Tecelagem Irmãos Panceri em 1948 - Geral - Pioneiro

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Caxias antiga30/05/2018 | 07h30Atualizada em 30/05/2018 | 07h30

Tecelagem Irmãos Panceri em 1948

Fábrica de tecidos e artefatos de rayon marcou época na Rua Vereador Mario Pezzi esquina com a Vinte de Setembro

Tecelagem Irmãos Panceri em 1948 Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
A sede da Tecelagem Irmãos Panceri, na esquina da Rua Vereador Mario Pezzi com a Vinte de Setembro, e a lendária chaminé em 1948 Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O álbum comemorativo Caxias do Sul – A Metrópole do Vinho, lançado em 1957, às vésperas da Festa da Uva de 1958, trazia uma detalhada abordagem histórica sobre empresas, personalidades e acontecimentos de Caxias do Sul desde os primórdios da colonização.

Escrito, organizado e publicado pelo jornalista Duminiense Paranhos Antunes,  o catálogo ilustrado destacou, entre tantas fábricas, a lendária Tecelagem Irmãos Panceri, surgida em 1928 na esquina da ruas Vereador Mario Pezzi e Vinte de Setembro (atual boate Chardonnay). 

Conforme a publicação, a "Fábrica de Tecidos e Artefatos de Rayon Tecelagem Panceri Ltda" foi fundada pelos irmãos José Panceri Filho e Agostinho Panceri, filhos do industrialista Giuseppe "José" Panceri. Nascido na Itália em 1858, o jovem imigrante chegou ao Brasil em 1878, três anos após o desembarque dos primeiros colonizadores na Serra, sendo o pioneiro na indústria da seda no Rio Grande do Sul.

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Peças e artigos produzidos pela Tecelagem Irmãos Panceri em exposição na Festa da Uva de 1933Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Estandes na Festa da Uva

Destacando-se no setor a partir da década de 1930, a Panceri — assim como os lanifícios São Pedro (em Galópolis) e Gianella (no bairro Santa Catarina) e a Tecelagem Marisa — também expunha com frequência nos estandes das antigas Festas da Uva. Era onde divulgava as novidades em tecidos e seus avanços na linha de produção, como descrito na publicação de 1957:

"Fabricante de diversos tecidos de renome, como o cetim Panceri e o albene, bem como os variados tipos de cachenês (espécie de echarpe), tornou-se esta  organização industrial caxiense uma expressão lidimada dos bons artigos no seu ramo".

À epoca do lançamento do livro, em 1957, a Tecelagem Panceri era administrada pelos irmãos Agostinho e José Panceri Filho, tendo ainda como sócios os empresários Alcides Furlan, Henrique Panceri e Alfredo Furlan. O patriarca José Panceri, faleceu em 1943, aos 85 anos. José Panceri Filho morreu em 1965, aos 59.  

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Os produtos e o estande da Tecelagem Irmãos Panceri na Festa da Uva de 1950Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O quarteirão

A antiga Tecelagem Panceri fazia vizinhança com outras duas fábricas emblemáticas da região compreendida entre as ruas Vereador Mário Pezzi, Ernesto Alves e Vinte de Setembro: a Cervejaria Leonardelli e a Veronese Produtos Químicos (fundada em 1911 e atuante até hoje). Ao contrário das chaminés preservadas destas duas, a da Panceri, infelizmente, não sobreviveu.

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A sede da Tecelagem Irmãos Panceri, na esquina da Rua Vereador Mario Pezzi com a Vinte de Setembro, e a lendária chaminé em 1948. Mais ao fundo, a chaminé da vizinha Veronese Produtos QuímicosFoto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

 A Metrópole do Vinho

Organizada pelo jornalista Duminiense Paranhos Antunes, a publicação Caxias do Sul – A Metrópole do Vinho teve sua comercialização bastante badalada na Festa da Uva de 1958. Foi quando Antunes alugou um estande no antigo pavilhão da Rua Alfredo Chaves para divulgar suas obras — além de A Metrópole do Vinho, Antunes escreveu  Sombras que Ficam (1946), Rio Pardo — Cidade Monumento (1946) e Documentário Histórico de Caxias do Sul (1875-1950).

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O álbum também teve a colaboração de diversos advogados,  historiadores, jornalistas e políticos, dentre eles Olmiro de Azevedo, Nestor Gollo, Joaquim Pedro Lisboa, Mário Gardelin, Ítalo Balen, Cyro de Lavra Pinto, Manoel Ramos de Castilhos e Bernardino Conte. Já as ilustrações e fotos ficaram a cargo dos atelieres fotográficos Giacomo Geremia & Filhos, Studio Clemente Tomazoni, Atelier Óptica Caxiense Ltda, Atelier Calegari e Foto Mancuso.   

A clicheria foi da Metalúrgica Abramo Eberle, enquanto que a impressão deu-se nas oficinas gráficas da Livraria Mendes.

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