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Violência contra a mulheres - parte 511/07/2018 | 11h00Atualizada em 11/07/2018 | 11h00

Vítimas estão sendo estimuladas a criar produtos para gerar renda e conquistar autonomia em Vacaria

Projeto de Design Social é iniciativa de uma profissional de 30 anos

Vítimas estão sendo estimuladas a criar produtos para gerar renda e conquistar autonomia em Vacaria Arquivo pessoal/Divulgação
Mulheres já participaram de workshop onde aprenderam alguns conceitos sobre design Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

A primeira relação que você faz do design certamente é com um produto, gráfico ou interiores, certo? Em Vacaria, é a ferramenta de transformação social. A proposta está sendo implementada pela designer Analu Jaqueline da Silva Silva, 30, por meio do projeto Acolher. Para quem desconhece, trata-se do Design Social, abordagem que foca na responsabilidade do profissional da área dentro de uma comunidade e no processo do design para uma mudança de comportamento. No mundo, diversos profissionais de renome têm se destacado por usarem a ferramenta em debates sobre a pobreza e os desafios climáticos, por exemplo. Em Vacaria, é uma aposta que rompe paradigmas pela forma inédita como a violência contra as mulheres pode ser domada e vencida. 

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Analu reconhece que o tema é complexo e resume a proposta da seguinte forma: contribuir para o empoderamento das mulheres do Acolher por meio de oficinas, aulas e palestras que tragam o conhecimento e o autoconhecimento. Para isso, serão organizados workshops com designers voluntários para a criação coleções de produtos com o objetivo de gerar renda. O primeiro deles já ocorreu e teve a presença da estilista Nathália Gasperin.

— A ideia foi oferecer uma noção de como nascem os produtos que fazem parte do nosso cotidiano, para que elas possam desenvolver colaborativamente com os designers os produtos dos próximos workshops. Teve ainda o intuito mostrar a moda que é para todos, que valoriza a diversidade e que trás propostas para os mais diversos estilos — exemplifica Analu.

No mesmo evento, as mulheres tiveram acesso às propostas de atividades do projeto e também ao nome da marca que poderá representar os produtos que elas desenvolverão.

— Fizemos duas dinâmicas voltadas para a questão do amor próprio e do companheirismo. Elas fizeram uma atividade, onde criaram mood bords  (ferramenta usada por designers para organizar e traduzir visualmente uma ideia, definir um estilo) em cartolinas, com recortes de revista, de peças de vestuário, acessórios, cores, maquiagem, entre outras coisas que elas gostassem. A ideia era trazer a questão do autoconhecimento a ajudá-las a identificar o seu próprio estilo. Na área de desenvolvimento de produtos, foram oferecidas várias opções e o mais votado pelas mulheres foi o de customização de roupas. 

A designer lembra que o projeto ainda está sendo gestado e dependerá do apoio de muitos setores para angariar recursos. 

Analu teve a ideia do Design Social quando desenvolvia o trabalho de conclusão do curso na faculdade, sob a orientação do professor Júlio Colbeich.

— Meu irmão começou a trabalhar como estagiário no Ministério Público e falava sobre a questão da violência doméstica. Comecei a pensar sobre onde o design poderia entrar. Descobri o What Design Can Do, que é uma conferência internacional. No final de 2016, eles estiveram pela primeira vez no Brasil com dois temas: questões climáticas e violência doméstica. No final de 2017, a conferência trouxe novamente o tema da violência doméstica para a pauta, vendo o quanto o assunto repercutiu no ano anterior e precisava ser trabalhado — destaca.

Paralelamente, também serão desenvolvidos workshops de automaquiagem, manicure e dança, entre outros, que serão oferecidos por voluntários da comunidade.

Você conhece a Júlia?

Júlia é uma personagem criada pela designer Analu Silva, que representa as vítimas de agressões e integra a campanha do Acolher. Júlia é ilustrada expressando emoções que podem servir de alerta indiciando que há algo de errado acontecendo com ela e com outras mulheres. O primeiro desenho mostra uma mulher feliz. As duas últimas artes revela uma mulher machucada.  No início de junho, um grupo expôs o rosto de Júlia num banner em duas esquinas da cidade para chamar a atenção.

— Conseguimos atingir um número grande de pessoas, sendo que a maioria delas estiveram abertas e interessadas em saber sobre o projeto. Muitas contribuíram com doações.

A ideia é expor a personagem em outdoor, mas faltam recursos. Também serão confeccionados cartazes e os voluntários sonham em divulgar a campanha em rádios e TV. 

Projeto Acolher em Vacaria está realizando diversas ações contra a violência doméstica na cidade.
Personagem Júlia serve de alerta para o ciclo da violência contra as mulheresFoto: Arquivo pessoal / Divulgação

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