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Rede estadual22/11/2018 | 07h30Atualizada em 22/11/2018 | 07h30

"O governo manda dinheiro e as escolas não sabem usar", diz coordenadora da educação

Titular da 4ª CRE, Janice Moares, diz que quadro poderia ser diferente

"O governo manda dinheiro e as escolas não sabem usar", diz coordenadora da educação Porthus Junior/Agencia RBS
Educadora atua na coordenadoria regional desde 2015 Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Janice Moraes já foi filiada ao PDT e atuou como adjunta do então titular da 4ª CRE, Paulo Périco. Quando Périco deixou a coordenadoria para concorrer a vereador de Caxias do Sul em abril de 2016, a professora assumiu a responsabilidade de coordenar 122 escolas em 14 cidades. Poucos meses depois, o PDT desembarcou do governo de José Ivo Sartori e exigiu que os filiados fizessem o mesmo. 

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Janice não arredou, saiu do partido e se manteve à frente da 4ª CRE. No período como coordenadora da educação em Caxias do Sul e região, ela viu o fechamento de duas escolas por falta de alunos, enfrentou greve e parcelamento de salários, celebrou conquistas e o andamento de obras, mas também se frustrou com a apatia na rede estadual. Mas considera que tudo faz parte do aprendizado.

Aos 57 anos — 36 anos dedicados ao magistério — Janice se diz ansiosa para repassar as informações da gestão para o próximo titular da coordenadoria. Só então terá tranquilidade para curtir a aposentadoria quando entregar o cargo no final do ano.

Pioneiro: que balanço você tem da sua gestão?

Janice Moraes: Sou de Santiago, cidade onde tu é rico ou funcionário público. Sou apaixonada por Caxias do Sul, acho uma cidade fantástica, mas claro que existem coisas que poderiam ser melhores, mas tem muito mais coisas boas do que ruins. E uma das coisas boas foram as oportunidades que surgiram, para mim e para meu filho, que foi nomeado diretor de uma empresa. Ele vindo da escola pública, filho da escola pública. Por isso, defendo a escola pública. Meu perfil é fazer e aí começaram meus tropeços. Assim como tive muitas alegrias, tive muitas decepções. A nossa coordenadoria tem 14 municípios, fui em todas as escolas. Antes disso, meu universo era o Emílio Meyer (escola onde atuou), era só aquilo ali. Quando cheguei na 4ª CRE, vi que teria de pegar uma prestação de contas daquelas ali (apontando para uma mesa cheia de papel) e assinar. E antes de assinar, analisar. E depois que eu colocasse meu nome, qualquer coisa errada seria de minha responsabilidade. Vi que eu tinha de conhecer esse universo, não podia ser só no papel, não podia imaginar a escola de Pedra Lisa (no distrito de Cazuza Ferreira) só na minha imaginação. Agora, fizeram uma reforma e quero ir lá ver como ficou, como minha última visita na gestão. Eu conhecendo é diferente de quando um diretor vem trazer a demanda. Se eu consigo visualizar o que ele está me dizendo, a gente se empenha muito mais. Tenho uma equipe dos bastidores, um pedagógico muito forte e cada coisa que acontece nas escolas o pedagógico segura, vai para dentro das escolas e orienta, e se mantém no anonimato. Essa é a função da coordenadoria, ser apoio, a gente cobra, a gente chama eles com frequência, mostra o que pode e não pode. Infelizmente, nem todos têm o mesmo entendimento, acham que são donos das escolas. O que me decepcionou: o governo manda dinheiro para as escolas e as escolas não sabem usar. Falta gestão.

Por que falta gestão?

Não sei o que é. Toda vez que eu, enquanto gestora de escola, não sabia de alguma coisa, ia atrás, não esperava ser chamada na coordenadoria para receber alguma informação, até porque há não uma comunicação tão clara entre o MEC (Ministério da Educação) e a Seduc (Secretaria Estadual da Educação). Então, tu tem que procurar, estudar, buscar. Tudo sendo um gestor, não é querer ficar cercado de pessoas que saibam menos para tu ser o importante. Não é assim que funciona. Considero que pessoas assim estão ali simplesmente para satisfazer o ego. Pegam e colocam nas suas equipes pessoas que não vão ir adiante. E isso encontrei em várias das 122 escolas (duas já fecharam) que visitei. Há pessoas totalmente despreparadas para a função. 

