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Heróis anônimos - parte 314/07/2018 | 09h30Atualizada em 14/07/2018 | 09h30

Advogados, enfermeiros, empresários: os rostos que mobilizam os bombeiros voluntários de Carlos Barbosa

População, empresas e prefeitura também contribuem com dinheiro

Advogados, enfermeiros, empresários: os rostos que mobilizam os bombeiros voluntários de Carlos Barbosa Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Metalúrgico Adriano Klein é subcomandante na cidade Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Por quase 26 anos, Carlos Barbosa dependia exclusivamente do socorro dos bombeiros voluntários de Garibaldi. Os vizinhos serviram como inspiração e modelo para a criação da corporação local, em 2004. Dois anos depois, o serviço passou a funcionar 24 horas por dia. Hoje são 43 bombeiros, sendo apenas seis contratados. Os outros 37 são voluntários. 

Advogados, enfermeiros, empresários e outros profissionais abrem mão de seus horários de folga para pernoitarem no quartel. É no prédio da corporação que o metalúrgico Adriano Klein, 35, transforma-se no subcomandante Klein. Além de ajudar nas funções administrativas, Klein é um dos quatro responsáveis pelo atendimento na madrugada do domingo. Como ele, há diversos profissionais que saem do quartel pela manhã, às 6h30min, e encaram um expediente normal de trabalho nas fábricas. Trocam o conforto de casa pelo alojamento do quartel, e revezam as horas de sono em noites mais tranquilas:

— É a minha forma de valorizar e agradecer pela minha vida, minha saúde, minha família. Precisamos retribuir ao mundo de alguma forma o que a gente recebe nessa vida. E eu encontrei a minha maneira de agradecer por tudo isso, sendo bombeiro voluntário.

A comunidade é a principal responsável pelo custeio da corporação no município. Estima-se que o aporte financeiro dos moradores e das empresas equivalha a quase 70% da verba arrecadada. O resto vem da prefeitura. Só uma empresa injeta R$ 10 mil por mês. Cerca de 2 mil pessoas têm contas de energia cadastradas em um projeto que destina valores simbólicos mensais à corporação, e mais de R$ 6 mil são oriundos desse projeto da RGE. Além disso, anualmente, um pedágio é promovido pelos bombeiros — no último deles, foram mais de R$ 20 mil reunidos em uma única manhã. Não falta dinheiro à manutenção dos serviços e dos caminhões, o que significa um alento aos voluntários que arriscam a vida para atender gratuitamente vítimas de acidentes, incêndios e afogamentos, entre outras ocorrências.

— Nosso carro-chefe são atendimento pré-hospitalares, mas também há bastante situações de acidentes, já que nossa cidade é cortada pela BR-470. Nós temos a filosofia de que nosso dom é o de ajudar as pessoas. Quem está aqui faz porque gosta mesmo. Somos em 37 pessoas que não ganham para estar aqui trabalhando — explica Klein.

Nova Petrópolis tem uma das corporações mais antigas do RS 

São 108 voluntários cadastrados só na corporação de Nova Petrópolis, além dos nove funcionários efetivos. É a quarta corporação mais antiga do Estado, criada em 1991, orgulha-se o comandante Maico de Castilhos. Cada um deles compromete-se em trabalhar ao menos 24 horas mensais a serviço da comunidade. São cerca de 200 ocorrências mensais, número semelhante de atendimentos de Garibaldi e Carlos Barbosa. A prefeitura de Nova Petrópolis é responsável por 60% do orçamento mensal.

— Os voluntários são movidos por ajudar o próximo, acredito que esteja isto já esteja no sangue do pessoal daqui. Não existe alguém na cidade que não tenha um familiar que seja bombeiro voluntário — diz Castilhos.

A maior parte da mais de uma centena de voluntários são profissionais autônomos, da área da saúde, como enfermeiros e auxiliares de enfermagem, estudantes e até empresários. O período de quase um ano de qualificação envolve aulas de combate a incêndio, emergências químicas, salvamento veicular e outros assuntos. Há também o período de estágio, de quase um ano. 

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