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Mês da Segurança Aquática28/11/2018 | 13h04Atualizada em 28/11/2018 | 13h04

Com a chegada do calor, região já registrou quatro afogamentos em novembro

As vítimas incluem uma criança de oito anos e um adolescente de 12. Aulas de natação são opção de prevenção

Com a chegada do calor, região já registrou quatro afogamentos em novembro Felipe Nyland/Agencia RBS
Profissional alerta que mesmo que crianças e adolescentes saibam nadar, os pais não devem relaxar nos cuidados em piscinas e na praia Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

O cenário é quase sempre o mesmo: um dia quente, um local com água para se refrescar e pessoas em busca de um pouco de lazer. É nessas circunstâncias que ocorrem a maioria dos afogamentos. De janeiro a outubro, 10 ocorrências com vítimas fatais foram contabilizadas pelo 5º Batalhão de Bombeiros Militar (BBM), que atende a 49 municípios da região. Em novembro, considerado o Mês da Segurança Aquática no Brasil, pelo menos quatro pessoas morreram afogadas em municípios da Serra, conforme contagem do Pioneiro, incluindo uma criança de oito anos e um adolescente de 12. 

Segundo o capitão Reinaldo Andres Marques da Silva, seis das 10 mortes por afogamento registradas pelo 5º BMM ocorreram em momento de banho. Os casos foram registrados nos municípios de Farroupilha, Vacaria, Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Canela. 

Pela análise das estatísticas, os meses de maior incidência de afogamentos são janeiro e fevereiro, e os dias, sábados e domingos, justamente quando as pessoas buscam atividades de lazer ao ar livre nos dias de folga ou férias.

— As pesquisas nos mostram que a maioria dos casos ocorre com adolescentes e adultos até 30 anos. Pelos nossos números, também é possível avaliar que são quase sempre do meio-dia às 18h. Em Caxias do Sul, temos as represas, que são usadas para banho inadequadamente. É importante obedecer às placas de proibição — alerta. 

Ainda segundo o bombeiro, uma série de fatores contribui para os acidentes fatais, desde a escolha do local até a bebida ingerida antes de entrar na água. A imprudência está ligada a quase todos os casos:

— Geralmente, os afogamentos acontecem em locais que não têm abrangência de profissionais, como o guarda-vidas. Às vezes falta autocuidado e sobra confiança. É fundamental ter a consciência sobre a segurança de si e daqueles que nos cercam — orienta. 

"Eles não são à prova d'água"

Os pequenos estão entre os mais suscetíveis a esse tipo de ocorrência: conforme o governo federal, os acidentes domésticos, como afogamentos e quedas, são a principal causa de morte de crianças de até nove anos no Brasil. Em um dos casos mais recentes registrados na região, um menino de oito morreu após se afogar em uma piscina em Nova Prata. Kaua Roncato Silveira estava brincando com uma bola na casa de conhecidos quando ocorreu o afogamento, no início da noite do dia 5 de novembro.

— A criança não tem o desenvolvimento de senso crítico e a postura de cuidado — diz o capitão Andres.

Para a educadora física Lisiane Pêssoa Borges, as aulas de natação podem contribuir para evitar acidentes, porém alerta que não exime a presença e atenção dos pais na piscina ou na praia:

— É importante que os pais incentivem os filhos a aprender a nadar, mas não é uma desculpa para se desligar. A criança não pode ficar sozinha em ambientes aquáticos, mesmo indo às aulas de natação. Sempre digo que eles não são à prova d'água.

Na academia na qual a profissional trabalha, as crianças são divididas por faixa etária. Em cada etapa, elas aprendem sobre segurança aquática, conforme o seu nível de idade e compreensão.

— Trabalhamos com a flutuação, os nados, como se agarrar na borda e o salto. Mas depende da maturidade da criança. Eu observo nas turmas que acompanho que a partir dos três, quatro anos, eles começam a ter consciência sobre o instinto de sobrevivência. 