Mas não é o Estado que deve ensinar?

É, aí está uma falha e não consegui ver a alternativa correta. Esse ano vai ser obrigatório um curso antes de os diretores assumirem. É em EAD? Sim, é em EAD. O curso em EAD é maravilhoso porque tu está livre para fazer quando está descansado. Mas as pessoas entendem diferente e acham que se é EAD não tem valor nenhum. Vão passando rápido e aí se enganam. É lógico que os diretores deveriam estar preparados, mas a lei que rege a eleição de diretores é muita aberta. Na verdade, se tu é formado, efetivo e tem licenciatura plena, pode concorrer a diretor. Acho que não é assim. O servidor tem de entender de autonomia financeira, saber o que é isso, entender de licitação, entender de uma obra, de quem tu deve procurar, tem de ir nas reuniões, tem de fazer reuniões com o Conselho Escolar. Tem de fazer eleições dos CPMs (Círculos de Pais e Mestres) e não chamar os pais apenas para assinar os cheques. E poucas escolas fazem assembleias de pais. 

Quantas das 120 escolas fazem assembleias?

Uns 30%. Sabe como comecei a descobrir isso? Porque um pai chegou no seu limite, se desentendeu por uma bobagem na escola e veio aqui reclamar. Daí eu pego um papel e mostro: mas está aqui a sua assinatura. E o pai responde: mas eu só assinei, não participei. Mas por que o senhor assinou sem ler, por que o senhor não participou? Isso é muito grave. Cobro bastante dos diretores sobre as reuniões. E aí entra a devolução de dinheiro. Voltando lá no início, quando eu disse que o governo manda dinheiro. O governo federal manda muito dinheiro, existe um sistema onde as escolas têm que se cadastrar, que é o Simec, que precisa que ser alimentado todo ano, é um censo, todo ano muda, porque a escola muda. O que acontece? Muitas escolas não alimentam o sistema e daí não podem aderir aos programas. Daí tem programa de acessibilidade, de esporte e assim por diante. O governo tem sim dinheiro para mandar, para nos pagar é diferente, é outro papo. Mas para as escolas, o que vem de material... há escolas que recusam material por não saberem o que fazer. Ou não aderem a um programa por insegurança de fazer um projeto. Não é simplesmente aderir e deu. Tem que estudar, ver o que a escola precisa, a comunidade, fazer um diagnóstico, o que posso fazer para tornar atrativa a minha escola. Esse é o objetivo desses programas já que estamos diante de uma evasão e repetência muito grande. Qual é o meu foco hoje para a melhoria da qualidade do ensino? Para mim, o maior desafio é isso: terminar com a evasão e a repetência e fazer com que os profissionais da educação entendam o que é gestão democrática e consigam fazer uma boa gestão. Digo de novo: nós temos um pedagógico forte que segurou muita coisa.

Não temos tantos nomeados para ocupar cargos diretivos.

O último dado que repassei foi 70 inscrições (de interessados a concorrer a diretor em 120 escolas), agora vamos ver se todos estão aptos e já sei que nem todas estão, porque falta o estudo, a licenciatura plena que é obrigatória, enfim, detalhes claros na lei e que não foram seguidos. A comissão regional não homologa, traz pra cá e aqui é discutido. Daí cabe a nós escolher o diretor e sabe como é feita a escolha? Da forma errada também. Tu vai na escola, pega o quadro de RH e lá dos efetivos tu vai quais são os mais qualificados, que possuem mais títulos. Daí, numa reunião com todos eles, devidamente registrada, tu vai perguntando: Maria tu é a mais habilitada, tu aceita ser diretora da escola? Não, não aceita. Então vamos para o próximo da lista e assim vai até que o próximo aceite. Chegou no final da lista e ninguém aceitou, daí tenho de indicar alguém. De outra escola, da onde for, desde que tenha aqueles requisitos todos. O que acontece quando a gente indica? Vai uma pessoa que não conhece a comunidade, há resistência dos outros professores que não aceitaram ser diretor, mas daí eles também começam a boicotar o trabalho de quem entrou. A indicação pode gerar um monte de problemas . 

