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Rede pública de saúde12/07/2018 | 07h02Atualizada em 12/07/2018 | 10h15

43 médicos ficarão longe de 29 UBSs nas férias em Caxias

Em períodos alternados, os profissionais estarão fora das unidades entre julho e agosto

43 médicos ficarão longe de 29 UBSs nas férias em Caxias Marcelo Casagrande/Graphic News
Na unidade Bela Vista, cadeiras vazias refletem a falta de clínicos gerais Foto: Marcelo Casagrande / Graphic News

Levantamento da Secretaria Municipal de Saúde de Caxias do Sul aponta que os meses de maior procura nas unidades básicas de saúde no ano passado foram outubro, janeiro e agosto. Mas é o inverno que leva muitas pessoas a procurarem os serviços de saúde em função dos problemas respiratórios causados pelas baixas temperaturas. E é o mês de julho, costumeiramente, o mais rigoroso da estação, também o preferido dos médicos para férias. Assim como em outras profissões, os pedidos ocorrem muito em função do recesso escolar. Pais querendo ou tendo que ficar com os filhos. O problema é que, neste ano, as férias dos médicos, somadas às licenças, vão corroborar com um cenário já conhecido e dramático de déficit desses profissionais em Caxias.

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Do total de 47 unidades básicas de saúde em funcionamento no município, 29 têm ou terão médicos ou em férias ou em algum tipo de licença entre julho e agosto, o que resultará em 43 profissionais (36%), de um total de 119, longe das unidades em determinados intervalos de tempo nesse período.

O efeito direto dessa conta será que muitos pacientes que precisarem de consultas vão chegar a unidades que não terão clínicos gerais para atendê-los, por exemplo. Essa já é a realidade em duas UBSs: a Bela Vista e a Cruzeiro. O caso da Cruzeiro foi mostrado pelo Pioneiro no último final de semana. A UBS tinha dois clínicos. Um deles iniciou licença prêmio em maio e o outro entrou em férias na última segunda-feira.

Na Bela Vista, a sala de espera vazia é um reflexo da falta de clínico geral. Dez pacientes que chegaram ao posto na manhã da última terça-feira precisaram buscar atendimento em outros postos de saúde ou nos serviços de emergência. 

A aposentada Ana Maria Viezzer, 62 anos, precisava marcar consulta para o pai dela. O senhor de 86 anos não tem como ir até a UBS sozinho.

– Se não tem médicos é melhor fechar as portas. É uma vergonha o que fazem com a saúde. Um absurdo chegar aqui e ouvir: não tem clínico geral e não há previsão de retorno. E os pacientes ficam como? –questiona a idosa.

Segundo o gerente da UBS Bela Vista, Rodrigo Moraes, alguns casos são encaminhados para outras UBSs como a do Cristo Operário e Planalto ou serviços de urgência. 

– O município está a par da situação e se comprometeu em encaminhar médicos nomeados para assumir a vaga do profissional que irá se aposentar, mas o problema é que não tem médicos que queiram trabalhar na rede pública de saúde – disse Moraes.

Mas, o caso mais significativo é o da UBS Vila Lobos. A comunidade do bairro ficará sem atendimento de nenhum médico no posto por duas semanas. É que a única médica da unidade atuará no local até sexta-feira e o profissional designado para a UBS, um médico de Estratégia Saúde da Família (ESF), entrou em férias na segunda-feira e só retornará no dia 30. Além disso, diferente de outros locais que têm pelo menos uma outra especialidade, no Vila Lobos não há profissionais de outras áreas.

Confira as unidades com profissionais em férias ou licenças e quem está atendendo:

Não há médicos para substituição

A diretora da Rede Básica de Caxias do Sul, Maria Elenir Anselmo, explica que com o número reduzido de médicos na rede municipal, não há profissionais para atuar no lugar dos colegas que entram em férias.

– Não temos um quantitativo de profissionais que dê uma reserva técnica para fazer a substituição de férias. Tentamos substituir os casos de afastamentos mais longos, como licença maternidade, ou conseguir uma cobertura por meio de horas extras, algo para não deixar desfalcada (a unidade) muito tempo – pondera a gestora.

Conforme a gestora da saúde, os médicos chamados no último concurso serão encaminhados a locais que estão sem profissionais, como nos casos que envolveram exonerações ou situações em que o médico que está em licença prêmio não voltará à atividade porque vai se aposentar na sequência.

– Temos a relação dos lugares onde há vagas. Dentro dessas vagas, ele (candidato) vai se encaixar conforme a apresentação dele para tomar posse _ disse Maria Elenir.

A orientação é que os moradores continuem procurando a unidade básica de referência:

_ É um período em que a comunidade deve continuar indo na UBS. A equipe da unidade estará disponível para o acolhimento. Vai avaliar o usuário. Se ele não precisa ser encaminhado para serviço de urgência, pode ser referendado para uma unidade próxima. Mas o contato deve ser na UBS de referência dele, evitando deslocamento desnecessário e a peregrinação do usuário.

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