Prefeitura de Vacaria licitará estudo para regularizar o tombamento de Catedral - Geral - Pioneiro

Versão mobile

 

Patrimônio28/07/2018 | 08h40Atualizada em 03/08/2018 | 14h05

Prefeitura de Vacaria licitará estudo para regularizar o tombamento de Catedral

Quando perdeu o último recurso, a prefeitura foi condenada a cumprir a decisão de maio de 2017

Prefeitura de Vacaria licitará estudo para regularizar o tombamento de Catedral Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

 Se a diocese de Vacaria e a empresa ARS insistem na defesa das obras de restauro da Catedral de Vacaria até a última instância, a prefeitura de Vacaria já decidiu acatar a decisão do TJ. Quando perdeu o último recurso, foi condenada a cumprir a decisão de maio de 2017, que dava um ano para a elaboração de um projeto de tombamento. Nada foi feito e o prazo acabou no último dia 5 de maio. Em junho, o promotor Luis Augusto Costa notificou a prefeitura para a regularização do tombamento, sob pena de multa diária.

Leia mais
Parte 1: Justiça analisa reforma da Catedral de Vacaria   
Parte 2: Polêmica marca reforma da Catedral de Vacaria
Parte 3: "Queríamos trazer de volta a originalidade", diz arquiteto do restauro de Catedral de Vacaria  

Conforme o procurador-geral do município, Carlos Paim, houve reunião com o MP e a prefeitura se comprometeu a dar continuidade ao projeto. Ele não soube, porém, dizer porque nada havia sido feito até o momento. 

— Ali, a gente descobriu que já havia um pré-trabalho com a UCS. E vamos tentar retomar esse estudo e dar o tombamento final, cumprir a sentença. Primeiro fazer o estudo para ver o que deve ser feito — aponta.

O secretário de Planejamento e Urbanismo, João Acauan Filho, tentou retomar o contato com a universidade para a elaboração do projeto. As partes se reuniram nesta sexta-feira mas, conforme o secretário, a instituição informou que não tinha capacidade técnica para comandar o restauro do imóvel. 

— Eles nos deram contatos de profissionais capacitados para isso, agora vamos fazer orçamento e abrir licitação para o projeto — aponta. 

Mesmo assim, as partes seguem em tratativas para debater sobre o restauro da praça General Daltro Filho, já que o entorno da igreja também precisa ser preservado. Isso não significa, no entanto, que a prefeitura está livre de multa. Conforme Costa, o município ainda não se manifestou em juízo sobre o término do prazo para o tombamento. 

— Eles não se manifestaram pedindo mais prazo. Informalmente, disseram que não havia nada encaminhado. Mas vai vir resposta em juízo e ali nós vamos nos manifestar. Eles vão ter que explicar porque a decisão ainda não foi cumprida — aponta. 

O que será da Catedral?

A regularização do tombamento e a decisão do STJ vão definir, no final, qual é a Catedral que será preservada para o futuro. A esperança da servidora pública Gabriele Rigon, uma das denunciantes, é um dia ter de volta a Catedral de sua infância.

— Isso acaba trazendo uma sensação de perda muito grande, porque a gene tem uma sensação de pertencer ao lugar e que o lugar pertence à gente. Quando a gente volta, a gente busca esses lugares que a conhecia. A Catedral de Vacaria é um desses locais em que o tempo passa diferente e eu achei que jamais iam tocar nela de forma tão agressiva como fizeram — lamenta. 

Manter a reforma, para ela, é desrespeitar a comunidade, os construtores da igreja e as pessoas que não puderam conhecer o monumento. Ela espera que a justiça venha com a determinação de reversão das obras e início de uma restauração verdadeira. 

— É inadmissível que hoje uma pessoa venha e coloque seu próprio desenho, seu jeito de pintar, em cima de uma obra que na época não existia nem tinta acrílica. É muito mais que uma escolha de cores, é toda uma história carregada por trás disso. Acho inadmissível que permaneça como está. A comunidade, a sociedade merece isso e a Catedral merece esse respeito.  

O bispo Dom Irineu Gassen também espera um desfecho rápido, mas que mantenha o investimento realizado pela paróquia.

— A questão foi talvez mal encaminhada, mas não houve acompanhamento das autoridades nessa questão. Nós estamos nos mantendo nessa direção, que a Catedral é de propriedade da Igreja.

— Deveríamos ter orientação do patrimônio histórico, que tem toda uma estrutura. Eles deveriam ter vindo, e dizer como tem que ser, com a prefeitura junto. No mesmo processo, tem a prefeitura e também o artista que fez o trabalho.  Devíamos ter orientações, mais claras e mais agilizadas.

Ele reconhece a igreja como patrimônio, mas espera que o desfecho mantenha o investimento realizada. 

— Tem gente que está querendo que se refaça metade do trabalho que foi feito, em que foram gastos R$ 600, R$ 700 mil. E a pergunta é, se é patrimônio histórico, quem vai pagar isso? Não sei, nós estamos diante de um boi sem chifre. Sem ter por onde agarrar? Na cabeça não dá para agarrar e no rabo ele leva a gente junto. Não tem outra — desabafa. 

Leia também
Antônio Prado, a cidade mais italiana do Brasil, luta para manter seu patrimônio histórico
Mesmo tombados, prédios históricos de Caxias do Sul correm o risco de desaparecer

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros