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Cidade06/09/2018 | 07h30Atualizada em 06/09/2018 | 07h30

Em Farroupilha, famílias ciganas em acampamento têm apoio da igreja

Ministério Público investiga como Caxias do Sul acolhe a comunidade cigana

Em Farroupilha, famílias ciganas em acampamento têm apoio da igreja Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

O Ministério Público (MP) Estadual vai investigar como Caxias do Sul acolhe a comunidade cigana. O procedimento foi instaurado pela 5ª Promotoria de Justiça Especializada e terá a primeira audiência no próximo dia 19. A apuração foi motivada por um pedido do Centro de Atendimento ao Migrante (CAM) a partir de um episódio ocorrido em 2017.

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De acordo com a coordenadora do CAM, irmã Maria do Carmo dos Santos Gonçalves, a solicitação foi feita porque os ciganos são considerados povo nômade e, por isso, têm direito a se instalarem nas cidades por onde passam. Porém, segundo ela, em Caxias, esse direito foi negado.

Basta se aproximar da via que dá acesso ao Santuário de Caravaggio para ver as roupas coloridas e extravagantes estendidas nas cercas e nos varais e as tendas de lonas multicores dispostas em círculo. Há pelo menos oito anos, um grupo – atualmente, são 15 núcleos familiares, todos com algum grau de parentesco – acampam em um terreno, em Farroupilha, a cerca de 18 quilômetros do centro de Caxias. Alguns mais amistosos, outros mais receosos, são os homens que recebem os visitantes. Mas esse é só um dos costumes que permeiam o imaginário das pessoas sobre esse povo.  A vida itinerante e em barracas, sem dúvida, é outra. Mas é desse jeito, mudando de um lugar para outro, que eles dizem gostar de passar os dias.

O cigano Rosinei Alves, 32 anos, conta que as famílias vieram de Santa Catarina e que gostam de ficar em Farroupilha. Eles estão na cidade há cerca de dois meses e devem ficar mais uns 30 dias, antes de seguir para outro destino.

Casamentos e batizados

A permanência temporária do grupo no local é permitida pela igreja católica, dona da área. De acordo com o reitor do santuário, padre Gilnei Fronza, a relação com o grupo de ciganos está entrando na terceira geração. Em geral, eles vêm a Farroupilha na época de final de ano e ficam até passar a festa de São Gonçalo do Amarante, considerado pelo povo como o santo cigano, em 10 de janeiro. No santuário, também são realizados casamentos e batizados.

– Eles têm nossa consideração, estima, respeito e compreensão. Damos assistência religiosa e espiritual e, também, acolhida e hospitalidade. Combinamos algumas regras de boa vizinhança, somente. Quando ocorre alguma divergência com a vizinhança, temos conseguido administrar as situações e superar as dificuldades – relatou o sacerdote.

Desta vez, a vinda foi motivada por um nascimento. Há pouco mais de um mês (em 24 de julho) uma mulher do acampamento deu à luz uma menina. O parto foi realizado no Hospital Beneficente São Carlos. Além disso, um dos idosos do grupo precisou fazer uma cirurgia de catarata. O procedimento foi realizado no dia 12 de julho, em Passo Fundo.

– Precisou eles estarem aí (Caravaggio) porque tinha esta criança que estava para nascer e eles não estavam conseguindo um lugar. Isso é muito triste. O pessoal está restringindo muito o lugar de acampamento deles. Vieram pedindo para ficar ali. Diante desse argumento (nascimento) e do vô que precisou fazer cirurgia nos olhos, cedemos (o  lugar) por estes dois motivos de saúde – contou o padre.

Já a prefeitura de Farroupilha informou que o grupo não solicitou nenhum tipo de serviço social ou vagas em escolas. Mas que prestaria assistência, caso fosse requisitada. É que, para os ciganos, os acampamentos atendem às necessidades deles, inclusive, na educação dos filhos.

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