Diante desse cenário de direções despreparadas, professores e alunos insatisfeitos, que nota você daria para a rede hoje?

Das decepções que falei, é algo muito pessoal. Me decepcionei porque eu tinha uma outra imagem, porque eu tinha uma imagem do Emílio Meyer, que é uma baita de uma escola. Imaginava que todas fossem assim, é uma frustração pessoal. Agora temos escolas de excelência na Serra, professores maravilhosos, temos professores fantásticos que é lamentável que sejam contratados apenas, mas temos esses casos que decepcionaram. Dou uma nota 8,5 para a Serra, quase 9. Por quê? Porque se tu fores em todas as escolas vai pegar casos pontuais de escolas caindo, mal cuidadas, vai encontrar bastante casos de escolas que não aderiram a programas, com índice de reprovação alta, esse tipo de coisa. Mas a chance de as escolas chegarem a 100% de qualidade é total, porque muito é oferecido e até devolvem dinheiro. Tu já viu isso de devolver dinheiro?

Devolvem dinheiro?

Todos os anos, inicio a reunião com os diretores e digo o quanto foi devolvido, sem citar os nomes das escolas. Neste ano, R$ 138 mil foram devolvidos de recursos de merenda por vários fatores. Como é a merenda: tem que ser feita licitação e a licitação é difícil. Nem todos os mercados querem participar, mas há essa devolução. Se tu pegar de cada uma das 30 coordenadorias no Estado uma média R$ 100 mil de devolução todo ano, quanto isso dará? Como eles (governo) vão aumentar o valor de aluno por merenda se recebem tudo isso de volta? Entende como é complicado, complexo? O valor por aluno é R$ 0,60, é absurdo de se pensar. Há uma escola com R$ 400 mil em caixa. Ali tem verba estadual, verba federal. Podiam ter refeitórios, mas nem banheiros com acessibilidade foi feito. Mas se tu pensar que devolvem dinheiro... Daí tu conversa com um diretor como o Márcio (Gallas Boelter, diretor da Escola Neusa Mari Pacheco em Canela), do Canelinha. O Márcio faz milagres, o Márcio recebe esse dinheirinho e triplica, ele vai atrás, ele tem essa proposta. Lá, reverteu o cenário da escola, e hoje há uma disputa das famílias para entrar. Daí se vê que a educação pública é boa. Os professores têm toda a razão para o descontentamento com essa questão do salário. Eu seria muito hipócrita se dissesse que não estou descontente. Mas aceitei e não vou reclamar. Não aceito que um contratado participe do movimento de greve, porque ele é um contratado para atender a necessidade de alguma coisa. Ele sabia que o salário era aquele, por que entrou e aderiu a greve? Então, não aceito. É um direito, é legal e tudo, mas nunca recebi um pedido de que os professores estão em greve porque a coordenadoria não ajudou tal escola com um incentivo na metodologia de avaliação interna para entender porque tem muito aluno com nota baixa. Não vou aceitar que seja só pelo dinheiro que os professores venham reclamar, porque não é só o dinheiro. 

Quando o Périco assumiu a 4ª CRE, ele mostrou uma lista de obras pendentes do governo anterior. O que você vai deixar de legado para o próximo gestor?

A gente fez muitas obras. 

Tem como listar?

