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Opinião20/06/2018 | 15h25Atualizada em 20/06/2018 | 15h25

É pela vida das mulheres, por Luciana Genro

Autora é advogada

É pela vida das mulheres, por Luciana Genro reprodução/
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É raro não encontrarmos, diariamente, notícias de mulheres vítimas de violência no Rio Grande do Sul e no Brasil. No país, 13 mulheres são mortas por dia, segundo os dados do Atlas da Violência, divulgados no começo deste mês. Em média, uma mulher é morta a cada dois dias no Estado.

O número faz com que o RS se mantenha entre as quinze primeiras posições do levantamento dos Estados com os maiores registros de assassinatos de mulheres desde 2015. Um ranking do qual não deveríamos fazer parte. Durante os 10 anos analisados pela pesquisa, 2.527 mulheres foram mortas no RS. O período da análise vai de 2006, primeiro ano de vigência da Lei Maria da Penha, que cria mecanismos para combater a violência contra a mulher, até 2016.

Podemos perceber ainda um aumento de 90,1% nos registros dos crimes em 10 anos no RS, mesmo tendo uma legislação específica para tratar a violência contra a mulher. No caso das mulheres negras, houve uma alta de 15,4% no registro das mortes em todo o país de 2006 a 2016.

É preciso coragem, apoio e proteção para sair de uma situação de violência. Muitas vezes as mulheres são encorajadas a partir de uma palestra, de uma conversa, de uma leitura sobre a realidade de outras mulheres. Em 2017, criei a Emancipa Mulher, uma escola de formação feminista e resistência antirracista que oferece cursos gratuitos no Rio Grande do Sul, permitindo que a educação e o apoio entre mulheres sejam base para o confronto à violência.

O principal curso da Emancipa foi batizado de Laudelina de Campos Melo, em homenagem à mulher que fundou o primeiro sindicato e a primeira associação das domésticas, em Campinas. A edição de 2018 do curso começou na última sexta em Porto Alegre e segue com inscrições abertas (https://bit.ly/2L2DEKk).

A Emancipa Mulher também está, de forma gratuita, atendendo convites para realizar palestras e debates em escolas, universidades, associações e bairros de todo o Estado. Em maio, realizamos atividades em Canoas e Santa Maria e o próximo debate será em Bagé, no dia 26. Nossa ideia é promover o empoderamento feminino e racial para mulheres para ajudar a transformar essa triste realidade de violência. Entre em contato pelo e-mail emancipamulher@gmail.com ou por nossa página no Facebook.

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