Com falta de médicos em UBSs, pacientes encaram filas na madrugada em Caxias - Geral - Pioneiro

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Saúde26/09/2018 | 07h30Atualizada em 26/09/2018 | 07h30

Com falta de médicos em UBSs, pacientes encaram filas na madrugada em Caxias

Pelo menos oito UBSs enfrentam problemas

Com falta de médicos em UBSs, pacientes encaram filas na madrugada em Caxias Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Ir às 3h da madrugada para a fila de uma unidade básica de saúde (UBS) nem sempre tem garantido a ficha para uma consulta médica em Caxias do Sul. É o que segue acontecendo em postinhos de bairros como Forqueta ou até mesmo na área central. A situação se agravou porque há grande número de médicos afastados por pedido de exoneração ou aposentadoria, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), e, por isso, não há previsão para que a situação seja resolvida.

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Ainda que a secretaria não estime quantas UBSs operam com redução de profissionais, sabe-se que Forqueta, Centro, Desvio Rizzo, Mariani, Vila Ipê, Cruzeiro, Bela Vista e Santa Lúcia Cohab apresentam déficit de profissionais, principalmente de clínicos gerais. 

_ Há muitos profissionais pedindo aposentadoria e, até que o sistema não efetive a saída deles, não podemos encaminhar a substituição porque a vaga não está aberta. Por isso há tanta demora, no serviço público as coisas funcionam assim. Mas notamos que a situação tem melhorado _ defende a diretora de Atenção Básica da SMS, Maria Elenir Anselmo.

O Pioneiro noticiou o drama dos moradores de Forqueta no início do mês de setembro. Cerca de 40 moradores e o presidente da Associação de Moradores de Bairro (Amob), Dagoberto dos Santos Júnior, reuniram-se com o titular da SMS, Geraldo da Rocha Freitas Júnior, para reivindicar mais um médico, enfermeiro, estagiário e auxiliar de enfermagem. Passados cerca de 20 dias, a comunidade segue com atendimento de apenas uma clínica geral, que atende 12 horas semanais, com acréscimo de algumas horas extras. A medida é insuficiente e revoltante, critica Dagoberto:

_ O maior problema é que Forqueta é longe do Centro, e nossos moradores nem sempre têm a possibilidade de ir ao Postão ou até a UPA para atendimento. Ainda estamos esperando um retorno da secretaria de Saúde.

Segundo a diretora de Atenção Básica da SMS, a vaga para clínico geral de Forqueta está aberta e aguardando contratação.

_ O que aconteceu ali é que a outra médica e a técnica de enfermagem se exoneraram do cargo, e a enfermeira está em licença saúde. Nós conseguimos uma enfermeira que permanece oito horas por dia na UBS, amenizando a situação _ explica Maria Elenir Anselmo.

Na fila às 3h, sem consulta

Para tentar aplacar as dores e incômodos que a sinusite tem causado na sua rotina, a dona de casa Maria Janete Alves, 33 anos, tenta, há quase uma semana, consulta na UBS Forqueta. Ela sai de casa e ruma até a UBS ainda no escuro. Mas chegar às 3h na fila pode ser tarde.

_ Quando eu chego, já tem quatro pessoas na fila. Algumas são de idade e estão lá, no relento, esperando. Quatro era o número de vagas que tinha para hoje (ontem), ou seja: perdi a vez. 

Maria Janete tentou ainda ir ao Pronto-Atendimento 24 Horas. Chegou às 6h e saiu ao meio-dia de ontem sem ter conseguido uma consulta, porque não podia esperar mais. Na tentativa de contornar o problema, adquiriu um nebulizador e usa o equipamento várias vezes ao dia, por conta própria. Pagar uma consulta particular está fora de cogitação para a dona de casa, cuja família sobrevive com a renda do marido. 

_ Nosso postinho era tão bom que sabíamos que vinha gente de fora tentar consulta. Uma vez, tinha até 10 vagas de manhã. Agora são, no máximo, cinco. Nunca tem agenda, e ninguém vê que a gente precisa muito _ lamenta.

_ Não vou de madrugada na fila, me nego. A gente fica mais doente esperando a vaga no frio. Quando precisei, há um mês, paguei uma clínica popular para ter direito a consulta _ conta a zeladora Veroni Gassuri, moradora de Forqueta há 12 anos.

Para psicólogo, demora é de um ano

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL 25/09/2018Atendimento na UBS Centro de Saúde é precário. Ionice Andrade da Silva, 27 anos, denuncia que a fila de espera para psicólogo é de um ano. (Felipe Nyland/Agência RBS)
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

No Centro de Saúde, os dois médicos que atendiam 33 horas semanais cada um, aposentaram-se. O terceiro pediu exoneração. Portanto, há consultas apenas no turno da manhã, e a demanda segue insuficiente. O dentista que atendia há anos na UBS também se aposentou. Na tarde de ontem, Ionice Andrade da Silva, 27 anos, deixava a UBS decepcionada. 

_ Eu não consigo marcar dentista, e tenho orientação médica para terapia com psicólogo. Acabaram de me avisar que preciso retornar na sexta-feira para entrar na fila de consulta da terapia, que deve levar, em média, um ano para me atender. Estou apavorada, indignada _ reclamou.

A titular do Conselho Municipal da Saúde,  Fernanda Borckhardt, adianta que a situação da rede básica é um dos temas que será tratado na pauta de uma reunião extraordinária, agendada para a próxima segunda-feira. Pela primeira vez, a reunião precisará ocorrer na Câmara de Vereadores.

_ Nós recebemos uma notificação que não podemos mais usar o espaço do conselho no prédio da SMS. Então faremos na Câmara, e iremos discutir todo plano municipal de saúde, com diversos representantes dos bairros_ adianta Fernanda.


 
 
 

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