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Investigação03/06/2018 | 19h36Atualizada em 03/06/2018 | 19h36

Desaparecimento de três homens em Vacaria completa 60 dias

Polícia Civil já descarta hipótese de afogamento no Rio Pelotas. Caso segue sem pistas

Desaparecimento de três homens em Vacaria completa 60 dias Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Propriedade rural de Eleandro Moraes onde os pedreiros trabalhavam ficava junto do rio. Foram feitas buscas na água e por terra com ajuda de helicóptero, mas nada foi achado. Um barco que estava à deriva também foi localizado Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

"É uma angústia 24 horas por dia". A frase resume o sentimento da mulher do empresário Eleandro Aparecido Rodrigues Moraes, 40 anos, desaparecido há 60 dias, na localidade de Capela Caravaggio, interior de Vacaria. 

Além de Moraes, também estão sumidos os pedreiros Nelson Jair Soares, 44, e Alexsandro do Amaral Correa, 23. A Polícia Civil permanece com o caso, mas a falta de pistas que possam levar ao paradeiro do trio dificulta as investigações. A hipótese de afogamento, cogitada inicialmente, está praticamente descartada. A principal linha de investigação é criminal.

O caso chegou ao conhecimento da polícia no dia 4 de abril, quando iniciaram as buscas. Os três, que trabalhavam na construção de uma casa de lazer para o empresário, foram vistos pela última vez no dia 3 de abril pelo vizinho Dinarci Perotoni, cuja porteira é o único acesso ao terreno de Moraes. 

Durante 14 dias, o efetivo de Vacaria e de Porto Alegre vasculhou toda a região, incluindo buscas na água e por terra com o apoio de um helicóptero. Porém, nenhum vestígio foi encontrado, o que intriga os envolvidos no caso.

— Se eu disser que há alguma coisa que aponte para a solução do caso, não vai ser verdade. Todas as pessoas que têm relação com os desaparecidos estão sendo ouvidas, mas até agora não encontramos nenhuma prova substancial que pudesse colaborar — afirma o delegado Anderson Silveira de Lima, que conduz o caso. 

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Nelson Soares, Eleandro Moraes e Alexsandro Corrêa (da esquerda para a direita) moravam em Caxias do SulFoto: Divulgação

Como a região do desaparecimento fica às margens do Rio Pelotas, as buscas iniciais se concentraram nas águas e a principal hipótese era afogamento. Porém, devido ao tempo do sumiço, esta linha de investigação já está praticamente descartada, conforme Lima:

— Se fosse o caso, (os corpos) já teriam flutuado. A hipótese principal é de crime, mas não sabemos especificar se homicídio, latrocínio ou sequestro, que é o menos provável. Não posso dizer a linha investigativa, porque infelizmente não existe pista material — reforça o delegado.

Conforme Lima, a investigação fica em aberto por pelo menos seis meses. Há oito anos atuando à Polícia Civil, ele diz que este é o caso mais complexo da sua carreira:

— Com certeza, o mais difícil, principalmente porque não há corpo. Não podemos nem afirmar que eles morreram — diz.

"A cada dia que passa, a angústia só aumenta"

Para a família, a angústia de não ter nenhum sinal dos parentes desaparecidos é a pior companheira possível. Alexsandro Correa é natural de Vacaria, mas mora em Caxias há cerca de um ano com a mulher, Marina Gabriela Navarro, 18, e com a filha dela de um ano e quatro meses. Já Nelson Jair Soares mora sozinho em Caxias e é natural de Alegria. Ele tem seis filhos e trabalha como pedreiro e carpinteiro.

— A minha mulher (mãe de Correa) chora bastante. Mas não sabemos nada. A polícia diz que está investigando — lamenta o padrasto de Correa, Fabiano Almeida.

O empresário Eleandro Aparecido Rodrigues Moraes adquiriu o terreno em Capela do Caravaggio para construir uma casa de lazer. Morador do bairro Exposição, Moraes levava periodicamente dois pedreiros para a obra em Vacaria. Os contratados acampavam em galpão e trabalhavam por períodos definidos, entre 15 e 45 dias. Moraes é casado e tem três filhos: um garoto de três anos, uma menina de 10, e uma filha adolescente.

— A cada dia que passa, a angústia só aumenta. É uma aflição 24 horas por dia, uma incerteza sem fim. A gente pede que, por favor, se alguém viu ou sabe de alguma coisa, informe a polícia — pede a mulher dele, que prefere não se identificar. 

Ela diz que está sendo complicado lidar com a situação, principalmente por causa das crianças.

— A gente tenta se policiar em casa. Não chorar na frente deles, mas é difícil — lamenta. 

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