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Saúde20/11/2018 | 07h00Atualizada em 20/11/2018 | 07h00

Hospital Pompéia prevê aumento no número de cirurgias realizadas para 2019

Instituição sofre com repasses atrasados, mas melhorou processos e divide serviço entre setores público e privado para manter equilíbrio financeiro

Hospital Pompéia prevê aumento no número de cirurgias realizadas para 2019 Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

É notório que a condição financeira da maioria dos hospitais da Serra que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é delicada. As instituições reclamam do atraso de repasses do governo do Estado que, em algumas situações, inviabilizam o pagamento de salário e até atendimentos. Nesse sentido, o Hospital Pompéia, o maior de Caxias do Sul, não é exceção: entre a Secretaria Estadual da Saúde e o Ipe, convênio dos servidores estaduais, R$ 4,5 milhão estão em aberto. Ainda assim, a instituição tem se esforçado para comunicar que segue qualificando o serviço e tem planos de ampliar os atendimentos, o que possibilitaria um aumento no número de cirurgias ofertadas pelo SUS já em 2019, diminuindo a fila de espera na cidade.

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— As pessoas acham que o hospital é pobrezinho, é o coitadinho que atende pelo SUS. E não é, já deixou de ser há muito tempo — pontua Daniele Meneguzzi, superintendente administrativa da instituição. 

Ela explica que o hospital vem passando por uma reestruturação centrada na tecnologia, planejamento e eficiência para contornar as dificuldades e melhorar a resolutividade dos atendimentos e apresentar números positivos de 2018. Ela destaca, por exemplo, um aumento de 12% na produtividade cirúrgica. 

— Isso significa que estamos fazendo mais cirurgias com o mesmo custo e a mesma estrutura — aponta.

O resultado é atingido pela redução no tempo de espera para o procedimento. Se antes, para uma cirurgia não urgente, o paciente passava por avaliação do cardiologista no terceiro dia para então ter o procedimento marcado, hoje ele consegue entrar na sala de operação no segundo dia. 

O paciente também já fica metade do tempo no pré-operatório, em relação ao ano passado. Indo para casa antes, o hospital abre espaços para novos procedimentos. 

— A gente está conseguindo uma evolução tão importante, que logo vai começar a sobrar leitos, para fazer mais cirurgias da fila — projeta.

Na prática, Daniele espera que em 2019 o hospital trabalhe com alguma capacidade ociosa que permita o aumento da contratação de cirurgias pelo município — hoje, a fila pelos procedimentos é o grande gargalo da instituição.

— O paciente que está na fila de cirurgia por seis meses fica ruim e vem para a emergência, além de fazer o procedimento em condições piores de saúde — aponta. 

A eficiência operacional tem se mostrado saída para a instituição, mas o processo tem limites, conforme a superintendente. 

— O hospital precisa ser bem remunerado para resolver o problema do paciente. É o hospital que resolve o problema de saúde da população, é aqui que tudo acaba. E há o fator epidemiológico, a população está envelhecendo e adoecendo. Eu preciso de recursos e estrutura para atender, e estamos vendo só redução, congelamento. É uma matemática que não vai fechar — alerta. 

Novo prédio para 2020

Em paralelo com o aperfeiçoamento dos processos, a instituição mantém o equilíbrio entre atendimentos pelo SUS e pelo sistema privado para manter a saúde financeira. A obra mais significativa nesse sentido é o novo Centro Ambulatorial. Hoje, a instituição tem 293 leitos, 176 deles destinados ao sistema público. O novo prédio concentrará todos os atendimentos ambulatoriais privados, como consultas exames, pequenas cirurgias e tratamentos como quimioterapia e hemodiálise.

— Com isso, vamos conseguir liberar espaço para ampliar o serviço do SUS em área física, que é uma deficiência. 

O prédio terá 12 andares — dois deles já construídos — e um edifício garagem, na Rua Pinheiro Machado. A previsão é de que a estrutura esteja concluída até o fim de 2020. Daniele não divulgou o orçamento da obra, mas em agosto o custo era estimado em R$ 22 milhões.

Mesmo com a ampliação, porém, a superintendente administrativa defende a divisão de certos atendimentos pelo SUS com outras instituições da região, para atender a demanda sempre crescente.

— A gente tem uma falta histórica de leitos (de UTI). Precisaríamos dividir isso com outras instituições. Somos a única referência para neurocirurgia e traumato ortopedia. O governo do Estado tem que buscar alternativa, ele pactua, e a gente tem falado que está no limite — aponta. 

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