O que realmente foi a ditadura?, por Bruno Sirtori - Geral - Pioneiro

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Opinião12/06/2018 | 10h34Atualizada em 12/06/2018 | 10h34

O que realmente foi a ditadura?, por Bruno Sirtori

Autor é engenheiro civil

O que realmente foi a ditadura?, por Bruno Sirtori reprodução/
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Quando se apoia uma ditadura, se está apoiando tudo que ela representa, sendo impossível dissociar seus aspectos. Quem clama hoje por uma nova intervenção militar ignora o que foi esse período, que durou de 1964 até 1985, marcado por assassinatos, torturas, perseguições políticas, censura e repressão. O presidente, escolhido entre os generais mais graduados, usava o Congresso como verniz de legalidade ao regime – cuja oposição foi cassada, exilada e até mesmo presa depois do AI-1, que também retirou direitos de juízes, militares e civis.

Hoje, sabemos de muitos escândalos de corrupção que ocorreram na época e que só não foram apurados graças à censura prévia imposta contra a imprensa. Pela bandeira da segurança pública e contra os "subversivos", foi criado um mecanismo repreensivo, institucionalizado pelo Serviço Nacional de Informação, que culminou na sistematização da tortura e do assassinato. Enquanto isso, a segurança pública só se deteriorou: em São Paulo, por exemplo, a taxa de assassinatos em 1968 era de 10 mortos por 100 mil habitantes, nível que a Organização Mundial da Saúde considera epidêmico. O mais recente capítulo sobre os porões da ditadura foi divulgado pelo serviço de informação americano, que denunciou que o então presidente Ernesto Geisel (1974-1979) não só sabia da tortura e do assassinato de 104 opositores políticos, como autorizou sua continuidade como uma política de Estado – algo sempre negado pelos militares.

O abuso de poder não se limitou aos opositores do regime. Vitimou também camponeses, sindicalistas, religiosos, jornalistas, artistas e indígenas (foram ao menos 8 mil indígenas mortos pelo regime durante a construção da Transamazônica, segundo a Comissão da Verdade, por exemplo). A Secretaria de Direitos Humanos, no seu relatório para a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, em 2016, aponta mais de 1,2 mil mortes de cunho político no período.

Quem clama por uma nova intervenção militar, que clame aos militares que se submetam às urnas e deixem nós, o povo brasileiro, decidirmos o que queremos. Nossa única salvação está no fortalecimento da democracia, e não na sua extinção.

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