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Opinião05/06/2018 | 14h26Atualizada em 05/06/2018 | 14h26

Um novo olhar sobre o biogás, por Suelen Paesi

Autora é Doutora em Ciências Biológicas e Bioquímica

Um novo olhar sobre o biogás, por Suelen Paesi reprodução/
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Um país que não diversifica sua matriz energética se torna refém dela. Isto é, precisamos sair da dependência direta dos combustíveis fósseis e da energia elétrica oriunda das hidrelétricas. Os últimos acontecimentos mostram que nosso país necessita ampliar investimentos em energias alternativas, pois, além de não serem finitas, não dependem de commodities e não geram passivos ambientais.

Não se trata de eliminar os combustíveis atuais, mas de contar com alternativas comercialmente competitivas, que deem mais liberdade de escolha em termos de economia, autossuficiência e sustentabilidade, como energias fotovoltaica, eólica e biogás. Esta última é um produto gerado pela fermentação anaeróbia que os micro-organismos naturalmente transformam a partir de produtos orgânicos. Esse processo pode gerar componentes de alto poder energético como o metano e o hidrogênio, à base de resíduos originários da agroindústria, lixo urbano e esgoto doméstico.

As vantagens de se ter parques ou pequenas plantas de biogás refletem na geração de combustível em regiões bem delimitadas. O combustível estaria próximo e não haveria dependência de custos e de disponibilidade de logística. O biometano – um biocombustível gerado a partir do biogás purificado – pode ser usado diretamente como combustível em veículos. Além disso, pode ser convertido em energia elétrica, tornando a região onde é produzido menos dependente de concessionárias, reduzindo o consumo cada vez mais taxado de impostos e ameaçado por condições climáticas, como quando temos seca nas cabeceiras dos rios das hidrelétricas.

O momento é propício para a reavaliação de investimentos em alternativas energéticas e a Serra Gaúcha deve estar atenta às oportunidades nesta nova cadeia de biogás e biometano. O Atlas das Biomassas do RS para Biogás e Biometano, de 2016, revela que a região do Corede Serra representa a quinta maior disponibilidade de biomassas residuais do Estado, com potencial estimado em aproximadamente 4,5 milhões de toneladas ao ano.

Esse importante debate já está presente no meio acadêmico, em instituições públicas e em entidades empresariais. Mas precisa ser expandido. Para isso, nesta semana, de 6 a 8 de junho, a discussão ganha espaço no Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu (PR), que vai tratar da produção e do uso do biogás como fonte de energia e, especialmente, sobre a mitigação das barreiras existentes e o potencial de desenvolvimento desse setor na região Sul.

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