Dupla falta, por Dagoberto Lima Godoy - Geral - Pioneiro

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Opinião11/06/2018 | 13h45Atualizada em 11/06/2018 | 13h45

Dupla falta, por Dagoberto Lima Godoy

Autor reside no Rio Grande do Sul

Dupla falta, por Dagoberto Lima Godoy reprodução/
Foto: reprodução
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No esporte do tênis, comete dupla falta o jogador que desperdiça duas vezes seguidas a vantagem do saque. No jogo da vida, a Assembleia gaúcha cometeu dupla falta ao não permitir a realização, junto com as próximas eleições, do plebiscito sobre a privatização de estatais.

Primeiro, recusou-se a ouvir a manifestação soberana da vontade popular, a verdadeira fonte do poder democrático. Essa atitude reacionária compromete seriamente a legitimidade daquela que chama a si própria de "A Casa do Povo" e põe em cheque os mandatos dos deputados que se negaram a ouvir os eleitores. Estes, como se não soubessem da sua condição de delegados, "tomam o freio nos dentes" e fecham os ouvidos ao comando de quem representam. Ah! Se tivéssemos aqui a figura do "recall", do direito americano, que garante a possibilidade da revogação de mandatos eletivos por votação popular!

Em segundo lugar, reafirmou a visão equivocada quanto à função do Estado nas democracias modernas, da economia movida por empreendedorismo, capacidade de inovação e competitividade em escala global. A Assembleia reincide no atavismo positivista do século 19, aferrado à fé no Estado provedor, que tudo pode e tudo faz melhor, parecendo não se dar conta do amargo processo de apequenamento que vive o nosso Rio Grande, em face de outros Estados da Federação. Deputados, em maioria, preferiram angariar votos, bajulando corporações dependentes de estatais de duvidosa competência, nas quais se mal alocam porções preciosas do capital público. E voltaram as costas para o interesse coletivo, ao negar apoio aos esforços de um governador corajoso, disposto a quebrar paradigmas arcaicos a fim de recuperar as combalidas finanças de um Estado que só consome e nada investe para retomar o desenvolvimento.

Menos mal que não nos cassaram (ainda) o direito de votar livremente. Assim, resta aos cidadãos gaúchos a oportunidade de usar as próximas eleições para fazer uma espécie de "recall" seletivo na nominata atual de deputados. Será outra vez nosso o direito de sacar, na partida eleitoral. Podemos ainda virar o jogo, votando em representantes mais esclarecidos e dispostos a ouvir e a respeitar, sempre, a vontade de seus eleitores.

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