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Para além das coxilhas - parte 223/06/2018 | 07h30Atualizada em 24/06/2018 | 14h40

Voluntários dos Campos de Cima da Serra querem popularizar estudos sobre estrelas e planetas

Sociedade de astronomia de Vacaria tem apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Voluntários dos Campos de Cima da Serra querem popularizar estudos sobre estrelas e planetas Felipe Nyland/Agencia RBS
Grupo é formado por pessoas de diferentes profissões Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Os moradores que lutam pela construção do observatório astronômico em Vacaria são leigos em astronomia. Ao mesmo tempo, conseguem mostrar que o tema pode ser assimilado por qualquer pessoa, basta querer. 

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Alguns possuem telescópios potentes, outros improvisam com lunetas. Ainda aprendendo a observar o céu, o comerciante Luiz Carlos Franco, da Sociedade de Estudos Astronômicos de Vacaria (Seav), pondera que o conhecimento adquirido derruba preconceitos que rondam a área. Muita gente vê o segmento como enredo de filme de ficção científica, quando, na verdade, trata-se de realidade.

— A astronomia e a ciência nos ajudam a sair da caverna onde vivemos, onde nos nos criamos — exemplifica Franco, que exibe com orgulho uma caneta de laser verde usada para apontar os corpos celestes.

Para o cirurgião-plástico Heliandro Abreu Rosa, outro apaixonado pelo projeto do observatório e autor do livro Sobre a Origem do Homem, a cidade terá uma grande oportunidade na educação.

— A Seav é apenas uma semente. O que queremos é trazer cultura, ciência e turismo para Vacaria —  complementa o cirurgião-dentista Mateus Zanotto.

A associação nasceu em 2015 com 20 sócios-fundadores. Na concepção inicial, a partir da abertura da Seav, o observatório astronômico da cidade seria financiado por empresários e teria um cunho mais informal. Mas um contato com o físico Cláudio Bevilacqua, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ampliou os horizontes e surgiu a possibilidade de convênio para a área da educação, o que gerou todo o projeto voltado para o saber e um possível vínculo com a instituição de ensino. Bevilacqua e outro colega da universidade estiveram em Vacaria para orientar o projeto.

— São três fatores que reforçam a importância de um observatório: vai mostrar aos alunos de escolas coisas que não podem ser vistas no dia a dia da sala de aula, tais como a lua e suas crateras, os aglomerados de estrelas; vai complementar o currículo de ciências do Ensino Fundamental e Médio e vai ajudar na alfabetização científica do público em geral — afirma o físico, que atua no Observatório Astronômico da UFRGS em Porto Alegre.

A participação da universidade se daria pelo treinamento de professores que, por sua vez, repassariam o conhecimento para outros docentes.

— É um projeto que cria todo um clima para esse tipo de ensino. As pessoas vão perceber que existe um outro mundo além da TV e do celular — enfatiza o físico.

Apaixonado pela astronomia

Numa justa homenagem, os integrantes da Seav pretende batizar o observatório da cidade com o nome do engenheiro eletricista de Fernando Borsoi. Mesmo abatido pela doença, diagnosticada no final do ano passado, Borsoi seguiu estimulando os amigos e buscando contatos, demonstrando a força e o entusiasmo que trazia da infância. 

— Ele trocava ideias até no leito do hospital porque o projeto é muito bom — relembra a esposa dele, a arquiteta Angela Cristina dos Santos, 49.

Engenheiro eletricista Fernando Borsoi, falecido em março deste ano, sonhava em construir observatório astronômico em Vacaria.
Fernando Borsoi, um dos idealizadores do projeto, morreu em março deste anoFoto: Facebook / Arquivo pessoal

O engenheiro gostava de assuntos relacionados à astronomia desde pequeno. Chegou a cursar a faculdade de Física, mas optou pela Engenharia Elétrica. Em casa, ele e Angela mantinham dois telescópios. Geralmente, os jantares com amigos eram embalados por assuntos sobre estrelas e planetas. Natural de Vacaria, Borsoi não chegou a conhecer os famosos roteiros astronômicos no deserto do Atacama no Chile ou as instalações da Nasa, por exemplo. Mas teve a oportunidade de visitar o Instituto Max Planck para a História da Ciência, em Berlim, na Alemanha, e manter contatos com especialistas de outros países via internet.

— Era hábito dele dividir o saber. Se envolveu em vários assuntos na vida, era pesquisador, ele era um cientista — elogia Angela.

Borsoi morreu no dia 18 de março.

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