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Saúde pública 17/10/2018 | 01h50Atualizada em 17/10/2018 | 09h07

Postão de Caxias fechou às 0h08min para reforma e ampliação

Funcionários da prefeitura lacraram a porta da frente com tapumes pretos

Postão de Caxias fechou às 0h08min para reforma e ampliação Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Agora é oficial. O Pronto-Atendimento 24h (Postão) de Caxias do Sul está fechado para reforma e ampliação da estrutura física. Às 0h08min desta quarta-feira funcionários da prefeitura começaram a pregar tapumes pretos na porta de entrada da unidade. O trabalho levou sete minutos para ser concluído.

Antes disso, às 23h25min, uma equipe do gabinete do prefeito colou cartazes e forrou com papel branco os vidros que permitiam enxergar dentro do prédio. O elevador que dava acesso ao laboratório, raio x e saída para as ambulâncias também foi lacrado com as chapas pretas. Os cartazes informavam onde as pessoas devem procurar atendimento nos próximos seis meses, tempo que durará a obra. Duas servidoras entregaram panfletos com as mesmas informações aos pacientes.

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O efetivo da Guarda Municipal, que normalmente é de quatro agentes, foi reforçado para sete. Eles acompanharam o desenrolar do processo, sem intervir. Enquanto tudo ocorria dentro do Postão, agentes de trânsito faziam blitz na rua em frente.

As ações provocaram movimentação entre os servidores do Postão que, até então, cumpriam sua rotina de trabalho. Alguns se abraçaram, outros se queixaram de os preparativos, como a cobertura das vidraças, terem começado antes do horário previsto para o fechamento.

O enfermeiro Aleandro Balzaretti, que atua há 20 anos no PA, falou do clima de despedida entre os servidores:

– O clima que nós temos aqui é bem triste. O ambiente está triste, porque a gente não esperava que isto acontecesse. 

Poucos pacientes procuraram atendimento nas duas horas que antecederam o fim das atividades. Regina Aparecida de Lima dos Santos, 41 anos, saiu do bairro Planalto Rio Branco em busca de atendimento para o filho Eliel de Lima dos Santos, 13, que sofreu uma torção no tornozelo. Ela tem dúvidas de como ficará o atendimento daqui para frente. Entre os questionamentos está o fato de as UBSs não atenderem a noite toda e não terem exames como raio x, por exemplo. 

– Vai ficar difícil. Claro que é para melhorar, mas vai ficar só a UPA que não vai suportar todos os que procuram atendimento em Caxias – comentou a desempregada que depende do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para chegar à UPA, ela terá de pegar um ônibus até o Centro e outro até a Zona Norte. Linhas que fazem este trajeto, saindo da frente do Postão, já funcionavam na noite de terça-feira.

Ao fechar as portas, o Postão ainda tinha sete adultos em observação. Dois deles, segundo a equipe, cardiopatas que aguardavam exames para definir se iriam ou não serem transferidos. Na ala pediátrica não havia mais nenhuma criança.

Taís Maiqueli, 26 anos, e marido, Cleverson Schröpfer, 31, foram juntos levar a caçula Pietra Vaiciechoski Schröpfer, 3, para atendimento médico. Ela estava com dor no ouvido. A irmã Maria Clara Vaiciechoski Schröpfer, 7, acompanhou a família. Eles moram no bairro São Caetano.

– Infelizmente, a gente vai ter que recorrer agora só ao postinho. De noite, para mim é longe até a UPA... hoje deu tudo certo, mas fica ruim para as outras pessoas que precisam desse lugar no horário da noite – considerou a dona de casa.

O último paciente a entrar chegou 23h42min. Foi Rômulo Adidmo, 22 anos. Ele estava jogando futebol quando se chocou com outro jogador. A pancada provocou um corte na cabeça que lhe rendeu cinco pontos. Foi levado ao Postão pelo amigo Eder Raldi, 23. Ao ser liberado, após a sutura, já teve que deixar o prédio pelo acesso lateral, pois a porta da frente estava fechada.

– Nem sabia que ia fechar (o Postão). O atendimento foi rápido, bem tranquilo – disse ao ir embora. 

O último plantão dos servidores teve dois pediatras, três clínicos, um enfermeiro e seis técnicos em enfermagem, além da equipe de apoio. Segundo Balzaretti, um dos dois setores de observação e o setor de psiquiatria já tinham fechado. Eles seguem até as 8h desta quarta-feira. Depois, caso pacientes ainda estejam em observação, funcionários do Serviço de Atendimento-Móvel de Urgência (Samu) assumirão o trabalho. 

Desde a segunda-feira, os servidores estão sendo chamados pela Secretaria de Recursos Humanos para definir onde atuarão daqui para frente. Todos serão realocados em unidades básicas de saúde (UBSs). Os médicos foram os primeiros. Nesta quarta, será a enfermagem e, assim, sucessivamente. Conforme Balzaretti, eles devem começar nos novos locais a partir da semana que vem.

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