Trabalhadores relatam prejuízos com proibição de estacionamento na Estação Férrea em Caxias do Sul - Geral - Pioneiro

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Estação Férrea30/09/2018 | 20h42Atualizada em 01/10/2018 | 07h14

Trabalhadores relatam prejuízos com proibição de estacionamento na Estação Férrea em Caxias do Sul

Muitos que frequentam a região acreditam que a medida é drástica demais

Trabalhadores relatam prejuízos com proibição de estacionamento na Estação Férrea em Caxias do Sul Lucas Amorelli/Agencia RBS
Júlio Ribeiro tem vendido menos churrasquinhos desde o início da medida Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

As opiniões sobre a eficácia da restrição ao estacionamento no Largo da Estação Férrea, em Caxias do Sul, variam, mas muitos que frequentam a região acreditam que a medida é drástica demais. Para  quem trabalha por ali, a avaliação é de que proibição acaba prejudicando mais quem realmente precisa estacionar. 

É o caso do comerciante Júlio Ribeiro, 63 anos. Há mais de três anos ele vende churrasquinhos no mesmo ponto da Augusto Pestana. Na última semana, viu o movimento da clientela minguar. 

– Nem o cara que trabalha aqui pode ficar. Eu tenho de deixar a caminhonete longe para não guinchar, com risco de roubarem. Vêm três ou quatro para fazer esculhambação e o resto tem de pagar – lamenta.

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Funcionários dos estabelecimentos noturnos também tiveram de se adaptar. Daiane Boff, 29, trabalha num dos bares da rua e relata que teve de recorrer a um estacionamento, mesmo sem ter condições para pagar. 

– Eu e cerca de 10 colegas não estamos mais estacionando ali para cumprir a lei. É R$ 25 por dia para deixar o carro num estacionamento. Vai mais de 20% do meu salário, é bem pesado – lamenta. 

A secretária do Urbanismo de Caxias, Mirangela Rossi, diz que casos pontuais podem ser avaliados, mas que qualquer medida restritiva acaba tendo esse tipo de efeito colateral.

– A gente sabia que, de alguma forma, a proibição iria atingir alguém. Até podemos avaliar alguma situação específica, mas é um número pequeno diante do número de carros e pessoas que se aglomeravam ali. Estamos pensando no coletivo – defende.

Sem fiscais, problemas voltam

A frustação maior da supervisora de caixa de um dos bares na rua  Daiane Boff, 29, ocorre porque, segundo ela, a fiscalização não ocorre todos os dias. 

– Quiseram botar essa lei para baderna acabar, mas continua durante toda a noite. A maioria que está sendo prejudicada é quem trabalha, e não quem fica fazendo baderna na rua. 

Ela contou que só havia sido multado, até esta sexta, quem havia estacionado em local proibido na sexta anterior. Nos outros dias, o movimento continuou o mesmo. Um vídeo gravado no sábado passado e depoimentos de outros trabalhadores da área corroboram a afirmação. 

Conforme o secretário de Trânsito, Transportes e Mobilidade de Caxias, Cristiano de Abreu Soares, a Fiscalização de Trânsito deve atuar no local esporadicamente, em apoio à BM, já que o órgão não tem efetivo para ações constantes após a meia-noite. 

O subcomandante do 12º Batalhão da Polícia Militar de Caxias, major Emerson Ubirajara, também diz que não há efetivo para uma operação permanente, mas acredita que, com o tempo, a proibição vai servir como delimitador:

– A placa está ali. Quem estacionar sabe que está errado e estará ao alcance da norma de trânsito. Mas, com certeza, todos os finais de semana em um dia ou outro faremos a fiscalização.

Conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), estacionar em local proibido é uma infração média, com multa de R$ 130,16 e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além da remoção do veículo.

Pedido por ações pontuais

Reclamações devido ao som alto, à baderna e ao lixo deixado no chão do Largo da Estação Férrea são frequentes entre os moradores de São Pelegrino. Para o presidente da associação de moradores do bairro, Vanderson Lopes, a atitude do município atende uma demanda antiga, mas é preciso aguardar para avaliar se dará resultado. 

A professora Kelly Reis, 33, vive na Rua Olavo Bilac, atrás da Estação e paralela à Augusto Pestana. Ela afirma ter percebido diminuição no volume das músicas que escuta de casa durante a madrugada, o que significa que os carros de som teriam se deslocado um pouco para adiante nos últimos dias. 

Quando o Pioneiro esteve na Estação na sexta, verificou que boa parte do movimento usual da Augusto Pestana havia passado para Rua Coronel Flores. O público maior disputava espaço com os veículos da via, mais movimentada do que a outra. Carros com som alto também começavam a aparecer por volta da meia-noite. 

Kelly afirma que o único período em que realmente notou melhorias em relação ao barulho foi de julho a agosto, quando uma operação da Polícia Civil apreendeu equipamentos com som acima do permitido:

– Quando a Brigada passa, eles (os motoristas) baixam o som e depois sobem de novo. A Civil veio com um carro discreto e fizerem a apreensão (dos equipamentos). Infelizmente aconteceu só uma vez. Causa um efeito, mas depois eles veem que nada acontece e voltam. A gente que mora aqui já decorou as músicas, a sequência delas. São sempre as mesmas. Se tivessem o equipamento apreendido, ia pesar no bolso. 

A secretária do Urbanismo, Mirangela Rossi, diz que a prefeitura vai avaliar os resultados da proibição. Se for verificado que o problema passou para a Coronel Flores, a via também pode perder o estacionamento. 

– Inicialmente, tínhamos dado um prazo para conhecimento, agora as pessoas estão informadas das rondas e fiscalizações esporádicas para avaliar como está acontecendo. Conforme se apresentar o quadro, é possível estender essa proibição para a Coronel Flores – projeta.

O projeto de revitalização do Largo da Estação, em elaboração, também prevê uma restrição maior de estacionamento na área.


 
 
 

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