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Trânsito29/09/2018 | 11h00Atualizada em 29/09/2018 | 11h08

Flagrantes de motoristas falando ao celular são frequentes em Caxias do Sul

Mesmo com ações educativas e multa mais pesada, hábito continua forte entre os condutores 

Flagrantes de motoristas falando ao celular são frequentes em Caxias do Sul Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

No mês em que se promovem campanhas educativas e comemora-se o Dia Nacional do Trânsito (25 de setembro), a Escola Estadual de Ensino Médio São Caetano, em Caxias do Sul, é exemplo de como ações conjuntas podem ajudar na formação de pedestres e futuros motoristas mais conscientes. No estabelecimento de ensino, os 15 alunos que fazem parte do projeto Amigo Acolhedor foram às salas de aula para ensinar os colegas das séries iniciais a identificar e respeitar as placas de sinalização e a fazer a travessia das ruas com segurança. As ações são coordenadas pela Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar (Cipave) da escola. Para a diretora, Roberta Quissini Moraes, as orientações recebidas pelos estudantes acabam repercutindo no comportamento dos adultos.

— Os alunos comentam em casa, com os pais, o trabalho da Cipave. Além disso, é uma experiência diferente aprender com outros alunos e não com os professores — comenta a gestora.

A campanha desenvolvida pela Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade neste ano trata do uso do celular por motoristas e pedestres. Desde o final de 2016, manusear o celular ao volante, seja para falar ou para digitar, passou a ser infração gravíssima. Porém, a legislação mais rigorosa parece não influenciar o comportamento dos condutores, que continuam trafegando utilizando o telefone nos bairros e no centro de Caxias. Em 18 minutos na frente da Escola São Caetano, onde há faixa para pedestres, a reportagem flagrou, na última quinta-feira, quatro motoristas falando ao celular.

>>Em Caxias, campanha alerta para os perigos de usar o celular no trânsito

 No mesmo dia, em um dos pontos mais centrais da cidade, na Rua Dr. Montaury, entre a Pinheiro Machado e a Avenida Júlio de Castilhos, foram três flagrantes em 10 minutos. Em um deles, um homem digitava enquanto dirigia. A equipe também flagrou a imprudência de pessoas a pé manuseando celular enquanto faziam travessias de vias movimentadas no Centro com sinal fechado para pedestres.

Para fiscalização, uso do bluetooth configura infração

A polêmica maior, porém, continua sendo a utilização do bluetooth, ferramenta disponível em muitos veículos, que permite atender ligações de celular sem manusear o aparelho. A questão é tratada pelos órgãos fiscalizadores como infração, muito mais porque o uso do celular ao dirigir causa distração e aumenta o risco de acidentes do que por previsão legal, já que a legislação ainda é genérica e não menciona o uso da ferramenta.

Para Marcelo Saturnino, instrutor da Fiscalização de Trânsito da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Estado, ao prever como infração o fato de o motorista usar o celular ao dirigir, a legislação deixa subentendidas também as formas de uso como o viva-voz e bluetooth.

— É um assunto bem nebuloso ainda. Não existe decisão firmada do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) ou do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) a respeito do assunto. Mas uma coisa é certa, o fato de estar falando com alguém que não está junto (dentro do carro) gera distração. Não está escrito que o uso do bluetooth é proibido, mas está escrito que usar o celular ao volante é proibido. E, aí, a interpretação mais corrente, no momento, é que o uso via bluetooth também é uso do celular — pondera Saturnino.

O mesmo entendimento tem o Departamento de Trânsito (Detran) do Estado. Conforme a psicóloga da Escola Pública de Trânsito do Detran, Sinara Cristiane Tres Soares, a legislação permite autuar quem fala ao celular utilizando o bluetooth.

— Claro que é muito mais arriscado usar o celular segurando ele na mão porque, além de estar se distraindo com a conversa, vai estar com uma mão só no volante. Mas, mesmo com o bluetooth, em que não há perda na questão motora (está com as duas mãos na direção), a pessoa pode não ter tempo de reagir diante de uma situação de risco porque demorou a observar em função de estar distraída — argumenta Sinara.

FIQUE ATENTO

:: Conforme a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), uma pessoa leva, em média, de 20 a 23 segundos para enviar uma mensagem de texto com informações básicas. Na prática, significa que, deslocando-se a 60 km/h, o motorista percorrerá quatro quadras enquanto utiliza o aparelho.

:: Segundo a Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade, nos oitos primeiros meses do ano, 1,9 mil motoristas foram flagrados utilizando o celular em Caxias. O número corresponde a oito infrações por dia. O número de infrações, conforme o gerente de Educação para o Trânsito da secretaria, Joelson Queiroz, poderia ser muito maior já que muitos motoristas, quando visualizam a fiscalização, escondem o aparelho para evitar serem multados. 

:: Usar o aparelho com fone de ouvido gera multa de R$ 130,16, e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Para quem manuseia ou segura o celular, a penalização é de R$ 293,47 e sete pontos.

:: Mesmo com o veículo parado em semáforos ou pedágios, a utilização do aparelho não é permitida.

:: Se precisar pegar o celular para conferir a última ligação ou a notificação mais recente, estacione o veículo. 

:: Para os pedestres, escrever mensagens de texto e usar fones de ouvido aumentam o risco de atropelamento: é preciso atenção redobrada ao atravessar a rua, principalmente em cruzamentos.

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