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Granizo de outubro11/12/2018 | 12h02Atualizada em 11/12/2018 | 12h05

Mesmo com homologação de decretos de emergência, municípios da Serra não recebem recursos

Campestre da Serra, São Marcos e Flores da Cunha tiveram situação reconhecida pela União

Mesmo com homologação de decretos de emergência, municípios da Serra não recebem recursos Adriano Duarte/Agencia RBS
Prefeito de Flores da Cunha, Lídio Scortegagna, após o granizo no fim de outubro Foto: Adriano Duarte / Agencia RBS

O Governo Federal reconheceu a situação de emergência de, pelo menos, três municípios da Serra atingidos pelo temporal de granizo do fim de outubro. Campestre da Serra, São Marcos e Flores da Cunha tiveram o reconhecimento dos decretos de emergência feitos pelas prefeituras entre o fim de novembro e o início de dezembro. Mesmo com a homologação, as prefeituras ainda não receberam recursos para repor valores que tiveram de ser gastos pelos municípios com consertos de telhas e estradas de chão.

O prefeito de São Marcos, Evandro Kuwer (MDB), explica, no entanto, que o principal objetivo de obter o reconhecimento da União é permitir a agricultores que tiveram prejuízo possam renegociar dívidas junto a instituições bancárias. 

— Nesse primeiro momento, o que vai ser possível é a renegociação de financiamentos para a agricultura. Considerando municípios que, em outras vezes, tiveram prejuízos bem grandes, como São Francisco de Paula, que enfrentou um tornado, se chegar algum recurso, pode demorar — acrescenta Kuwer, que diz que ainda tem esperança que algum aporte possa vir de Brasília para cobrir gastos que a prefeitura teve na reconstituição de estradas de chão danificadas na zona rural.

Algumas estradas, segundo ele, ainda estão sendo cascalhadas devido à grande quantidade de consertos necessários após o granizo.

Em São Marcos, a prefeitura também gastou entre R$ 20 mil e R$ 30 mil em telhas para moradores atingidos, além de investir no conserto do forro de uma escola de educação infantil. Assim como em outros municípios, a grande parte do prejuízo foi na zona rural, com um total estimado em R$ 20,4 milhões.

O prefeito de Flores da Cunha, Lídio Scortegagna (MDB), também afirma que o objetivo maior do decreto é a possibilidade de agricultores atingidos refinanciarem dívidas. 

— Não tivemos danos grandes em prédios públicos, pontes, ou algo para o que pudéssemos pedir recursos para recuperar — explica. 

 Flores da Cunha teve três escolas danificadas mas, conforme o prefeito, os prédios tinham seguro e os prejuízos foram cobertos.  Na zona rural do município, as perdas foram calculadas em aproximadamente R$ 70 milhões.

Em Campestre da Serra, o secretário de Administração e Planejamento, Tésio Fernandes de Almeida, ainda espera recursos federais que compensem gastos do município.

— A própria prefeitura distribuiu lonas e telhas para os moradores, já que poderia demorar até a Defesa Civil do Estado fornecer — afirma, relatando que a prefeitura gastou entre R$ 10 mil e R$ 12 mil em telhas. 

Na maior parte dos casos, no entanto, os próprios moradores consertaram as casas, sem pedir auxílio do município.

Em outros casos na Serra, municípios como Nova Pádua e Monte Belo do Sul chegaram a decretar situação de emergência, mas sem mesmo esperar homologação, já que os danos se restringiram a propriedades privadas de agricultores e não ocorreram em prédios públicos. Mesmo assim, o decreto foi feito nessas cidades para os agricultores poderem renegociar dívidas. Conforme o major Lúcio Henrique de Castilhos Alencastro, coordenador da Defesa Civil estadual na Serra, nem todos os bancos exigem homologação estadual ou federal para renegociarem dívidas com agricultores.

O granizo do fim de outubro atingiu pelo menos 14 municípios da Serra. O prejuízo total nas lavouras foi calculado pela Emater em R$ 345 milhões.

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