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Opinião17/05/2018 | 11h12Atualizada em 17/05/2018 | 11h33

"Mulheres de diferentes etnias são representadas neste concurso?", questiona feminista sobre rainha da Festa da Uva

Escolha ocorre neste sábado nos Pavilhões, às 20h

"Mulheres de diferentes etnias são representadas neste concurso?", questiona feminista sobre rainha da Festa da Uva Felipe Nyland / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Felipe Nyland / Agência RBS / Agência RBS

O papel de uma rainha da Festa da Uva é, também, de mostrar a força e o potencial da mulher. Como protagonista que opta tanto por ser dona de casa, quanto empreendedora. A professora acadêmica e diretora de Economia, Finanças e Estatística da CIC, Maria Carolina Rosa Gullo, afirma que o preparo que as gurias têm durante o pré-concurso — que nesta edição é de seis meses —, é fundamental para que aprendam a conhecer a cidade e sejam ambientadas a uma cultura de tradição. 

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— Elas se interessam também pela economia, e não são gurias preparadas de qualquer maneira. Mesmo aqueles que não têm no sangue a questão da imigração, sabe que foi esse o povo que criou o município, e que isso tem força e desenvolveu nossa economia. Elas dão um sinal de que respeitar essa cultura é sinal de respeito com o próprio município — afirma a professora.

As representantes da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) de Caxias do Sul enxergam o concurso com um viés mais crítico, onde as gurias precisam seguir a um padrão que nem sempre é justo dentro da comunidade. 

— É uma representação política de uma mulher disciplinada, em que sua beleza e suas atitudes estão dentro de uma ordem moral. Historicamente, representa a mulher branca, jovem, imigrante italiana. Mas a diversidade de mulheres, as diferentes etnias que construíram e constroem a cidade de Caxias do Sul... são representadas nesse concurso? — questiona Paula Cervelin Grassi, integrante do movimento.

"Ela é a divulgadora da cidade"

A verdadeira sensação de glamour em ser rainha da Festa da Uva era mais forte até o final da década de 1960, avalia o diretor do Instituto Memória Histórica e Cultural da UCS, Anthony Beux Tessari. Tanto que é que foi nesta década que soberanas tiveram papeis inéditos: enquanto Helena Robinson, rainha de 1961, convidou pela primeira vez um presidente da república, Jânio Quadros, Elisabete Maria Menetrier viajou ao Exterior pela primeira vez como soberana, em 1969. Ainda que as visitas a presidentes ainda sejam uma das partes mais importantes da agenda do trio, outras funções são acrescidas a elas ao longo da história da Festa.

— O trio de rainha e soberanas abre mão dos direitos de imagem para participar de toda a divulgação. Desde que eleita, ela passa a cumprir a principal função de representante da cidade. Não é um concurso de miss que transforma, muitas vezes, a mulher em um objeto. Ela é uma divulgadora da cidade — afirma Tessari.

O público médio de uma escolha de rainha é de 10 mil pessoas — o que iniciou em 1994, lembra Tessari. Nesta edição, serão quase 5 mil a menos, por exigências do Plano de Prevenção e Proteção contra incêndios, o PPCI. A primeira-dama do Estado, Maria Helena Sartori, participou do júri que elegeu Julia Brugger De Carli como soberana de 2006. Ela lembra que a essência do evento, que são as origens de Caxias, devem estar na ponta da língua da nova rainha, cuja principal missão é convidar a todos para a festa, inclusive presidentes.

— Exatamente pela importância do evento, praticamente todos os presidentes convidados pelas rainhas vieram em algum momento da festa. Independente de ser 2019, do ano ou milênio que nós estivermos, haverá espaço para a rainha. Para que ela nos lembre como tudo começou, quem foi quem começou tudo aqui e o orgulho de saber que somos frutos disso— explica.

Primeira-dama e o governador José Ivo Sartori (PMDB) não poderão comparecer ao evento de escolha.

AS RAINHAS

1933: Adélia Eberle

1934: Odila Zatti

1950: Teresinha Morganti

1954: Maria Elisa Eberle

1958: Zila Turra

1961: Helena Luiza Robinson

1965: Silvia Ana Celli

1969: Elizabeth Maria Menetrier

1972: Margareth Trevisan

1975: Roxane Torelli

1978: Ana Méri Brugger

1981: Marília Conte

1984: Marisa Dotti

1986: Silvia Slomp

1989: Deliz De Zorzi

1991: Catiana Rossato

1994: Cristina Briani

1996: Patrícia Horn Pezzi

1998: Patrícia Roth dos Santos

2000: Fabiane Bressanelli Koch

2002: Juliana Marzotto

2004: Priscila Caroline Tomazzoni

2006: Julia Brugger de Carli

2008: Andressa Grillo Lovato

2010: Tatiane Frizzo

2012: Roberta Veber Toscan

2014: Giovana Crosa

2016: Rafaelle Galiotto Furlan

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