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Patrimônio28/07/2018 | 08h40Atualizada em 26/12/2018 | 15h46

Prefeitura de Vacaria licitará estudo para regularizar o tombamento de Catedral

Quando perdeu o último recurso, a prefeitura foi condenada a cumprir a decisão de maio de 2017

Prefeitura de Vacaria licitará estudo para regularizar o tombamento de Catedral Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

 Se a diocese de Vacaria e a empresa ARS insistem na defesa das obras de restauro da Catedral de Vacaria até a última instância, a prefeitura de Vacaria já decidiu acatar a decisão do TJ. Quando perdeu o último recurso, foi condenada a cumprir a decisão de maio de 2017, que dava um ano para a elaboração de um projeto de tombamento. Nada foi feito e o prazo acabou no último dia 5 de maio. Em junho, o promotor Luis Augusto Costa notificou a prefeitura para a regularização do tombamento, sob pena de multa diária.

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Parte 2: Polêmica marca reforma da Catedral de Vacaria
Parte 3: "Queríamos trazer de volta a originalidade", diz arquiteto do restauro de Catedral de Vacaria  

Conforme o procurador-geral do município, Carlos Paim, houve reunião com o MP e a prefeitura se comprometeu a dar continuidade ao projeto. Ele não soube, porém, dizer porque nada havia sido feito até o momento. 

— Ali, a gente descobriu que já havia um pré-trabalho com a UCS. E vamos tentar retomar esse estudo e dar o tombamento final, cumprir a sentença. Primeiro fazer o estudo para ver o que deve ser feito — aponta.

O secretário de Planejamento e Urbanismo, João Acauan Filho, tentou retomar o contato com a universidade para a elaboração do projeto. As partes se reuniram nesta sexta-feira mas, conforme o secretário, a instituição informou que não tinha capacidade técnica para comandar o restauro do imóvel. 

— Eles nos deram contatos de profissionais capacitados para isso, agora vamos fazer orçamento e abrir licitação para o projeto — aponta. 

Mesmo assim, as partes seguem em tratativas para debater sobre o restauro da praça General Daltro Filho, já que o entorno da igreja também precisa ser preservado. Isso não significa, no entanto, que a prefeitura está livre de multa. Conforme Costa, o município ainda não se manifestou em juízo sobre o término do prazo para o tombamento. 

— Eles não se manifestaram pedindo mais prazo. Informalmente, disseram que não havia nada encaminhado. Mas vai vir resposta em juízo e ali nós vamos nos manifestar. Eles vão ter que explicar porque a decisão ainda não foi cumprida — aponta. 

O que será da Catedral?

A regularização do tombamento e a decisão do STJ vão definir, no final, qual é a Catedral que será preservada para o futuro. A esperança da servidora pública Gabriele Rigon, uma das denunciantes, é um dia ter de volta a Catedral de sua infância.

— Isso acaba trazendo uma sensação de perda muito grande, porque a gene tem uma sensação de pertencer ao lugar e que o lugar pertence à gente. Quando a gente volta, a gente busca esses lugares que a conhecia. A Catedral de Vacaria é um desses locais em que o tempo passa diferente e eu achei que jamais iam tocar nela de forma tão agressiva como fizeram — lamenta. 

Manter a reforma, para ela, é desrespeitar a comunidade, os construtores da igreja e as pessoas que não puderam conhecer o monumento. Ela espera que a justiça venha com a determinação de reversão das obras e início de uma restauração verdadeira. 

— É inadmissível que hoje uma pessoa venha e coloque seu próprio desenho, seu jeito de pintar, em cima de uma obra que na época não existia nem tinta acrílica. É muito mais que uma escolha de cores, é toda uma história carregada por trás disso. Acho inadmissível que permaneça como está. A comunidade, a sociedade merece isso e a Catedral merece esse respeito.  

O bispo Dom Irineu Gassen também espera um desfecho rápido, mas que mantenha o investimento realizado pela paróquia.

— A questão foi talvez mal encaminhada, mas não houve acompanhamento das autoridades nessa questão. Nós estamos nos mantendo nessa direção, que a Catedral é de propriedade da Igreja. Deveríamos ter orientação do patrimônio histórico, que tem toda uma estrutura. Tem gente que está querendo que se refaça metade do trabalho que foi feito, em que foram gastos R$ 600, R$ 700 mil. E a pergunta é, se é patrimônio histórico, quem vai pagar isso? Não sei, nós estamos diante de um boi sem chifre. Sem ter por onde agarrar? Na cabeça não dá para agarrar e no rabo ele leva a gente junto. Não tem outra — desabafa. 

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