Construção do Instituto da Longevidade de Veranópolis começa em julho - Geral - Pioneiro

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Saúde30/06/2018 | 10h00Atualizada em 30/06/2018 | 10h00

Construção do Instituto da Longevidade de Veranópolis começa em julho

Convênio para construção do centro de pesquisa será assinado neste sábado

Construção do Instituto da Longevidade de Veranópolis começa em julho Leticia Ana Fracasso/Divulgação
Estrutura será construída junto ao Hospital Comunitário São Peregrino Lazziozi, em área hoje usada para estacionamento interno Foto: Leticia Ana Fracasso / Divulgação

Não é por acaso que Veranópolis é conhecida como a Terra da Longevidade: neste sábado, o município de 25 mil habitantes dá início a mais um projeto que visa a melhoria da qualidade de vida de sua população idosa: a construção da sede do Instituto da Longevidade. 

A estrutura centralizará as atividades do Instituto Moriguchi, cujos integrantes atuam há 24 anos no "Projeto Veranópolis: Estudos em Envelhecimento, Longevidade e Qualidade de Vida". A iniciativa é pioneira em pesquisas sobre o envelhecimento no Brasil. Com a nova sede, construída junto ao Hospital Comunitário São Peregrino Lazziozi, o atendimento de saúde ao público poderá ser ampliado. 

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A construção do prédio, anunciada em fevereiro, será custeada com R$ 1,5 milhão vindos do Ministério da Saúde (MS). Segundo o prefeito de Veranópolis, Waldemar de Carli (MDB), às 10h30min será assinado o convênio entre o município, o hospital e o instituto, com as obras iniciando em julho. A responsável pelos trabalhos será a Associação Veranense de Assistência em Saúde (Avaes), que administra o hospital. Os recursos serão repassados pelo município em parcelas, conforme prestação de contas.

Segundo o administrador do hospital, Rogério Franklin da Silva, a previsão é de conclusão do novo prédio em 18 meses. A estrutura de 955 metros quadrados será mantida pela própria instituição que, como contrapartida, poderá usar o primeiro andar para a administração do hospital.

— Vamos colocar nesse espaço o setor administrativo, que hoje está espalhado. A "área nobre" do hospital vai ficar disponível para outros serviços, é bem provável que seja para a melhoria no acolhimento dos usuários, já que hoje não há um local adequado para as famílias (dos pacientes) — projeta.

Já o Instituto Moriguchi ganha um centro de pesquisas próprio. Hoje, as atividades da entidade tem de ser realizadas em áreas emprestadas na cidade, inclusive no próprio hospital.

— Fazemos pesquisas com informações a partir dos pacientes, da comunidade. Atendemos uma vez por mês as pessoas vinculadas ao projeto. Elas são avaliadas por uma equipe multidisciplinar, que confere as medicações, a alimentação, os exercícios. Tudo gratuito. Com a sede, pretendemos fazer esse atendimento com mais regularidade, em alguns dias por semana — explica a geriatra Berenice Werle, integrante do instituto. 

A fama de Veranópolis como Terra da Longevidade começou durante da década de 1990, quando se constatou que o município tinha a maior expectativa média de vida ao nascer do Brasil. A métrica foi aproveitada pela prefeitura como atrativo turístico e também chamou a atenção do geriatra Emílio Moriguchi. O acesso a uma população expressiva com mais de 80 anos de idade foi um dos fatores que o motivou a iniciar a pesquisa sobre o tema.

Desde então, foram dezenas de dissertações, teses e artigos publicados em parceria com hospitais e universidades de todo o país. O esforço para entender o envelhecimento garantiu à Veranópolis certificação de Cidade Amiga do Idoso pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2016.

— Uma das coisas que esse projeto trouxe foi a aplicação de melhorias bem simples e estruturais no município para melhor atendimento aos idosos, como alguns tipos de calçada, um tipo de apoio diferente nos banheiros públicos, o acesso ao transporte público, à saúde. Essa é uma melhoria direta — comemora Berenice.

Para ter qualidade de vida, hábitos são tudo

As características de Veranópolis, que permitem o acompanhamento ao longo do tempo de uma mesma população, possibilitaram uma gama de pesquisas valiosas para a compreensão dos fatores que aumentam a longevidade das pessoas. 

Conforme a nutricionista Neide Maria Bruscato, coordenadora operacional do Projeto Veranópolis, a iniciativa foi a primeira no país a empreender estudos de longevidade e será a primeira com sede própria. Ela elenca como projeto mais importante o estudo "Causas apontadas como fatores da longevidade", iniciado em 1994 com 242 idosos com idade a partir de 80 anos. 

A pesquisadora revela que os hábitos das pessoas são fatores determinantes para viver mais. Em comparação com outros municípios, o estudo constatou que os níveis de estresses dos idosos são menores, a atividade física é mais intensa e o número de fumantes é menor do que em cidades maiores, por exemplo.

