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Saúde 18/07/2018 | 19h15Atualizada em 19/07/2018 | 15h53

Faltam 20 medicamentos na rede de saúde pública em Caxias

Previsão da Secretaria Municipal da Saúde é de que situação seja normalizada em 15 dias

Faltam 20 medicamentos na rede de saúde pública em Caxias Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Correção:  Não há falta de medicamentos da UPA Zona Norte, como havia sido publicado anteriormente apenas no Pronto-Atendimento 24 Horas, no Centro Especializado de Saúde e nas unidades básicas de saúde.  A informação incorreta permaneceu publicada entre 19h14min do dia 18/07/2018 e 15h49min do dia 19/07/2018. 

Pelo menos 20 medicações distribuídas gratuitamente estão em falta na rede pública de saúde em Caxias do Sul. A situação provoca angústia nos pacientes, já que são remédios de uso contínuo e a previsão é de que demore pelo menos 15 dias para que sejam repostos. Esses medicamentos (veja a lista abaixo) não estão disponíveis na farmácia do Centro Especializado de Saúde (CES) e tampouco nas unidades básicas de saúde ou nas farmácias do serviços de urgência e emergência do Pronto-Atendimento 24 Horas (Postão) e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Zona Norte. 

Na lista há antibióticos, antidepressivos, anti-inflamatório, ansiolíticos, analgésicos, remédios que auxiliam na prevenção de infarto e acidente vascular cerebral, medicações para doença pulmonar obstrutiva crônica, para controle da pressão, insuficiência, cardíaca, entre outros. 

A aposentada Maria de Luz, 68 anos, toma diazepam para controlar a ansiedade. Esse é um dos medicamentos que está em falta. Ao chegar a Farmácia do CES, ontem à tarde, ela encontrou as portas fechadas. A confusão aumentou, porque na verdade além da falta de medicamentos, o local estava fechado para o balanço mensal. 

— Preciso do diazepam para conseguir dormir tranquila. Está fechada a farmácia, é porque chegou a medicação, certo? — questionou.

A pedagoga Maria Inês Alves, 56, revoltou-se com a situação. Nenhum dos remédios que ela toma estava em falta, mas ela acompanhou a aflição de outros usuários:

— Está na hora do prefeito resolver a questão da saúde. Está um caos. Nós pagamos impostos, e não é pouco, a saúde pública não é um favor. Mas quando precisamos do serviço e de medicações básicas, não tem. 

Para que o tratamento não seja interrompido, muitos pacientes precisam comprar a medicação, e nem sempre têm a quantia à disposição. Esse é o caso da vendedora Kelen Souza Oliveira, 29. Ela esteve na UPA Zona Norte com a filha Nicoly Oliveira Fusconi, seis, no último domingo. A menina estava com febre e o diagnóstico foi de amigdalite. A médica receitou amoxicilina, um antibiótico. Ela recebeu uma caixa, mas a menina precisa de duas para concluir o tratamento. 

— Ainda não comprei a medicação por não ter condições. Eu me pergunto, o que fazer? Interromper o tratamento das crianças? A situação da nossa saúde é lamentável. 

A estudante Melany Barbosa Borges, 17, também saiu do CES sem a medicação. Ela está resfriada e já que não há previsão para a chegado do remédio prefere comprar o remédio:

— Consultei no postinho (UBS) do Madureira, mas não vou esperar chegar. Vou comprar a medicação para melhorar. 

Estoques devem ser normalizados em 15 dias

O secretário da Saúde, Geraldo da Rocha Freitas Júnior, atribui a falta de medicações a atrasos, cancelamentos e desistência de fornecedores. Ele explica que a administração pública tem um trâmite burocrático para a compra:

— Tivemos desabastecimento porque alguns fornecedores que venceram a licitação atrasaram as entregas ou desistiram, então precisamos de um novo processo e também há falta dos remédios no mercado. A demanda aumentou também. No ano passado, o investimento em medicação foi de pouco mais de R$ 8 milhões e neste ano, na metade do ano, já estamos em R$ 7 milhões. 

O secretário garante ainda que em 15 dias os estoques devem estar normalizados.

— Sei que a situação provoca angustia e aflição, por isso peço que a população se tranquilize, porque as medicações estão em processo de compra e até o final do mês os estoque estarão renovados. Em casos graves a orientação é que os pacientes procurem atendimento médico para tentar trocar a medicação por remédios similares, para não comprometer o quadro clínico. 

Os medicamentos em falta 

# Aciclovir comprimido 200mg 

#Ácido Acetilsalicílico comprimido 

#Amoxicilina 50mg/ml + Clavulanato 12,5mg/ml pó para suspensão frasco 75ml

# Ampicilina cápsula 500mg

#Azitromicina comprimido 500mg 

# Azitromicina pó para suspensão oral 40mg/ml frasco 15ml 

#Beclometasona aerossol oral 250mcg/dose frasco 200 doses 

# Clonidina comprimido 0,100mg 

# Diazepam comprimido 10mg

#Digoxina comprimido 0,25mg 

# Dipirona sódica solução oral 500mg/ml frasco 10ml 

#Formoterol cápsula (pó) inalante oral 12mcg 

# Gliclazida comprimido 30mg

# Hidrocortisona pó para suspensão injetável 100mg 

# Medroxiprogesterona comprimido 

# Medroxiprogesterona suspensão injetável 150mg/ml ampola 1ml (este, em falta no Estado)

# Metronidazol suspensão oral 40mg/ml frasco 100ml

# Miconazol creme vaginal 20mg/g bisnaga 80g 

# Permetrina loção 5% frasco 60ml 

# Sulfato ferroso comprimido 40mg 

Situação se repete

Esta não é a primeira vez que faltam medicamentos na rede pública de saúde na cidade. No ano passado, o Pioneiro noticiou problema semelhante em fevereiro, julho e setembro.

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