De 2015 a 2018, teve um total investido na 4ª CRE de 16 milhões. Todas essas escolas foram contempladas com recursos. Foi um investimento alto em escolas com obras pequenas e grandes. A Dante Marcucci (em Caxias do Sul) era uma escola que estava totalmente desacreditada. Tu entra ali hoje e é um amor. Ali foi investido mais de R$ 1 milhão. Conseguiu agora até abrir turmas para atender o município. Na Dante, essa obra foi grandiosa. Na Érico Verissimo, eles receberam R$ 14 mil e para eles essa obra também foi grandiosa. Foram atendidas várias escolas, mas não foram atendidas todas. Nos orgulha muito o trabalho pedagógico nas escolas. A coordenadoria e assessores foram para dentro da escola, sem horário, sem dia da semana, para orientar, quando foi necessário. A coordenadoria ofereceu muita formação na parte financeira para os diretores que não sabiam. O setor pedagógico realizou formações continuadas, com foco em atividades que aprimoram o fazer pedagógico em sala de aula, buscando sempre o protagonismo do estudante, sua autonomia, desafiando-o a elaborar respostas para as perguntas cotidianas, com base no conhecimento científico, sem deixar de lado as experiências culturais que ele traz consigo, reafirmando a sua identidade como cidadão do mundo. Orgulha muito o atendimento na Central de Matrículas, a gente procurou humanizar. As pessoas querem ser ouvidas, vão sair daqui muitas vezes sem a resposta daquilo que vieram buscar, mas elas puderam falar. Isso nos orgulha bastante, que é uma maneira de cuidar. E o legado que a gente vai deixar, é isso. A nossa Serra é bem diferente em cada uma dessas 14 cidades, é uma tarefa bem complicada ter esse entendimento. Lamento muito pela região de São Francisco de Paula, que é onde estão as escolas que mais precisam.

Por que são as escolas que mais precisam?

Aí entra o que considero ser um fator cultural, um tipo de gestão, um índice de aproveitamento inclusive que é um dos mais baixos que temos. Na rede, temos a Orestes Manfro em São Marcos, que é uma das melhores do Rio Grande do Sul, e nós temos os índices baixíssimos das escolas de São Francisco. É o gestor que não preocupa muito com a manutenção do prédio e tem dinheiro na conta. Não fazem a reunião que te falei.

O que fazer em São Francisco?

Tivemos até um encontro com o ministro da Educação lá em São Francisco de Paula para traçar algumas ações conjuntas, já estamos fazendo e espero que isso continue. Estamos fazendo reuniões, por exemplo, para nenhuma escola competir com a outra. Onde eu ofereço um número de séries, a outra vai oferecer outras. Se tu estuda lá no José de Alencar e eu estudo no Antônio Francisco da Costa Lisboa, não sou teu inimigo, concorrente.  

O que fica pendente para 2019?

Ficarão algumas obras em andamento, em fase de acabamento garantido. O Cristóvão de Mendoza já foi para a licitação. Lamento não estar aqui para ver o início dessa obra. Porque batalhei muito para que isso acontecesse, inclusive assinei um documento junto ao Ministério Público na ocasião das ocupações, que aliás foram um grande equívoco porque nenhum dos alunos continuou estudando aqui no Cristóvão, poucos terminaram o ano letivo. Quer dizer: qual era a bandeira mesmo? Foram embora, pararam. Mas vai sair a obra, ainda quero vir e aplaudir o diretor que estiver ali. Vamos deixar a coordenadoria muito bem organizada, temos todo o estudo feito da Base Nacional Curricular Comum, estamos fazendo todo o estudo da implantação do Ensino Médio em escolas-piloto. Nosso RH e financeiro estão à disposição dos diretores. Participamos da formação do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), fomos até Novo Hamburgo, foi importantíssimo, até porque a falta de fazer os projetos é por não entender o que deve ser feito. 

Temos muitos professores temporários. Quantos deixarão o cargo?

Isso é muito relativo, a gente sempre pede agora às escolas, antes do final do ano, uma previsão de  licenças, afastamentos, dispensas, aposentadoria. E esses contratos que tem tempo determinado é porque estão substituindo alguma coisa. Tem licença-gestante, é contrato um professor para aquele período. Não são tantos que tem um tempo determinado para acabar.  A maioria dos contratados é por tempo indeterminado. 

Quais os maiores gargalos?

Professores de inglês, espanhol, ciências exatas, matemática e, por incrível que pareça, está faltando professor de português em algumas regiões. Tivemos dificuldades em Farroupilha. Antônio Prado nós não temos professores, tem muito pouco professor de Antônio Prado, então os que vão dar aula já não querem ir mais porque já não tem vantagem nenhuma. O servidor é da 4ª CRE, mora em Caxias, tem uma vaga lá, aceita a vaga. Tá, aceitou. Ele vai. Mas esse transporte é ele quem paga, tem gente que vai todo dia. Não tem ajuda de custo. Tem um grande número de professores de Caxias dando aula em Antônio Prado. Em algumas disciplinas, vai ficar complicado em 2019. 

Qual a tarefa do próximo governo?

Precisam ser revistas muitas coisas, com certeza o próximo governador vai rever essas coisas. Mas não acredito que vá interromper que foi estudado até agora e começar tudo de novo. Imagino que vão dar andamento, não só no magistério. 

E a repetência e a evasão escolar?

Está diminuindo o número de alunos em sala, se equipara a outros anos. Em Caxias, tem uma movimentação muito grande na Central de Matrículas, são famílias em busca de trabalho que acabam voltando para seus locais de origem. Isso faz com que mude o número de alunos. Um exemplo de tempos atrás: quando cheguei no Emílio Meyer, tinha 2,1 mil alunos, hoje tem 1.070. Na época, não havia tantas escolas de Ensino Médio em bairros. Essa reforma que vai ser feita no Cristóvão, será uma reforma de R$ 28 milhões. O Cristóvão tem capacidade para 3,5 mil alunos. Quantas escolas tenho que trazer para dentro do Cristóvão? E da onde vou tirar esse alunos? Mas vai acontecer essa reforma. Tem muita coisa para pensar. Pode-se fazer um núcleo educacional grande, já que o município está precisando de escola de Educação Infantil, por que não fazer um termo de cooperação, de pensarem juntos? O aluno é de Caxias, não é só do Estado e do município. Como o professor está bem calejado, a gente precisa cuidar do professor e fazer ver que ele tem de estudar, tem de conhecer o seu estatuto, conhecer as mudanças da legislação. A valorização não é só do salário dele. 

O que te decepcionou?

Peguei muita mentira de colegas e diretores nas visitas que fizemos. E isso é uma coisa que me decepcionou. De tu chegar na escola que era para estar tendo aula e a escola está fechada. 

E o que se fez?

A coordenadoria tomou as providências, em alguns casos foram abertas sindicâncias.

Como ficou a sindicância que apurava a ausência de professores na recuperação de aulas em função da greve?

As professoras que viajaram receberam uma advertência, mas como tiveram acordo do diretor, o diretor sabia, o diretor teve a repreensão, o que isso quer dizer: por 10 anos não pode concorrer. Esse foi um caso. Em outros, tivemos uma dispensa de uma professora apresentou laudo médico e foi viajar.  O professor vai ser dispensado, mas ele continua de licença-saúde. O diretor teve a repreensão porque ele tinha feito o acordo com professores. Para mim tinha que punir todos, mas como o diretor... Teve outro que foi comprovado que ela não comunicou, porque não dá para sair e deixar o aluno. E pelo jeito isso era muito comum. Essas coisas que me decepcionaram bastante. 

Quantos casos foram registrados?

Uns 10 casos. Teve denúncia de escola que já havia encerrado ano letivo antes de terminar o calendário. Mandamos voltar os alunos para terminar. Eu achava que isso não acontecia. A sindicância terminou em agosto. Boa parte foram penalizações mais a nível de registro jurídico, porque as pessoas desconhecem o estatuto, seus direitos e deveres. Só acham que tem ganhar melhor. Mas quero elogiar os bons. Temos escolas e professores de excelência, dá gosto. Na educação precisamos preservar a tradição por exemplo: a formação humana, o relacionamento, a noção de acolhimento, o desejo de formar pessoas. Mas precisamos deixar no passado o que é arcaico, o autoritarismo, práticas pedagógicas velhas e sem atrativos, precisamos estar abertos e nos reinventarmos. Eu tenho que ser autônomo como gestor, mas eu não sou soberano. Cuidado diretores, muito cuidado com aquele profissional que economiza afeto e conhecimento, o professor adequado para avançarmos na qualidade da educação é aquele que tem humildade, satisfação não completa, coragem e noção de urgência. Albert Einstein já dizia: insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Muitos erram porque acham que sabem tudo. Deixo uma frase de Mário Cortella para reflexão: só sei que nada sei por completo, só sei que nada sei que só eu saiba.

 
 
 

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