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Turismo05/07/2018 | 07h00Atualizada em 05/07/2018 | 07h00

Com gestão da iniciativa privada, parques nacionais de Cambará poderão ter de restaurante até área de camping

A ideia é que o edital para licitação das empresas prestadoras dos serviços seja publicado ainda neste ano

Com gestão da iniciativa privada, parques nacionais de Cambará poderão ter de restaurante até área de camping Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

A precariedade na estrutura dos dois parques nacionais em que ficam os cânions mais famosos do Estado, em Cambará do Sul, é tão notável quanto as belezas desafiadoras ao turista. No entanto, a previsão de concessão dos serviços dos parques Aparados da Serra e Serra Geral, onde ficam os cânions Itaimbezinho e Fortaleza, chega com a promessa de reverter este desanimador cenário estrutural. Afinal, falta quase tudo nos parques em que milhares de turistas chegam, principalmente, nas férias de inverno: de placas a guias turísticos e até simples sanitários. A ideia é que o edital para licitação das empresas prestadoras dos serviços seja publicado ainda neste ano, e em 2019, os parques recebam aporte e gerenciamento como já acontece em atrativos maiores, como nas Cataratas do Iguaçu, por exemplo.

Os dois parques são geridos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio. Autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, o instituto tem a missão de preservar o patrimônio natural — o que, ao menos, é garantido no Aparados da Serra e no Serra Geral. Mas a escassez dos serviços e da própria manutenção colocou em risco até mesmo a abertura dos parques. No fim de 2016, o instituto chamou a comunidade, adiantou os planos de fechamento dos parques e recebeu ajuda pública. No entanto, o argumento dos membros do ICMBio é que o corte de verbas do governo federal dificultou simples obras de manutenção: até salários de funcionários atrasaram. Por isso, a transferência dos serviços da iniciativa pública para a privada se torna cada vez mais alternativa consolidada, como conta o coordenador geral substituto de Uso Público e Negócios do ICMBio, Fabio Araújo.

— A estratégia é buscar parcerias com a iniciativa privada para aumentar os serviços de apoio à visitação, o que aproxima as pessoas do parque e as torna aliados da conservação. Não precisa uma única empresa ser a que presta todos os serviços, podem ser várias prestadoras. Uma para cada serviço — explica.

A primeira etapa do projeto para as concessões saírem do papel ocorreu neste ano, quando empresários e membros do Conselho Municipal de Turismo foram apresentados ao estudo de viabilidade encomendado pelo ICMBio. A equipe trabalha agora na elaboração do edital de licitação. Antes da publicação, o projeto final será apresentado à comunidade via Consulta Pública. Sete parques nacionais, também sob gestão do ICMBio, já estão com editais de concessão prontos — nenhum deles está no Rio Grande do Sul. As sete unidades de conservação terão editais para concessão de serviços como transporte interno, alimentação, hospedagem, atividades de aventura, venda de produtos com a marca da unidade, estacionamento, entre outros.

"É um dos grandes sonhos do município", diz prefeito

A iniciativa para o processo de concessões foi possível em função da aprovação da Lei nº 13.668/2018, que mudou a legislação para a concessão de serviços de apoio ao uso público nas unidades de conservação. A prefeitura de Cambará do Sul tem acompanhado de perto a movimentação que definirá o rumo dos parques. O prefeito José Silvestre Schamberlaen (PP) diz que o assunto é discutido há anos, mas tomou forma diante das apresentações à comunidade. A prefeitura só enxerga benefícios com a mudança.

— É um dos grandes sonhos do nosso município. Sempre sonhamos que os nossos parques nacionais copiassem modelos de outros maiores, que acabam sendo grandes indutores para as regiões onde se instalaram, como Foz do Iguaçu e Tijucas, no Rio de Janeiro. Nós esperávamos há muito tempo por essa medida — afirma o prefeito.

Enquanto o projeto de concessão não sai do papel, a prefeitura se compromete a entregar o acesso ao cânion Fortaleza, estrada de responsabilidade municipal, em melhores condições. Atualmente, esse é um dos maiores entraves para a locomoção até o parque Serra Geral. 

— Nós criamos um projeto de reestruturação da estrada, colocando material no terreno bruto. O município já asfaltou 14 quilômetros, a meta é entregar até o portão do parque —promete.

Quem promete acompanhar de perto o projeto de concessão são os guias turísticos e responsáveis por empresas que sobrevivem do turismo de aventura. Enquanto a rede hoteleira apoia a iniciativa, há empresas de turismo contrárias. É por uma questão de reserva de mercado, afirma o guia turístico e empresário Levi de Lima Ferreira:

— A maioria dos guias não concorda com algumas mudanças no interior do parque por uma questão de mercado. Temos receio de perder mercado se os parques ficarem mais autoguiáveis — argumenta.

Empresários assumiram pequenas melhorias

Em meados de 2016, quando empresários e lideranças do setor turístico de Cambará foram convidados a agir em prol dos parques nacionais, a resposta foi imediata. A Associação de Empreendedores Turísticos de Cambará do Sul (Aeturcs), assinou um termo de cooperação e capitaneou a campanha Somos Todos Parque. Os 38 empreendimentos associados comprometeram-se em fazer reparos e garantir o funcionamento dos dois parques, já que boa parte dos 220 mil visitantes que passam por Cambará todos os anos, chegam lá para conferir as belezas dos cânions Itaimbezinho e Fortaleza. Portanto, não era hora de correr o risco de fechamento.

— Começamos com uma ajuda a curto prazo que se tornou quase que rotineira, então formalizamos um termo de acordo, que foi interrompido pelo ICMBio em janeiro neste ano, por questões operacionais da própria autarquia. Estamos esperando uma resposta deles para seguir as atividades — afirma o presidente da Aeturcs e do Conselho Municipal de Turismo, Paulo Eduardo Macedo Ferretti.

Foi mais de um ano em que pedágios solidários, vendas de camisetas e rifas e até vaquinhas entre os empresários ajudaram a pagar itens importantes aos parques. Exemplo: graças aos empresários, a ponte que permite carros acessarem o parque Aparados da Serra foi reformada. Para os empresários, o investimento foi de pouco mais de R$ 10 mil. 

— O ICMBio nos contou que o orçamento que eles fizeram custava mais de R$ 70 mil. E eles não teriam condições de pagar. Enquanto isso, a ponte estava apodrecendo — lembra Paulo.

Os empresários já reuniram-se com as equipes do instituto e tiveram noções básicas de como funcionarão as concessões. Por ora, o setor aprova a mudança e vive a expectativa de um turismo ainda mais consolidado em Cambará do Sul.

— Acreditamos que a inclusão das empresas daqui nesse processo é bem importante. Apresentamos um documento com essa preocupação, esperando que eles incluam as empresas da nossa região nesse processo importante — diz Ferretti.

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