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Outubro Rosa 31/10/2018 | 09h32Atualizada em 31/10/2018 | 12h26

Conheça histórias de mulheres diagnosticadas com câncer que transformaram dor em superação 

Durante todo o mês de outubro, o Pioneiro mostrou, em reportagens semanais, a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama

Conheça histórias de mulheres diagnosticadas com câncer que transformaram dor em superação  Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

A contadora aposentada Marli Francisca Larandi, 64, transformou a dor de um diagnóstico de câncer de mama em uma missão. A entidade que mais a ajudou no tratamento, lá atrás, hoje recebe o trabalho voluntário dela, que busca devolver à sociedade o que recebeu quando precisou de conforto e, também, de ajuda financeira.

—Há 11 anos, as coisas não eram divulgadas como é hoje. Não se falava tanto em câncer de mama, a gente nem sabia o que era, então não sentíamos tanto medo. Até o dia que o cabelo caiu. Aí, percebi que estava doente mesmo — descreve.

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Marli é a vice-presidente da Associação de Apoio a Pessoas com Câncer, a Aapecan. Descobriu o câncer de mama aos 53 anos, quando uma mamografia acusou a formação de uma microcalcificação no bico do peito. O tamanho era considerado mínimo: cerca de um milímetro, mas o exame confirmou a necessidade de remoção da mama direita inteira. A cirugia ocorreu cerca de dois meses depois do diagnóstico e, logo em seguida, começaram as sessões de quimioterapia. Além dos efeitos colaterais que uma doença agressiva como o câncer impunha, as dificuldades de uma mãe que sobrevivia com a aposentadoria começaram a pesar. Era difícil até ter o que servir à mesa naquela época. Quando menos esperava, o telefone tocou e, do outro lado da linha, estava uma atendente da Aapecan. Como de rotina, ela buscava famílias que pudessem contribuir com qualquer valor, que seria revertido à entidade. Marli viu a ligação como uma oportunidade.

— Eu peguei o telefone e disse: "Moça, eu estou precisando de ajuda". Desde aquele dia, nunca mais deixei a Aapecan. Eles me ajudaram com remédio, passagem, comida. E hoje, eu ofereço meu trabalho de contadora e ajudo em tudo que for preciso — explica Marli.

O câncer não retornou ao organismo de Marli, que credita sua saúde aos cuidados que recebeu da família e ao carinho de amigos e voluntários da entidade. O que ela sugere para pacientes que enfrentam a doença é ocupar a mente. E, se possível, ocupar-se em fazer o bem:

— O organismo da gente fica bastante debilitado com a doença, e ajudar faz tão bem. Eu não imaginava que seria tão útil fazendo a contabilidade lá na entidade. Eu digo sempre para as mulheres não esquecerem delas porque, quando menos se espera, chega a depressão. Tem de decidir continuar.

Susto na reta final da gestação

— Quando eu recebi o diagnóstico do câncer de mama, eu fui para casa e caí. Não conseguia ficar em pé, sabe? As pernas não me sustentavam. Eu pensava que aquilo não era justo comigo.

O relato é da educadora física Karen Cristina Rech Negretto, 39 anos, que descobriu o câncer de mama no oitavo mês de gestação. O sonho de ser mãe já havia sido adiado alguns anos antes, quando sofreu aborto espontâneo dos gêmeos que esperava. Dessa vez, no final de 2017, passava as noites sonhando em como seria o rosto da sua primogênita, Maria Cecília. O câncer de mama na reta final da gestação representava uma ameaça grande a alguém que chegava tão perto de, finalmente, ser chamada de mãe. E, além disso, o câncer chegou agressivo. Sete centímetros era o tamanho do nódulo da mama esquerda, algo como o tamanho do dedo mindinho. 

Karen teve apenas quatro semanas entre o começo da quimioterapia e o nascimento da filha, um abismo entre seu pior e seu melhor momento. No abafado e quente 11 de janeiro deste ano, Maria Cecília rompeu o silêncio do hospital com seu choro. Olhos claros, ela media 49 centímetros e pesava pouco mais de 2,8 quilos. Ali, nascia também o novo amuleto de Karen, carregando a medicação mais potente contra qualquer doença, o amor.

— Ela nasceu sem cílios, sobrancelha, cabelo. Perfeita mesmo assim. Eu pensei muitas vezes que só queria ver o rostinho dela. Achava que não ia conseguir mais viver. E é aí que a gente descobre nossa força — conta.

Atualmente, Karen passa pelas últimas sessões de radioterapia e compartilha sua história com outras mulheres que recebem o difícil diagnóstico. 

   — Eu cheguei a pesar 23 quilos a menos, já enxergava minha morte. Hoje, eu vivo um sonho encantado com minha filha. É possível, sim, viver, todas nós temos esse direito. Tenham calma, tudo vai passar — aconselha.

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