A bancária Sheila Bequi Mugnol, 35 anos, colocou o filho Fernando, seis, na aula de natação há dois anos. Ela diz que a escolha inicialmente foi para melhorar a saúde do filho, mas também há preocupação de prevenir acidentes. 

— Ele não tem medo de água, seja na praia ou na piscina. Mas claro que sabemos que não dá pra tirar o olho, mesmo que ele saiba nadar — diz Sheila, ressaltando que pretende proporcionar as aulas também para os gêmeos Angelo e Pedro, de três anos, e o bebê Davi, de seis meses.

DICAS PARA EVITAR TRAGÉDIAS

:: Para bebês e crianças pequenas, até baldes, banheiras e vasos sanitários podem oferecer riscos. Um adulto deve sempre supervisionar as crianças e adolescentes onde houver água, mesmo que saibam nadar ou que os locais sejam considerados rasos. 

:: Banhe-se sempre próximo ao posto de salvamento (guarita) com salva-vidas.

:: Pergunte ao salva-vidas o melhor lugar para o banho.

:: Não superestime sua natação — 46,6% dos afogados acham que sabem nadar.

:: Tome conhecimento e obedeça as sinalizações de perigo.

:: Tenha sempre atenção com as crianças.

:: Evite álcool e alimentos pesados, antes de entrar no mar.

:: Mais de 85% dos afogamentos ocorrem em buracos e valas.

:: Seja prudente ao tentar salvar alguém, pois muitas pessoas morrem desta forma. Sempre que possível chame um salva-vidas.

:: Antes de mergulhar em águas, verifique a profundidade.

:: Afaste-se de animais marinhos como água-viva e caravelas.

:: Evite o banho próximo às plataformas de pesca, desembocaduras (foz) de rios e costeiras, pois nestes locais existem correntes de retorno (repuxo) permanentes.

:: Assim que avistar uma pessoa se afogando, ligue imediatamente para o Corpo de Bombeiros (telefone 193)

:: Em rios: observe a correnteza, os buracos e os galhos submersos.

:: Em açudes e barragens: verifique a profundidade, os galhos e lodo no fundo.

:: Em cascatas: veja profundidade, pedras e água.

:: Evite brincadeiras como simulações de afogamento ou forçar a cabeça de um amigo para dentro da água.

:: Siga as placas de orientação sobre perigo.

:: Evite banhos em períodos de enchente ou em zonas de correnteza.

:: Antes de banhar-se, informe-se sobre a correnteza e a profundidade.

:: Mantenha-se distante de rochas.

Em piscinas

:: Quando a piscina estiver fora de uso, faça um cercamento de proteção com altura mínima de 1,5m e, no máximo, 12cm entre as barras verticais. O cercamento reduz os afogamentos de 50% a 70%. Evite a colocação de brinquedos próximo a piscina. Isso atrai as crianças. Mais de 40% dos proprietários de piscinas não sabem realizar os primeiros socorros.

:: Crianças devem sempre estar sob a supervisão de um adulto. Cerca de 89% das crianças não têm supervisão durante o banho de piscina. Quase 90% dos afogamentos em piscinas ocorrem por distração do adulto (hora do almoço ou após). Leve sempre as crianças consigo caso necessite afastar-se da piscina.

:: Boia de braço não é sinal de segurança. Apenas 2,5 cm de água são suficientes para afogar uma criança. Boa parte dos afogamentos acontecem em razão de 10 segundos de desatenção (tempo, por exemplo, de pegar uma toalha).

No mar

:: Tome banho em pontos assistidos por salva-vidas.

:: Respeite as bandeiras de sinalização.

:: Reconheça suas habilidades e seus limites.

:: Não ultrapasse profundidades superiores à cintura.

:: Evite pontos com correntes, obstáculos e em desembocaduras de rios.

:: Evite mergulhar perto de costões.

:: Cuidado com as superfícies escorregadias e cortantes dos costões.

:: Nunca perca crianças de vista e indique a elas onde podem tomar banho.

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