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Saúde06/09/2018 | 06h00Atualizada em 06/09/2018 | 06h00

Cirurgia para tratar câncer de criança em Caxias é inédita no Estado

O procedimento foi realizado no Hospital Pompéia há um mês, e traz alívio à família de Davi da Silva de Lima

Cirurgia para tratar câncer de criança em Caxias é inédita no Estado Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Exemplos positivos do bom funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) em Caxias do Sul existem e enchem de esperança famílias que buscam ajuda sem desembolsar um tostão. O caso mais recente e comemorado pela comunidade médica foi uma cirurgia, inédita no Rio Grande do Sul, usada no tratamento contra o câncer em uma criança de nove anos. 

O procedimento foi realizado no Hospital Pompéia há um mês, e traz alívio à família de Davi da Silva de Lima. No início do ano, o menino foi diagnosticado com um tumor nos ossos, chamado de sarcoma de Ewing, doença que acomete principalmente crianças e adolescentes. A cirurgia, conduzida pelo cirurgião ortopedista Gustavo Gil, integra uma técnica chamada de osso congelado pediculado. Ela retira parte do osso e congela a parte acometida em nitrogênio líquido, matando as células cancerígenas. Após, reimplanta no paciente o osso. 

– A técnica de osso congelado já é utilizada em alguns casos, mas nesse, em específico, pela localização do tumor, foi possível fazer a técnica e não tirar totalmente o osso dele, girando a perna, fazendo o congelamento do nitrogênio e depois recolocando no lugar. Em vez de cortar o osso em dois lugares, cortamos em um só. Ele recebeu de volta todo o osso, evitando riscos de rejeição, como no caso de uma prótese – explica o médico.

Durante oito horas, 10 profissionais foram responsáveis pela cirurgia que impressiona pelo alto grau de complexidade. Nos casos de câncer nos ossos, como o de Davi, o tratamento convencional é feito por meio de próteses, de enxerto de tecido ósseo de banco de doadores ou  do próprio paciente. Há casos em que é necessária, inclusive, a amputação. 

Por isso, a aposta do cirurgião na técnica trazida pelo Japão reduziu os riscos de rejeição e aumentou a qualidade de vida do paciente, já que nenhum corpo estranho foi inserido na criança. 

Diagnóstico

Em janeiro, Davi levou um tombo e passou a sentir fortes dores. A queda serviu de alerta, e exames mostraram a existência de um tumor maligno que já estava na perna esquerda há bastante tempo. A porta de entrada do serviço foi a unidade básica de saúde Santa Lúcia, já que a família é moradora da comunidade de Monte Bérico. O diagnóstico foi feito no final de janeiro e, em março, a criança já passava pelas primeiras sessões de quimioterapia no Hospital Geral. 

– Vemos muitos casos de pessoas que sofrem com o SUS, com a demora, mas nós tivemos muita sorte. Deu tudo certo. Confiamos no médico quando ele falou dessa técnica, e eles nos trataram muito bem – elogia a mãe de Davi, Lucia Jussara Robalo da Silva, 35.

No aniversário, o desejo de comer um xis

O tratamento de Davi incluiu ainda um pacote de sessões de quimioterapia pré e pós operatórias, com o objetivo de fazer o tumor regredir. O menino reagiu bem ao tratamento, o que possibilitou que a cirurgia acontecesse com mais tranquilidade. 

Ele se recupera em casa, ao lado da família, e comemorou os nove anos no dia 22 de agosto. A festa foi em casa, quando recebeu a visita de um amigo da mesma faixa etária e que se recupera de uma leucemia. A comemoração foi especial, como lembra a mãe:

– Eles comeram um xis, que era uma vontade do Davi. Foi bonito de ver.

Obviamente, a complexidade da cirurgia não possibilita que ele retome imediatamente a rotina – está afastado das aulas do 3º ano do Ensino Fundamental do Escola Arnaldo Ballve e ainda não caminha. No entanto, a luta para vencer o câncer ganha mais um capítulo com desfecho otimista.

– Para mim, o câncer já ficou para trás – resume a mãe.

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