Conselho da Saúde acredita que falta de leito de UTI pediátrica influenciou na morte de criança em Caxias - Geral - Pioneiro

Versão mobile

 

Saúde pública12/07/2018 | 15h57Atualizada em 12/07/2018 | 15h57

Conselho da Saúde acredita que falta de leito de UTI pediátrica influenciou na morte de criança em Caxias

Entidade quer saber qual é o plano da Secretaria Municipal da Saúde para lidar com alta demanda por atendimento médico durante o inverno

Conselho da Saúde acredita que falta de leito de UTI pediátrica influenciou na morte de criança em Caxias Facebook/Arquivo pessoal
Teylor Terra da Fonseca tinha 10 meses Foto: Facebook / Arquivo pessoal
Pioneiro com informações da Gaúcha Serra

A pouca oferta de leitos de UTI pediátrica em Caxias do Sul pode ter sido o fator que desencadeou a sequência de eventos que levaram Teylor Terra da Fonseca, 10 meses, à morte. Esse é o entendimento do Conselho Municipal da Saúde, que protocolou nesta quinta-feira um pedido de informações sobre o caso na Secretaria Municipal da Saúde. 

Teylor morreu na madrugada da última segunda-feira no Hospital do Círculo em decorrência de uma bronquiolite aguda grave. Na noite de sexta-feira, o menino recebeu atendimento no Pronto-Atendimento 24 Horas (Postão), onde aguardou 15 horas e foi transferido para o Hospital Geral (HG), onde permaneceu pouco mais de 24 horas. 

Leia mais
Família relaciona morte de criança a uma suposta falha no atendimento no Postão e no Hospital Geral em Caxias do Sul

Durante o período sob a responsabilidade das duas instituições, a família diz ter alertado às equipes de que o menino precisava de intubação urgente, o que exige leito de UTI. Como não havia vagas disponíveis pelo SUS na cidade, segundo repassado à família, o menino foi mantido na ala de emergência do HG. Na manhã de domingo, o hospital optou pela intubação, momento em que Teylor sofreu uma parada cardíaca e foi reanimado. A transferência para uma UTI pediátrica só ocorreu à tarde, quando uma vaga foi aberta no Hospital do Círculo, que é privado.

Na quarta-feira, a família da criança registrou ocorrência na Polícia Civil para denunciar uma suposta falha no atendimento prestado ao menino no Postão e no HG. A criança tinha histórico de bronquiolite aguda e já havia sido internada durante cerca de 30 dias pelo mesmo problema.

— Acreditamos que a grande causa da morte desse menino foi a falta de UTI pediátrica. É um problema sério, histórico e arrisco a dizer que todo ano se perde vidas por esse problema. E todo ano não temos um plano emergencial para lidar com isso ao menos no período de inverno quando crianças e idosos apresentam problemas gravíssimos — alerta a presidente do Conselho da Saúde, Fernanda Borkhardt.

Fernanda, que é enfermeira, afirma que uma criança ou adulto com insuficiência respiratória grave necessita da intubação para que o médico possa fazer o diagnóstico e o tratamento da doença, caso de Teylor.  

— Mas para o profissional fazer isso precisa ter o leito de UTI. Na situação de Teylor, talvez foi postergado esse procedimento por falta desta retaguarda — pondera a presidente do conselho.

Além do caminho percorrido por Teylor nos serviços de emergência do SUS nas horas antes da morte, o Conselho solicitou à Secretaria de Saúde informações sobre o acompanhamento médico dado ao menino após ele ter recebido a alta da primeira internação, em maio. Outro questionamento é sobre o plano do município para lidar com a alta procura de atendimentos hospitalares no inverno. A entidade espera ter um retorno da secretaria em até 20 dias.

"A demanda na UTI adulto é muito maior"

Pelo SUS, Caxias do Sul tem nove leitos de UTI pediátrica, todos no HG, e outros 18 leitos de UTI neonatal (para recém-nascidos) no HG e no Hospital Pompéia. A titular da 5ª Coordenadoria Regional da Saúde (5ª CRS), Solange Sonda, considera que a oferta pode ser não a ideal, mas é um setor em que a demanda é menor se comparada à superlotação enfrentada na UTI adulto. Ela diz que as internações de crianças em UTI são sazonais e é necessário avaliar com prudência até que ponto seria viável manter uma estrutura maior do que a atual para uma procura considerada dentro da normalidade.

— A demanda na UTI adulto é muito maior. Precisaríamos de 15 a 20 leitos a mais para dar um suporte diante da procura que temos em Caxias — avalia Sonda.

A família de Teylor deve ser chamada nos próximos dias para prestar depoimento na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). A Secretaria Municipal da Saúde, por sua vez, afirma que não abrirá investigação interna para apurar as denúncias, pois os procedimentos adotados no atendimento ao menino no Postão foram corretos. O HG 

Leia também
Secretaria vai apurar circunstâncias da morte de idosa, em Caxias do Sul
Cremers fará novo relatório sobre condições do Postão de Caxias
Pais reclamam de erro de diagnóstico em menino de seis anos no Postão 24h, em Caxias do Sul
Sem leito, criança teria tido os testículos amputados
Samu receberá ambulância nova neste mês em Caxias
43 médicos ficarão longe de 29 UBSs nas férias em Caxias





 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros