Locatário de casarão incendiado de Caxias lamenta perda de estofaria e desaparecimento de amigo  - Geral - Pioneiro

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Incêndio28/05/2018 | 10h48Atualizada em 28/05/2018 | 10h59

Locatário de casarão incendiado de Caxias lamenta perda de estofaria e desaparecimento de amigo 

Homem desaparecido era conhecido por sentar-se todas as tardes no trevo em frente ao casarão para tomar chimarrão

Locatário de casarão incendiado de Caxias lamenta perda de estofaria e desaparecimento de amigo  Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS
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O incêndio que consumiu o antigo casarão localizado na divisa entre os bairros Rio Branco e São Pelegrino, não só pôs fim a um patrimônio que resguardava mais de 90 anos da história de Caxias do Sul. Diante das ruínas que amanheceram sob os olhares de moradores da região, a fisionomia de abatimento se ressaltava no rosto de Renato Rissi, empresário que locava a casa há cerca de 25 anos. Ali, ele administrava uma estofaria e alugava quartos nos andares superiores. Após o sinistro, nada restou do maquinário ou dos estofados que haviam sido deixados por clientes.

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— Estava vendo futebol na minha casa (no bairro Panazzolo) quando fui avisado. Quando cheguei já era tarde demais. Não faço ideia do que pode ter causado o incêndio. Apesar de antiga, a casa estava reformada e eu havia refeito toda a parte elétrica há uns dois anos — comenta.

Recebendo apoio de moradores e comerciantes próximos, Rissi ressalta que o recomeço será, de fato, do zero.

— Um cliente até me ligou hoje (segunda-feira) e disse 'recomeça a sua vida, não importa o material que eu deixei ali, o que precisar é só me chamar'. Estou recebendo muito apoio — salienta.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 28/05/2018. Casarão no bairro Rio Branco foi consumido em incêndio e um corpo carbonizado foi encontrado nos escombros. No local, funcionava uma estofaria e uma pensão. Renato Rissi, 58 anos, lamenta incêndio que consumiu estofaria que administrava há cerca de 25 anos no bairro Rio Branco. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Renato Rissi, 58 anos, lamenta perda de imóvel e desaparecimento de amigoFoto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Um dos vizinhos, o empresário Alexandre Paulo Fachin, foi uma das pessoas que se dispôs a ajudar o amigo. "Estamos aí para o que precisar. O que aconteceu contigo, poderia ter acontecido comigo" disse ele a Rissi após um cumprimento fraterno.

O tradicional casarão, existente desde 1927, era também conhecido como pensão. Atualmente, Rissi conta que há cerca de quatro anos alugava "oito ou nove" quartos que haviam no imóvel. O primeiro a pedir abrigo a ele foi Antônio Borges, o "Cabreira", única pessoa que não foi vista desde o incêndio entre os sete residentes que estariam no local. 

Casarão incendiado na divisa dos bairros São Pelegrino e Rio Branco
Arquivo: Antônio Borges, o Cabreira, e seu cão Max, em frente ao casarãoFoto: Bruno Zulian / Divulgação

Borges se tornou figura icônica na região: diariamente era visto tomando chimarrão sentado no trevo na frente do casarão. Ao seu lado, seu fiel cão Max, que também não foi mais visto desde a noite de domingo.

— Espero que não tenha acontecido nada com eles. O Cabreira era muito querido por todos. Eu nem cobrava aluguel dele. Foi ele quem pintou a casa, sempre me ajudava quando precisava fazer um servicinho. É muito triste tudo isso estar acontecendo — lamenta Rissi.

Apoio mútuo para o recomeço

Renato Valdir Hofmeister chegou apreensivo por volta das 9h desta segunda-feira para conferir os prejuízos causados em sua barbearia, no imóvel anexo ao casarão. Ao chegar ao local, o alívio: o fogo causou apenas pequenas avarias nas divisas do estabelecimento.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 28/05/2018. Casarão no bairro Rio Branco foi consumido em incêndio e um corpo carbonizado foi encontrado nos escombros. No local, funcionava uma estofaria e uma pensão. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

— Moro em Bento Gonçalves e não pude  vir porque estava com pouca gasolina e tive que deixar o carro para a minha esposa que é diretora de uma escola. Pude vir só hoje (segunda-feira) de ônibus — relata.

Ao cumprimentar o vizinho, ambos se emocionaram com a situação e Renato chorou ao saber do desaparecimento de Antônio Borges.

— Ele ficou o dia inteiro com a gente (na barbearia) na sexta-feira. Sempre foi muito brincalhão e gente boa — afirma.

A barbearia de Hofmeister existe há cerca de cinco anos no espaço. Porém, a sua família trabalha nas imediações há mais de 30 anos. Sobre o futuro, ele afirma incerteza quanto à localização, mas garante que quer voltar à ativa o quanto antes:

— Vou limpar agora e ver qual foi o estrago de verdade. Enquanto isso quero tentar alugar a sala comercial ao lado para continuar a tocar os negócios.

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