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Serra Gaúcha14/11/2018 | 15h48Atualizada em 14/11/2018 | 15h48

Obras provocam transtornos no centro de Canela e comerciantes reclamam de prejuízos 

Transposição de arroio bloqueia trecho de avenida que leva à Catedral de Pedra

Obras provocam transtornos no centro de Canela e comerciantes reclamam de prejuízos  Rita Souza/Divulgação
Trabalhos começaram em setembro e estão atrasados Foto: Rita Souza / Divulgação

 O bloqueio total da avenida Osvaldo Aranha, em Canela, causa transtornos no trânsito do centro da cidade e provoca prejuízos no comércio. A via é o caminho principal para a Catedral de Pedra, principal ponto turístico da cidade. 

Um trecho da avenida foi fechado para obras de transposição de um arroio subterrâneo, em função de uma exigência do Ministério Público, devido ao risco de desabamento de um edifício próximo à esquina com a rua Paul Harris. Os trabalhos começaram em setembro e estão atrasados.

Problema de oito anos

Conforme o secretário de Obras de Canela, Luís Cláudio da Silva, o problema foi originado em 2010. A empresa que administra o prédio, de três andares, identificou na época rachaduras na garagem do edifício. Segundo o secretário, a empresa solicitava que o canal subterrâneo que passava embaixo da edificação fosse deslocado. O caso foi levado ao conhecimento do Ministério Público.

O oficial do Ministério Público Marcelo Soares Almeida explica que, naquele mesmo ano, um laudo de um engenheiro da prefeitura atestou que havia risco de colapso da estrutura do prédio de três andares e também do posto de combustíveis ao lado, na esquina da avenida Osvaldo Aranha com a rua Paul Harris. No entanto, nenhuma providência foi tomada naquele momento. 

— A prefeitura de Canela já tinha conhecimento da situação. O MP cometeu um equívoco de não dar a devida atenção na época, mas que foi corrigido a tempo, antes de uma possível tragédia — avalia Almeida, que atua no órgão no município desde 2014.

O MP instaurou um inquérito civil em 2012. O engenheiro da prefeitura que fez o primeiro laudo foi ouvido no MP em 2013, e confirmou a avaliação que havia feito anos antes. Conforme Almeida, a partir de então o município desenvolveu um projeto de transposição do arroio Santa Terezinha, mas o valor foi orçado em R$ 11 milhões, considerado alto para a obra. Em meio a discussões sobre o custo e a necessidade de recursos federais, que nunca foram obtidos, os trabalhos não começaram. 

No fim de 2017, o município foi chamado pelo Ministério Público sobre a situação e ficou decidido que um perito seria contratado emergencialmente pela prefeitura para vistoriar novamente o prédio. Um engenheiro de fora da cidade foi trazido e constatou que ainda havia risco iminente de queda do edifício. Por isso, o Ministério Público exigiu que as obras de transposição do canal fossem feitas de forma imediata. 

Em novo projeto feito pela prefeitura, o valor da obra diminuiu consideravelmente, segundo Almeida. O investimento total na obra que está sendo executada agora é de R$ 633.800,68, conforme a prefeitura. A rede que está sendo colocada para desviar o curso do canal soma 119 metros. Um Termo de Ajustamento de Conduta foi assinado em junho deste ano entre o MP e o município, que se comprometeu a iniciar os trabalhos.

Atraso nas obras

Conforme o secretário de Obras, a licitação foi aberta ainda no primeiro semestre. No entanto, segundo Luís Cláudio da Silva, após recursos colocados por empresas concorrentes, além da necessidade de a empresa vencedora reunir o material necessário para as obras, fez com que o início dos trabalhos demorasse. Inicialmente projetada para começar em agosto, a obra só começou  em 05 de setembro, com previsão de encerrar em 05 de dezembro.

Além desse atraso, conforme o secretário, o Ministério Público do Trabalho, em outubro, com as obras já em andamento, recebeu uma denúncia e notificou a empresa responsável a tomar medidas de segurança no canteiro de obras, com a colocação de tapumes de madeira, além de providenciar exames médicos dos trabalhadores. Com isso, houve uma parada de 20 dias, até que a obra fosse retomada. Agora, a perspectiva é que os trabalhos adentrem o mês de dezembro, e que possam ser encerrados antes do Natal.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Canela, Alexandre Dapper, lamenta a situação. Ele afirma que as obras não deveriam estar acontecendo neste momento, em que a cidade reúne mais turistas. Com o bloqueio total da via, ele afirma que de 60 a 70 estabelecimentos comerciais, incluindo restaurantes, são impactados.

— Acredito que o prejuízo possa chegar a 50%, mas ainda não fizemos o cálculo das perdas para ter uma certeza sobre o tamanho do impacto — explica. 

Liberação parcial a partir desta quarta

O secretário de Obras explica que, a partir da tarde desta quarta (14), fica liberada uma via de tráfego na avenida Osvaldo Aranha para quem chega de Gramado. Essa liberação ocorrerá ao longo do feriadão da República, das 9h às 21h. Fora desses horários, o fluxo vai ser fechado por conta do risco de acidentes à noite. A perspectiva é de que, na próxima semana, possa haver liberação parcial em cada sentido da Avenida Osvaldo Aranha. 

Decoração de Natal

Dapper afirma que solicitou ao município que começasse a colocar artigos da decoração de Natal justamente pela Osvaldo Aranha, já que o comércio local passa por uma situação complicada em função das obras. Ao contrário de Gramado, onde o Natal Luz já começou, a decoração em Canela ainda não foi instalada. Na cidade, o Sonho de Natal começa em 24 de novembro, quando está marcada a primeira descida do Papai Noel de rapel da Catedral de Pedra. 

Nos últimos anos, o Sonho de Natal de Canela tem começado no fim de novembro, aproximadamente um mês após o Natal Luz, de Gramado. No ano passado, quando o Sonho de Natal completou 30 anos, a programação foi antecipada, começando ainda em 4 de novembro.

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