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Saúde06/10/2018 | 06h38Atualizada em 06/10/2018 | 06h38

Em Bento Gonçalves, pai também tem direito ao pré-natal

Projeto do SUS permite que pai tenha acompanhamento completo na UBS

Em Bento Gonçalves, pai também tem direito ao pré-natal Laura Kirchhof/Divulgação
Foto: Laura Kirchhof / Divulgação

É comum que grávidas tenham acompanhamento médico mensal em suas unidades básicas de saúde (UBS) em todo o país. O que diferencia Bento Gonçalves nesse cenário é que, além desse serviço ofertado às gestantes no Sistema Único de Saúde (SUS), os pais também são convidados a participar do Pré-Natal do Parceiro. O projeto, que é desenvolvido desde 2016, tem servido de exemplo para dezenas de municípios: a equipe da Secretaria Municipal de Saúde de Bento tem capacitado profissionais de toda a Serra para provar que cuidar bem da gestante e do pai da criança pode refletir em índices de saúde bastante satisfatórios. Caxias do Sul, Flores da Cunha, Lajeado e outros municípios da região já receberam treinamento para implantar o método de trabalho.

_ Quando vamos nos outros municípios, mostramos para os profissionais que com a mão de obra e o orçamento que temos nas UBSs é possível desenvolver esse projeto. O custo tem sido de R$ 154 por ano, ao confeccionar carteirinhas de pré-natal masculino entregue aos pais. E temos um retorno satisfatório _ comenta a coordenadora do projeto, enfermeira Cristiane Wottrich.

Na prática, ao diagnosticar a gestação, a mulher fideliza uma relação próxima com os profissionais da UBS. Por isso, desde a primeira consulta, é feito o convite para que o homem participe desse acompanhamento. A UBS facilita ao parceiro as consultas médicas e de enfermagem, exames, testes rápidos para HIV, hepatites B e C e sífilis. O diagnóstico e tratamento da sífilis, inclusive, é um dos ganhos importantes do projeto, já que, desde 2010, foram notificados quase 228 mil novos casos no Brasil. O índice nacional mostra que a doença acomete, em média, 20% das mulheres grávidas. Por se tratar de uma doença sexualmente transmissível (DST), é importante que o casal faça o tratamento. E, graças ao projeto, entre os casais diagnosticados com sífilis o índice de tratamento em Bento Gonçalves saltou de 41% para 56,5%. 

_ O homem tem uma grande resistência para entrar no sistema público, por isso, a gravidez é uma chance de tratarmos diversas especialidades. Por exemplo: se ele tem necessidade de nutricionista, se ele precisa também de acompanhamento de psicólogo, se está com as vacinas em dia. O que notamos é que, no momento em que ele cuida da saúde dele, ele cuida mais da gestante e do bebê _ avalia Cristiane. 

"Sério mesmo que tenho direito a tudo isso?"

Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Bento Gonçalves mostram que, em 2017, 989 gestantes foram cadastradas pelo SUS. Desse total, 27,4% dos pais participaram do projeto Pré-Natal do Parceiro. A ideia se consolidou e, neste ano, o índice cresceu expressivamente. Das 646 gestantes atendidas até o mês de agosto, estima-se que 42% dos companheiros receberam atendimento pelo programa, crescimento comemorado pela equipe de saúde. 

O serviço é oferecido em todas as UBSs do município, e o público-alvo são famílias em situação de vulnerabilidade social, mas todos podem participar do projeto. A UBS do bairro Municipal é uma que se destaca pelo alto índice de aproveitamento. Segundo a enfermeira Margareti Antônia da Silva, que trabalha na UBS, ali chega a 69% o percentual de casais que são atendidos por meio do projeto.

_ Eles chegam a duvidar, me perguntam "Sério mesmo que tenho direito a tudo isso?", e dizem que nem no plano de saúde teriam esse tratamento. Os pais estão levando muito a sério _ comenta Margareti.

Enquanto espera pela segunda filha, Cassiele Lopes, 25 anos tornou-se ainda mais frequentadora dos serviços da UBS do Municipal. E além de acompanhar a mulher nos serviços da UBS, o motorista Regis Marlon Vargas Lopes, 25, tem recebido atenção dos profissionais que se preocupam sua saúde: da higiene bocal até o check-up de exames, Regis tem a atenção da UBS.

_ Nós estamos muito felizes. Na primeira gestação, não tinha esse programa, e não sabíamos que podia ser tão legal. É bom que ele pode acompanhar ainda mais o crescimento do bebê, e cuidar da saúde dele ao mesmo tempo _ diz Cassiele.

Regis concorda:

_ Eu fiquei sabendo que tenho glicose alta por causa do projeto. A gente só pensa em trabalhar, não pensa em ir no médico e se cuidar. Agora, além de acompanhar o bebê crescendo, também cuidamos melhor de nós.

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