Outro fator determinante é o social. A vida em comunidade, segundo pesquisadores, é fundamental para a longevidade.

— Há muitos mitos sobre o assunto. As pesquisas têm mostrado que o estilo de vida, em comunidade, com a presença da família, é extremamente importante para uma vida saudável — destaca o geriatra Emílio Moriguchi, fundador e coordenador geral do projeto.

Ele cita como exemplo uma pesquisa que analisa o envelhecimento das células em quatro gerações de pessoas das mesmas famílias, ainda em andamento, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS):

— Os trabalhos mostraram que quando convivem quatro gerações sob o mesmo teto, as pessoas são mais longevas. A gente vem trabalhando muito nessa questão social. Hoje, quando a vida está muito mais individualizada, essa pesquisa mostra que o tempo de contato com as pessoas importa. Basicamente, o tempo de tela (uso de celular, computador) encurta a vida e o tempo (de contato) cara a cara, aumenta — conclui. 

SEGREDOS DA LONGEVIDADE

:: As pesquisas sobre envelhecimento populacional permitiram mapear alguns fatores que, acredita-se, contribuem para a longevidade dos habitantes de Veranópolis.

:: Conforme a nutricionista Neide Maria Bruscato, os níveis de estresse dos idosos da cidade são menores.

:: A atividade física é mais intensa, similar à praticada por pessoas adultas.

:: Dados mostram que o número de fumantes é menor do que em cidades maiores, como Porto Alegre.

:: Os idosos costumam fazer refeições regulares, garantindo uma nutrição saudável.

:: Apesar de existirem riscos cardiovasculares na população idosa, como colesterol alto, diabetes e hipertensão, um estudo longitudinal que acompanhou a mortalidade dos idosos durante três anos não mostrou associação entre mortalidade e tais riscos.

:: Investigações nutricionais mostraram que os idosos ingerem em média as quantidades de carboidratos, proteínas e gorduras que são indicadas pela OMS.

:: Estudos feitos por psiquiatras, psicólogos e biólogos mostraram que a população de Veranópolis possui um alto grau de satisfação com a vida, sendo em geral alegre e ativa: religiosidade, convivência familiar e social são apontados como fatores determinantes. 

A OBRA DA SEDE

:: A sede do Instituto da Longevidade será construída junto ao Hospital Comunitário São Peregrino Lazziozi, na área que hoje é utilizada para estacionamento interno.

:: Conforme o administrador da instituição, Rogério Franklin da Silva, será um prédio de dois andares, com 955 metros quadrados de área.

:: O primeiro piso vai abrigar o setor administrativo do hospital e o segundo a sede do instituto, com entrada própria pela Rua Rui Barbosa.

:: A verba de R$ 1,5 milhão foi disponibilizada pelo Ministério da Saúde e será liberada em cotas pela prefeitura.

:: A manutenção do local ficará a cargo do hospital, mas os recursos humanos serão mantidos pelo Instituto Moriguchi. As verbas terão de ser captadas junto ao poder público e parceiros privados.

:: O prédio deve ser concluído em 18 meses e vai permitir o atendimento ao público com acessibilidade e equipes multidisciplinares fixas. 

O INSTITUTO

:: O Projeto Veranópolis: Estudos em Envelhecimento, Longevidade e Qualidade de Vida" foi iniciado em 1994 pelo geriatra Emilio Moriguchi, pesquisador da UFRGS e da Unisinos e tem como apoiadores a Associação Veranense de Assistência em Saúde, mantenedora do Hospital Comunitário São Peregrino Lazziozi e a prefeitura do município.

:: Há dois anos, foi fundado o Instituto Moriguchi para oficialização do grupo de pesquisa, que conta com cerca de 10 integrantes.

:: O projeto conta com uma produção científica de 25 dissertações de mestrado, 11 teses de doutorado, 12 monografias, mais de 50 trabalhos apresentados em congressos, além de 19 artigos científicos publicados. 

:: Exemplos de pesquisas em andamento:
- "Estudos em Envelhecimento Longevidade e Qualidade de Vida", com 242 idosos com idade igual e acima de 80 anos;
- um estudo com adolescentes sobre fatores de risco cardiovascular. O público de 214 indivíduos já foi avaliado em 1999, em 2006 e em 2008;
- um programa de acompanhamento longitudinal para prevenção e promoção de saúde, iniciado em 2007, com 868 pessoas.
- o Projeto Confrarias, em parceria com o Instituto do Coração, investiga os índices de envelhecimento e prevalência de doenças em 150 pessoas que bebem vinho ou não;
- outra parceria com o Instituto do Coração que avalia o "Efeito do Programa Alimentar Brasileiro Cardioprotetor" na prevenção de doenças cardiovasculares.

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