias privadas do país, mas os resultados não podem ser utilizados para o diagnóstico definitivo. Em caso de resultado positivo, o Ministério da Saúde orienta que o usuário busque o serviço de saúde para testes complementares. 

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