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Baderna e sujeira 16/07/2018 | 09h06Atualizada em 16/07/2018 | 09h07

Moradores e empresários reclamam de baderna de jovens na Perimetral Norte em Caxias

Grupos se reúnem próximo a um posto de combustível no bairro Sagrada Família 

Moradores e empresários reclamam de baderna de jovens na Perimetral Norte em Caxias Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A Avenida Ruben Bento Alves (Perimetral Norte), nas imediações do bairro Sagrada Família, é um famoso ponto de encontro de jovens em Caxias do Sul. De quinta-feira a domingo, eles se concentram entre as rótulas da Randon e da Caixa Econômica Federal para ouvir música, beber e se divertir. O problema é que, muitas vezes, a diversão é acompanhada por baderna e confusão. O cenário ao amanhecer, principalmente aos sábados e segundas-feiras, é sempre o mesmo: garrafas quebradas, copos, preservativos, roupas íntimas e até fezes e urina pelas calçadas. Não raro há manchas de sangue que indicam frequentes brigas e tumultos. 

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Os frequentes chamados (veja abaixo) para atender ocorrências de perturbação ao sossego público motivaram a criação, em maio deste ano, de uma patrulha específica para combater esses tumultos. A iniciativa da Brigada Militar conta com o apoio dos fiscais da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SDU). As ações dispersam os jovens, mas é por pouco tempo. Na próxima noite ou no final de semana seguinte, sem os policiais por perto, a aglomeração e o tumulto se repetem. 

A sujeira, a música alta, o ronco dos motores dos carros e os rachas atrapalham moradores e empresários das proximidades, que já não sabem mais a quem recorrer para resolver a situação. O presidente do bairro Sagrada Família, Ângelo Volnei Pasqual, define o sentimentos de impotência de quem mora nas imediações e convive com a confusão e o caos a cada final de semana:

— O posto de gasolina fecha, mas a loja de conveniência continua aberta e a gurizada fica ali na rua, eles continuam bebendo e vai acumulando o lixo nas calçadas e em frente ao comércio. Todos os finais de semana tem tumulto e baderna. Não sabemos mais o que fazer, é um absurdo, uma vergonha. Os moradores acabam se resignando, porque não adianta mais. A Brigada passa ali, fiscaliza, faz ações, aí eles se dispersam e por um tempo vão para outro lugar, mas sempre acabam voltando. 

Sujeira

A concentração dos jovens na via começa cedo, por volta de 19h. Eles se aglomeram próximo a um posto de combustível e quando o posto fecha, seguem nas imediações. A entrada de concessionárias de veículos, farmácia, empresas e até mesmo da Escola Estadual de Ensino Médio Apolinário Alves dos Santos ficam cobertas de lixo. No colégio, garrafas e latas de bebidas são colocadas nas grades. O posto de combustível também não escapa do descarte de embalagens de bebidas, tocos de cigarro e demais objetos jogados no chão.

Um dos funcionários do posto, que prefere não se identificar, desabafa:

— É um caos. Muita sujeira. Já encontramos até fezes espalhadas nas paredes, cuecas sujas e preservativos espalhados por tudo. 

Em uma revenda de veículos nas proximidades, um dos gerentes, que tem o nome preservado pela reportagem, conta que aos sábados e segundas o acúmulo de sujeira aumenta.

— O pessoal da limpeza não tem obrigação alguma de limpar as calçadas, mas acabamos nos ajudando. Quando abro a loja, recolho o lixo, porque os clientes vão encontrar um cenário de guerra. Eles chegam quando ainda estamos abertos aos sábados e os carros ficam no nosso estacionamento, então até os clientes ficam sem jeito _ ressalta. 

Ele lembra ainda que um jovem foi assassinato nas proximidades após tumultos (leia abaixo):

— Já teve até um crime aqui. Um jovem foi morto. Eles bebem e são de turmas diferentes e uma coisa acaba levando a outra. No verão é ainda pior: chegam a colocar cadeiras de praia e ficam ali sentados bebendo e jogando o lixo em frente às lojas. Não sei o que pode ser feito, mas precisam fazer algo.

A situação é a mesma em uma farmácia nas proximidades. A funcionária, que tem a identidade preservada, conta que os clientes têm até dificuldade para entrar no local:

— No domingo à tarde começa o tumulto, e quando fechamos ainda estão aqui pela frente. Eles ocupam o estacionamento dos clientes, o que gera reclamações e até desconforto para quem precisa de medicação. 

Sem contêineres

A colocação de contêineres na rótula poderia ao menos eliminar parte do lixo que é deixado pelo jovens. De acordo com a gerência operacional da Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul (Codeca), a implantação está em estudo para integrar o projeto de expansão de áreas que tenham coleta mecanizada. Contudo, não há prazo definido para iniciar. A Codeca sugere que seja protocolada uma solicitação na Central de Atendimento, pelo 3224.8000. 

Brigada Militar pretende reforçar policiamento 

O subcomandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM), major Emerson Ubirajara de Souza, afirma que a patrulha realiza ações todos os finais de semana em diversos pontos que são considerados os mais problemáticos da cidade. Ele aponta, contudo, que Caxias do Sul tem uma particularidade: os jovens migram de local e a aglomeração volta a gerar problemas.

—  Nas imediações da Estação Férrea, em outros postos de combustíveis e demais pontos da cidade não tivemos mais problemas. Especificamente sobre a rótula da perimetral estivemos ali recentemente porque ocorreu chamado via 190, mas não estava entre os locais que nos preocupavam. Contudo, essa é uma característica da cidade: quando realizados patrulhamentos eles procuram outro lugar para se divertir, destaca. 

Ele ressalta ainda que a Brigada irá reforçar o patrulhamento para tentar minimizar a baderna:

— Vamos ampliar o policiamento nessas áreas. Mas devido a essa característica (de migração para outro ponto de encontro quando há ações), não significa que a comunidade estará livre de que eles voltem a se reunir nas proximidade. 

Situação não é recente 

Em junho de 2016, empresários responsáveis por oito empresas das proximidades assinaram um documento solicitando providências da prefeitura e da Brigada Militar para resolver a situação da baderna na Perimetral Norte. Os órgãos de segurança e o município responderam ao pedido e ampliaram o policiamento, mas com o passar do tempo os jovens voltam a se reunir no mesmo local.

Uma das alternativas em análise por pelo menos uma das revendas de veículos é cercar o acesso ao estacionamento com correntes. Essa é inclusive a sugestão do fiscal Paulo Vega, da Secretaria do Desenvolvimento Urbano de Caxias do Sul, que atua junto a Brigada Militar nas ações para inibir a perturbação do sossego público. 

— O que poderia ser feito nas imediações seria que os empreendedores impedissem o estacionamento, como faz o posto de combustível, com uma corrente. Essa medida iria inibir que fiquem estacionados em frente às revendas. 

DENÚNCIAS 

Confira o número de ligações feitas para a Brigada Militar pelo 190 para denunciar perturbação do sossego público de janeiro a junho deste ano: 

Janeiro: 38

Fevereiro: 28

Março: 55

Abril: 53

Maio: 41

Junho: 37 

Morte

Em 20 de maio do ano passado, Guilherme Ferreira dos Santos Jung, 27 anos, foi morto numa briga na Perimetral Norte. As investigações da Polícia Civil apontaram que ele foi ferido por uma jovem de 18 anos, que alegou legítima defesa. Após ser golpeado no peito com um canivete, Jung retornou para o seu carro, um Ônix, e seguiu em busca de socorro. Ele rodou com veículo por cerca de 50 metros até bater num carro estacionado, onde morreu.

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