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Heróis anônimos - parte 114/07/2018 | 07h30Atualizada em 14/07/2018 | 07h30

Homens e mulheres usam as horas de folga para salvar vidas na Serra

Região concentra 15 dos 45 batalhões de bombeiros voluntários do Estado

Homens e mulheres usam as horas de folga para salvar vidas na Serra Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Bombeiros de Garibaldi prestam diferentes tipos de socorro à população Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O caminhoneiro Sandro Catto, 42 anos, tem poucas memórias do conturbado 19 de abril deste ano, data em que se acidentou no km 103 da RSC-453, no acesso ao distrito de Tamandaré, entre Bento Gonçalves e Garibaldi. Lembra que a moto que pilotava foi derrubada por uma Kombi e que, ao cair no chão, perdeu a consciência. O socorro demorou poucos minutos. Com ferimentos graves, Catto foi direcionado para o hospital referência da região em traumatologia, e ainda acalmado quando acordou na ambulância. 

— No hospital, o médico me disse que qualquer movimento errado que tivessem feito contigo durante o socorro poderia ter consequências irreparáveis na coluna. Eu poderia ficar sem caminhar, poderia nunca mais recuperar meus movimentos. Mas foi feito tudo certo. Anjos me salvaram.

Ele se emociona ainda mais porque seu resgate foi liderado por uma equipe que admira há tempos: os bombeiros voluntários de Garibaldi, pessoas que dispõem do tempo livre em prol do próximo. São vidas como a do caminhoneiro que os bombeiros fazem renascer com seu trabalho. No Dia Estadual do Bombeiro Voluntário, celebrado pela primeira vez neste 13 de julho, a Serra dá exemplo ao mostrar que solidariedade e iniciativa, felizmente, não estão em falta por aqui. Pelo menos 15 corporações de bombeiros da região trabalham dia e noite, muitas vezes colocando sua vida em risco, sem ganhar um centavo em troca.

No Estado, são 45 batalhões voluntários, e a região da Serra concentra quase 35% desse número. É a alternativa para que municípios menores não fiquem descobertos, sem proteção emergencial. Estima-se que apenas 30% das cidades gaúchas tenha uma corporação de bombeiros, o que comprova que a alternativa comunitária se consolida como a melhor saída. Há profissionais lotados de forma fixa e remunerados em cada um dos batalhões, mas ainda que hoje dediquem-se exclusivamente à profissão, todos já atuaram como voluntários. 

Dedicação

Em Garibaldi, quem coordena os 15 contratados e 30 voluntários são dois voluntários, o comandante Jorge Castro e a presidente Márcia Canzi. A presidente decidiu que seria bombeira ao perder uma familiar após um infarto. Pensou em unir a vontade de voluntariar a algo que pudesse ensinar a lidar com emergências, inclusive evitando tragédias familiares como a que viveu. 

Do curso de bombeira civil para a presidência da entidade foi um passo rápido, já que entrou em 2012 na corporação. Ela é formada em Administração, cursa Pedagogia e trabalha diariamente em uma escola do município. Boa parte das tardes são dedicadas à corporação, além de ajudar nos plantões, inclusive fins de semana e feriados. A situação do comandante é parecida. De segunda a sexta, além de coordenar a parte operacional do quartel, é gestor de uma concessionária de carros. Pelas 30 horas semanais que dedica à corporação, recebe o agradecimento da comunidade. 

— O que dedicamos é o nosso tempo, que é o mais importante que temos hoje em dia. A gente não nega atendimento à população nunca, e é por isso que os bombeiros de Garibaldi existem há 38 anos. Todo chamado que chega pelo 193 é atendido, porque a pessoa que está do outro lado da linha não sabe mensurar. Para ele, todo chamado é grave — explica o comandante.

SAIBA MAIS

:: Embora muitas vezes reconhecidos pelo Estado como de utilidade pública, os Corpos de Bombeiros Voluntários (CBVs) não integram administração direta ou indireta, e trabalham cooperando nos setores como defesa civil, entre outros serviços.

:: Na Organização de Bombeiro Voluntário a administração é local e composta por um conselho gestor com participação de membros e vários segmentos da sociedade civil organizada, que confere legitimidade e transparência, principalmente na administração dos recursos públicos.

:: O bombeiro voluntário é reflexo do exemplo adotado em nações desenvolvidas da América do Norte, Europa, Ásia e Oceania. A organização voluntária e o terceiro setor são movimentos consolidados nos países desenvolvidos e existem no Brasil desde 1892; a célula gaúcha data de 1977.

:: Na Serra, as corporações voluntárias estão presentes nos municípios de Garibaldi, Nova Petrópolis, São Sebastião do Caí, Carlos Barbosa, Serafina Corrêa, Feliz, Picada Café e Jaquirana, Bom Princípio, São Vendelino, Salvador do Sul, Antônio Prado, Nova Prata e Marau.

:: Estima-se que apenas cerca de 30% dos municípios gaúchos tenham cobertura de corporações de bombeiros. Ou seja: a criação de corporações voluntárias se torna uma alternativa inteligente e que supre boa parte das demandas de emergência, avalia o presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários do Rio Grande do Sul (Voluntersul), Edson Eduardo Rother.

— Quem prova que é a melhor alternativa são a história, as estatísticas, os países desenvolvidos. Nós fizemos um estudo que é inviável e impossível todos os municípios do país, ou até do Estado, ter um bombeiro de forma estatal. Consumiria uma porcentagem absurda do PIB — explica Rother.

:: São fundadas, em média, duas corporações voluntárias anualmente. Estão em andamento a criação das corporações de Nova Araçá e Tupanciretã. 

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