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Opinião12/07/2018 | 14h44Atualizada em 12/07/2018 | 14h44

Não vamos nos submeter, por Francisco Turra

Autor é Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), ex-ministro da Agricultura

Não vamos nos submeter, por Francisco Turra reprodução/
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Regra essencial dos negócios e das relações sociais: a parceria entre duas ou mais partes só é efetiva quando todos estão em harmonia. Quando há esforços mútuos para que a união prospere, gerando crescimento para os envolvidos. Diversos são os exemplos disso que deram certo. No campo, a conexão da Embrapa com os produtores fez muitas propriedades darem um salto de profissionalismo e inovação. No comércio internacional, temos exitosos vínculos com países como Argentina, África do Sul e Emirados Árabes, por exemplo. São acordos importantes para o desenvolvimento do Brasil e de outras nações.

Mas como fazer quando um lado tenta submeter o outro? Como lidar quando um parceiro prejudica esse avanço conjunto? É o que o setor de proteína animal tem enfrentado em relação à União Europeia.

Recentemente, o bloco europeu suspendeu os embarques de 20 plantas avícolas brasileiras, alegando questões sanitárias – casos pontuais, ressalte-se, já corrigidos e sem riscos. Uma decisão desproporcional e inconsistente diante das regras estabelecidas pelo Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em suma, trata-se de puro protecionismo, e que causam mais espanto pelo passado da região. A União Europeia há muito sofre com surtos da influenza aviária, algo que nunca atingiu o Brasil. Além disso, casos recentes expuseram os europeus a riscos de contaminação, como o 2 Sisters, maior fornecedor de frango do Reino Unido, flagrado adulterando a data de validade dos produtos.

Agora, vemos o acirramento do protecionismo ganhar novos capítulos, com a aplicação, pela China, de tarifas antidumping contra nossa carne de frango, por supostos prejuízos devido a preços mais baixos do produto. Não há qualquer nexo causal entre os embarques do setor e eventuais situações mercadológicas locais. Todos os aclaramentos foram apresentados. Mesmo assim, a medida foi aplicada, em uma investigação que considerou até mesmo empresas que não exportam produtos para este mercado.

As duas medidas devem ser questionadas na OMC. Mas cabe a reflexão: devemos prosseguir com acordos bilaterais nessas condições? Vale permanecer ao bel-prazer protecionista, que coloca empregos em risco?

Não podemos ceder às pressões e às ameaças. As parcerias comerciais são necessárias, mas exigem equilíbrio. Temos uma sólida trajetória no mercado exportador, com combinação exclusiva de atributos no cenário internacional. Com firmeza, o Brasil precisa fazer valer a sua voz. Não vamos nos submeter.

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