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Susto13/11/2018 | 18h28Atualizada em 13/11/2018 | 18h34

Geólogo descarta detonação como causa de tremores registrados em Caxias do Sul

Fenômeno teria ocorrido por movimentação natural de rochas do solo

Geólogo descarta detonação como causa de tremores registrados em Caxias do Sul Uilson Correa Lima / Divulgação/Divulgação
Morador do bairro Jardim América relatou queda do teto de gesso do banheiro da residência, mas caso foi exceção Foto: Uilson Correa Lima / Divulgação / Divulgação

Os tremores sentidos na região leste de Caxias do Sul na noite desta segunda-feira (12) assustaram muita gente — foram cerca de 200 ligações ao Corpo de Bombeiros entre as 21h e  às 23h — mas o fenômeno é considerado de baixa intensidade por especialistas.

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Tampouco foram registrados grandes danos nas residências, mas moradores de pelo menos cinco bairros relataram ter ouvido barulho intenso antes do primeiro tremor, o que gerou a suspeita de que o fenômeno teria sido provocado por uma detonação.

A hipótese, porém, foi excluída pelo geólogo Caio Vinícius Torques, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Ele explica que o tremor foi percebido sismógrafos (instrumento que detecta as vibrações da terra) mais distantes da cidade, o que indica que não teve origem na superfície, como ocorreria no caso de uma explosão provocada.

— Para detectar exatamente a profundidade, teria que ter sismógrafos muito próximos da região. O mais próximo é o de Canela, há cerca de 40 quilômetros, mas também foi detectado por outros. Então, não se consegue uma precisão maior, mas o tremor foi em pouca profundidade, questão de 100 a 200 metros do solo — aponta. 

O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) detectou um tremor de magnitude 2 na Escala Richter às 21h07min e outro de 1,8 às 21h23min. Entre os dois fenômenos, o geólogo diz que ocorreram outros tremores que, por ter intensidade menor, não puderam ser quantificados. Não há explicação única para o fenômeno, mas Torques classifica o ocorrido como "natural", em decorrência das características do solo da região.

— Temos histórico de vários tremores semelhantes e é um evento comum na formação geológica que existe aqui, que é a rocha basáltica. Ela é intensamente fraturada, então existem acomodações dos blocos de rocha sobre a superfície, que geram tremores. Quando ocorre numa área urbana é bem sentido, porque tem vibração das paredes, de janelas, especialmente em prédios mais altos — explica. 

Pela manhã, o geólogo conversou com integrantes do Centro de Sismologia da USP, que monitora os sismógrafos. Por causa da distância do equipamento mais próximo e da baixa intensidade do fenômeno, ele diz que não é possível dizer exatamente qual foi o epicentro do tremor, apenas que ocorreu em Caxias do Sul.

Apesar do susto, Torques garante que a região não está sujeita a abalos mais intensos, como os que ocorrem no Chile ou na América Central, por exemplo.

— Não são tremores relacionados a movimentos de placas tectônicas. As acomodações (de rochas) são sismos mais moderados, a rocha basáltica é intensamente fraturada e as fraturas são preenchidas com água, então às vezes alguma extração de água ou alguma uma movimentação desses fluxos subterrâneos geram tremores como o que foi sentido ontem. Mas dificilmente teríamos tremores mais fortes — reforça.

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