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Outubro Rosa25/10/2018 | 08h05Atualizada em 25/10/2018 | 13h35

Técnicas devolvem autoestima para pacientes com câncer de mama

Reconstrução é direito da paciente com câncer de mama

Técnicas devolvem autoestima para pacientes com câncer de mama Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Aos 31 anos, Larissa Webber dos Santos enfrentou um câncer, algo inimaginável para a fisioterapeuta caxiense.  Sem a rotina do autoexame, descobriu a doença quase que por acaso. Uma coceira fora do comum na mama a fez procurar ajuda médica. Imaginou que fosse uma alergia, mas recebeu a pior das notícias. 

– Por causa da idade, a gente nunca imagina – diz a jovem, hoje com 33 anos. 

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A partir daí, iniciou o tratamento, que não incluiu quimioterapia – o que não significa que o sofrimento tenha sido menor. A mastectomia foi o caminho indicado pelos médicos. Apesar de compreender a necessidade do procedimento, é difícil conviver com o corpo diferente. Larissa não pensou duas vezes em colocar uma prótese. 

Mas ainda havia algo estranho. Ela sequer olhava para o seio. Sem o mamilo e a região circular em volta, chamada de aréola mamária, Larissa se sentia incompleta. A solução foi simples e contou com a ajuda da micropigmentadora Andréia Ferreira, de quem ela já era cliente: a reconstrução da área com micropigmentação. 

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 16/10/2018. Andreia Ferreira faz procedimento de tatuagem e micropigmentação de mama em pacientes que tiveram câncer. Nas fotos, Andreia tatua Larissa, paciente que teve câncer de mama.(Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Além de atender mulheres que tiveram câncer de mama, Andréia realiza procedimentos em pessoas com alopécia, perda de cabelosFoto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

O desenho feito como se fosse uma tatuagem é perfeito, com sombra que dá relevo e a impressão de um mamilo real. 

– Antes, a gente evita o espelho. Agora, passa batido – confidencia Larissa, que na semana passada passava por um retoque no studio de Andréia. 

A elevação da autoestima com a reconstrução foi tão grande que Larissa nem se importou em mostrar o resultado para a reportagem. Para Andréia, não pode haver retorno mais satisfatório. 

– É muito gratificante. Um dia quero fazer só isso – deseja a profissional, que é designer de sobrancelha e realiza atendimentos voluntários para mulheres que passaram por câncer de mama. 

Procedimentos

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 16/10/2018. Andreia Ferreira faz procedimento de tatuagem e micropigmentação de mama em pacientes que tiveram câncer. Nas fotos, Andreia tatua Larissa, paciente que teve câncer de mama.(Diogo Sallaberry/Agência RBS)
"Antes, a gente evita o espelho. Agora, passa batido": Larissa e sua autoestima de voltaFoto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

:: Além de atender mulheres que tiveram câncer de mama, Andréia realiza procedimentos em pessoas com alopécia (perda de cabelos). Os interessados devem entrar em contato pelo telefone (54) 99108-3430. Ela também procura parcerias com profissionais da área da saúde para o encaminhamento de pacientes. O procedimento não tem custo.

Reconstrução é direito da paciente com câncer de mama

O SUS é obrigado a fazer a cirurgia de reconstrução de mama nos casos de mutilação decorrente de tratamento de câncer, e quando há condições, a retirada e a reconstrução são feitas de forma simultânea. O mastologista Felipe Zanol Sauer comenta sobre os procedimentos mais comuns.

Pioneiro: O que é possível esperar da reconstrução mamária? É uma cirurgia complexa?
Felipe Zanol Sauer: A reconstrução mamária objetiva restaurar a imagem corporal feminina após um procedimento cirúrgico por câncer de mama. Ela apresenta excelentes resultados, e engloba a reconstrução parcial (pós-cirurgia oncológica conservadora) ou total (pós-procedimento oncológico radical) da mama. São cirurgias com diferentes graus de complexidade, geralmente as reconstruções totais apresentando tempos cirúrgicos maiores quando comparadas às parciais. O tempo de duração de uma cirurgia reparadora também é variável. De maneira geral, acrescemos entre 30 a 60 minutos ao tempo da cirurgia oncológica no caso de implantes ou expansores, e 90 a 120 minutos no caso dos retalhos.

Quais os procedimentos de reconstrução mais comuns: colocação de prótese, uso de retalho abdominal? Como funcionam?
O procedimento reconstrutivo da mama mais utilizado é a reconstrução mamária com o uso de implantes ou expansores. O uso de retalhos de músculo grande dorsal e o de reto abdominal vêm sendo cada vez mais usados em casos de exceção. Todos os procedimentos citados podem ou não ser acompanhados de simetrização da mama oposta. Os procedimentos reconstrutivos mamários são custeados pelo SUS. Há casos em que o complexo aréolo mamilar não é removido e, portanto, não há necessidade de reconstrução. Nos demais casos, desde que haja desejo por parte da paciente, ele deve ser reconstruído. Existem diversas técnicas utilizadas. Atualmente, a reconstrução com o uso de dermopigmentação apresenta excelentes resultados tanto para o mamilo como para a aréola, inclusive à longo prazo.

Em que casos é preciso remover toda a mama, e em que casos é possível só retirar o nódulo?
Podemos classificar as cirurgias mamárias em parciais e totais. Costuma-se utilizar como fator de decisão a proporção entre o volume da lesão a ser removida (englobando a margem de segurança desejada, a depender do caso) e o volume da mama. Desde que o mesmo não represente mais de 20% do volume da mama, o procedimento pode ser parcial ou conservador. Existem ainda as cirurgias parciais com o uso de técnicas de oncoplastia, as mesmas utilizadas em cirurgias redutoras mamárias estéticas, onde pode ser removido uma proporção maior de tecido mamário e, mesmo assim, preservada a mama.

Em que casos é implantado um expansor? Como ele funciona?
O expansor deve ser usado nos casos em que a quantidade de pele a ser removida é grande, e impossibilita o uso de um implante mamário convencional imediatamente após a cirurgia oncológica. Ele é um dispositivo que permite o aumento da superfície de pele da mama através do seu preenchimento com o uso de solução fisiológica. O tempo para a substituição de um expansor por um implante varia conforme o tratamento complementar necessário para cada caso. Nos casos nos quais há necessidade de radioterapia, o tempo mínimo é de seis a 12 meses após o término. Nos outros casos, geralmente é feito após seis meses do procedimento cirúrgico oncológico.

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