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Raízes da violência01/12/2018 | 09h00Atualizada em 04/12/2018 | 14h41

Vasco Rech fotografou mais de 500 vítimas de assassinatos em Caxias do Sul

Profissional foi perito fotográfico da Polícia Civil durante mais de 20 anos

Vasco Rech fotografou mais de 500 vítimas de assassinatos em Caxias do Sul Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Perito fotográfico da polícia, fotógrafo de jornal e fotógrafo de estúdio. Vasco Rech, 82, foi todos esses profissionais e também testemunha de mais de 500 assassinatos em Caxias do Sul. Carrega na memória crimes memoráveis, casos tristes, contatos com bandidos temidos e uma conclusão: nunca houve como impedir o crescimento da violência em Caxias do Sul.

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Residindo há 60 anos na mesma casa com a esposa Iria, no bairro São Pelegrino, Vasco viu crianças se tornarem na vida adulta personagens principais da criminalidade, conheceu os dilemas da polícia e acompanhou enredos que envolveram casos rumorosos.

Pouco guardou das fotos que retrataram mais de 500 mortes, sendo boa parte assassinatos. Doou o farto material para o Arquivo Histórico Municipal. A quantidade de assassinatos que ele presenciou é uma estimativa por baixo, pois Vasco atuou durante décadas em praticamente todos os casos de mortes violentas em Caxias. Além de ser perito fotográfico da polícia entre os anos 1960 e 1990, publicava as fotos em diversos jornais. 

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Na longa trajetória profissional, Vasco se acostumou a sair de casamentos ou bailes para fotografar corpos estendidos a pedido da polícia. Era automático: bastava ouvir o som da sirene na frente de casa para ele acordar e já pegar as máquinas fotográficas e sair de casa ainda durante a madrugada. Também sentiu como a cidade tinha preconceito em relação às comunidades estigmatizadas, pois perto dali moravam famílias pobres do Euzébio Beltrão de Queiróz. 

— Pouca gente gostava de visitar a gente aqui em casa antigamente  — relembra a esposa Iria.

Vasco não esquece dos primeiros passos do tráfico de drogas na cidade. Foi numa tarde qualquer nos anos 1970, tempo em que os jornalistas acompanhavam a polícia em operações, que ele viu uma figura estranha.

— Tinha um paraguaio na frente da antiga rodoviária (na Rua Moreira César) com uma maleta do lado. Questionado pela polícia, ele acabou fugindo. No caminho, a maleta caiu e havia mil ampolas de pervitin (composto de metanfetamina). Nunca mais vimos o paraguaio. Agora, para onde iriam essas mil ampolas?.

Com tanta experiência, o fotojornalista não acredita numa redenção para a cidade.

— Vejo que não tem como impedir esse crescimento da insegurança, das mortes. A polícia tinha pouca gente e sempre teve para enfrentar tudo isso. Lá nos anos 1960, havia pouca gente para a olhar pelas crianças que foram crescendo e se envolvendo em roubos e isso nunca mudou — opina Vasco.

 
 
 

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